O 25 de Abril de 1974

Nesse dia de Abril de 1974 levantei- me como de costume, tomei o meu banho, vesti-me, tomei o pequeno almoço, e, pelas 8,00 horas saí da minha casa em Leça da Palmeira, entrei no meu Fiat 128 e arranquei para Gondomar a caminho da então agência do Crédito Predial Português onde era subgerente.

Nada de anormal observei até que, já em plena Circunvalação, liguei o rádio e fui surpreendido por uma música fora do normal… logo ouvi um comunicado das forças armadas a informar sobre o golpe de estado que estava em curso.

Senti um misto de alegria e esperança mas, ao mesmo tempo, de receio e dúvida pois não conhecia a tendência politica dos militares que estavam em campo.

Cheguei ao Banco e já lá estavam quase todos os colegas e eles, como eu, surpreendidos e sedentos de notícias mais sólidas.

Abrimos o Banco como normalmente o fazíamos mas poucos minutos passados recebemos um telefonema da Sede em Lisboa a mandar fechar a Agência e regressarmos a nossas casas até que os noticiários da TV informassem o que deveríamos fazer no dia seguinte.

Soubemos aí que o General Spinola estava por trás do Golpe e isso sossegou-me. Não era de extrema direita.

Regressei a Leça, a minha mulher também já estava em casa pois as aulas tinham sido suspensas e a minha filha também já tinha vindo da escola.

Passamos o resto do dia juntos à TV e à rádio trocando impressões com amigos que iam aparecendo ou mesmo pelo telefone.

Ouvimos Zeca Afonso, iamos aumentando a nossa alegria quando nos fomos apercebendo de que era um golpe a favor da democracia e da liberdade.

Um dia inesquecível…

Ao fim de 31 anos ia, finalmente, ser livre …

A minha homenagem aos militares de Abril…

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Crise nervosa

Ela acorda irritada. A primeira confusão de seu dia ocorre no elevador do prédio onde mora. Nervosa com umas crianças – companhias de elevador, que estavam extremamente alegres e rindo, e que a acompanharam por dois longos minutos, bastou que um pequenino falasse um pouco mais alto para ela se descontrolar. Disse à mãe dos pequenos que esta deveria dar melhor educação aos filhos e lhes ensinar a não rir em elevador de condomínio.

Bufando, consegue arrancar uma lasca da lateral de seu carro ainda na garagem. Não percebe na rua e avança um sinal fechado, quase provocando um acidente e ganhando uma bela multa de trânsito. Chega ao escritório em que trabalha e logo percebe colegas rindo em uma roda distante, e outras duas se afastando. Sua fama é antiga no local de trabalho. Dois passos já servem de base para saber como vai seu humor instável, seu desequilíbrio. Ali, no trabalho, somam-se centenas de reclamações pela falta de educação, pela gritaria, por ela viver irritada e contaminar todo o ambiente.

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REQUERIMENTO TIPO PARA UTILIZAÇÃO DO NOVO AUDI A8 DA CÂMARA DE COIMBRA

Ex.mo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Dr. Manuel Machado,

_____________________ ( nome do requerente), eleitor nº ___ da freguesia de _____________ , concelho de Coimbra, vem expor e requerer a V. Exa. o seguinte:

1. Tive conhecimento através da internet que V. Exa. iria passar a dispor de um Audi A8;

2. E percebi que não se tratava de um acto de vaidade pessoal, mas uma forma de melhorar a imagem do município, pois que a viatura estará ao serviço do município e não exclusivamente do seu presidente;

3. Reflectindo sobre o assunto, lembrei-me de que o Audi do município poderá resolver-me um problema logístico que tenho em mãos;

4. No próximo dia 5 de Maio, é o casamento da minha prima Júlia (jovem médica) com o Raul (jovem engenheiro);

5. Pediu-me a minha prima que a transportasse à Igreja, ao que eu anuí;

6. Lembrei-me, depois, que o meu carro só tem duas portas o que, convenhamos, não é muito operacional para o efeito, sobretudo para entradas e saídas da noiva, já que o vestido poderá ficar agarrado e eventualmente rasgar-se;

7. Foi desta forma que me lembrei que, sendo munícipe de Coimbra, e estando o Audi ao serviço do município, seria um acto da maior justiça que eu pudesse transportar minha prima ao casamento no Audi A8;

8. Informo que entregarei o veículo devidamente lavado e com o combustível reposto;

9. Dispenso o motorista.

Face ao exposto, requeiro a V. Exa. se digne emprestar o Audi 8 para utilização deste modesto munícipe no próximo dia 5 de Maio, entre as 8h00 e as 24h00.

Coimbra, 17 de Abril de 2018

Pede deferimento,

Assinatura do Requerente
(conforme documento de identificação)

Notas:
1)Este requerimento pode ser modificado em função da necessidade de cada Munícipe mas apenas para os eleitores registados no concelho de Coimbra.

2)Este requerimento foi inspirado num efectuado em 2006 pelo meu falecido amigo, Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro, dirigido ao presidente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses.

Paulo Vieira da Silva

(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

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Desanimado

Há certa feita recebi em meu consultório um rapaz de seus vinte anos totalmente apático. Quieto, voz abafada, sem vida, sem expressão. Talvez tédio, falta de interesse, raiva, incomodo. Como definir o redemoinho de emoções? lentidão e letargia faziam parte do ciclo deste existir. Era um jovem sem vida, sem expressão, sem futuro. “Tanto faz”, “sei lá”, “não sei” eram expressões rotineiras de seu dialeto. Confesso que na altura me senti incomodado ao ver um rapaz tão jovem mostrar-se tão apático a existência.

Nos dias de hoje não é raro encontrarmos membros da geração “danoninho” desta forma. Uma geração contraditória ávida pela tecnologia, por aplicativos e pelas redes sociais, acidamente críticos do sistema mas ao mesmo tempo apáticos para a vida. Uma geração que aparentemente nasceu cansada, fria, triste, naturalmente melancólica, com crítica de tudo e todos mas sem ação. Uma geração naturalmente castrada. Mas o que fazer com eles?

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TURISMO NO PORTO e NORTE DE PORTUGAL, MODA OU TENDÊNCIA ? ATÉ QUANDO ? CONTRIBUTOS PARA UMA REFLEXÃO

 

Esta semana tive oportunidade de percorrer a pé algumas ruas da Mui Nobre e Leal Cidade Invicta, algo que algum tempo não o fazia. Fi-lo numa cidade que me viu nascer, crescer e que me preparou para a vida. Vivo intensamente esta cidade há cinquenta e três anos, trinta e dois dos quais como seu habitante e os restantes como cidadão.

Foram momentos fantásticos que jamais esquecerei, no entanto em 1996 tomei uma decisão que me levou a sair da cidade do Porto, e ir viver para um concelho, onde tinha nascido o meu pai e onde tinha as raízes paternas. Foi uma decisão criticada por uns amigos, elogiada por outros, não me arrependo, aliás nunca me arrependi das decisões que tomei na vida, isto porque qualquer decisão que tomei foi sempre com base em determinados pressupostos, perfeitamente válidos no momento dessa decisão.

 

Vinte e dois anos volvidos verifico que hoje o PORTO acorda diariamente para uma realidade completamente distinta da que se verificava em 1986, hoje o PORTO não é uma cidade do trabalho, é uma cidade virada para o turismo. Mais ainda, hoje o fenómeno turístico do PORTO conseguiu transformar toda a realidade do Porto e do Norte de Portugal, considerando esse espaço geográfico de Aveiro a Valença, do Porto a Bragança.

 

Muitos portuenses e nortenhos recordam-se daquela máxima: “O Porto trabalha, Coimbra estuda o que Lisboa há-de gastar”, e este Porto já era a região Norte.

 

Hoje a região Norte, liderada pelo burgo portuense, ocupa uma posição de destaque no turismo nacional, para isto recordo uma reunião do CONSELHO REGIONAL Norte, em que participei como Presidente da Câmara, mais concretamente na CCDR-N, e em que os 82 municípios que compõem esse Conselho, tomaram uma decisão muito importante, constituir uma entidade única do turismo, aquilo que é hoje, a Entidade de Turismo do Norte de Portugal, e acabarmos com as regiões de turismo que proliferavam como cogumelos por todo o Norte. Aqui deixo só um exemplo, no concelho de Penafiel, num raio de 14 kms havia duas. Com esta decisão iríamos permitir que toda esta vasta região tivesse acesso aos fundos comunitários, pois as regras de Bruxelas iriam limitar esses fundos para o tuirismo a Lisboa, Algarve, Madeira e Açores. A união fez a força e ainda bem que assim foi.

 

Hoje o PORTO é uma marca mundialmente conhecida e nos cincos continentes. Se há centenas de anos o Vinho do Porto para isso contribuiu, veio depois a navegabilidade do Douro e o turismo fluvial, a projecção internacional do Futebol Clube do Porto e por fim o turismo no Porto (exemplos de fenómenos de atracão turística temos a Livraria LELLO, a Igreja dos Clérigos- este Monumento do Porto bateu o recorde de visitantes em 2017, com cerca de 670 mil entradas, mais 7% do que em 2016, e destes visitantes, 80% foram estrangeiros, e a Ribeira).

 

Hoje a MARCA PORTO tem uma dimensão que extravasa largamente a city e é toda uma vasta região, não podendo aqui dissociar mais uma vez o papel decisivo da Entidade de Turismo do Norte de Portugal nesta dinâmica.

 

No entanto este fenómeno turístico no PORTO tem de nos preocupar. Será isto uma moda ou uma tendência ? Tendência para uns “é uma inclinação ou preferência por determinadas coisas ou a fazer determinadas coisas. Por exemplo: O Lionel Messi é um grande jogador apesar da sua tendência em usar o lado esquerdo, o que permite prever os seus movimentos. A tendência inflacionista dos preços preocupa os economistas, A duas horas do fecho dos comícios, não há uma tendência clara que permita vislumbrar um vencedor”.

 

 

 

 

A história da moda é marcada pelos diferentes tempos e movimentos culturais que influenciaram as sociedades da sua altura. Por exemplo, o Renascimento e o Iluminismo influenciaram a moda, sendo possível identificar tendências diferentes

A palavra moda está presente em várias expressões. A expressão “fora de moda” ou “passar de moda” indica algo que já foi popular, mas no presente momento já não é. Ex: O casaco que ele está vestindo hoje está completamente fora de moda.

Pelo contrário, a expressão “estar na moda”, indica uma pessoa que tem um estilo atual de se vestir, ou descreve um hábito ou costume apreciado por muitas pessoas. Exemplo, agora está na moda conhecer gente na internet em vez de conviver com elas pessoalmente.

 

O PORTO é mais uma vez e este ano uma tendência, está na moda mais um ano, por enquanto. a questão resume-se a saber a que ritmo é que irá continuar a crescer (e quando é que começa a abrandar). Para que o turismo fosse atraído pelo PORTO foi preciso criar infraestructuras para receber bem os turistas. O fenómeno RYANAIR e as viagens low cost foram fundamentais. O aumento de viajantes, justificou o investimento em hotéis, hostels, alojamento local, restaurantes, área paisagista das cidades, limpeza das cidades e afins.

Portanto, de repente temos um país cheio de bom clima, linda paisagem, pessoas simpáticas, boa comida e vinho, óptimos locais onde ficar a dormir, comer e divertir”. E a palavra passou de boca em boca.

 

A Bloomberg (empresa de tecnologia e dados para o mercado financeiro e agência de notícias operacional em todo o mundo com sede em Nova York) revela que Portugal é um dos 20 destinos tendência para este ano, e que o PORTO é uma referência a não esquecer. A Bloomberg conta que “a posição de Portugal no panteão do turismo europeu tem disparado do desconhecimento para ‘as bocas do mundo”.

 

A massificação dos destinos turístico, a construção vs reconstrução urbana desenfreada, as cargas turísticas excessivas, tudo está a ser possível em nome de um desenvolvimento turístico muitíssimo rápido e de uma avidez de consumo.  Como resultado, deparamo-nos hoje com territórios descaracterizados, ruas (quase inteiras)  na cidade desertificadas, o comércio tradicional fechado, efectivamente, hoje começo a ter preocupações o que vai ser deste PORTO se um dia o turismo abrandar ?”

 

Desde a década de 80, o Porto tem vindo a perder residentes, em grande medida devido à descentralização da função residencial para a sua Área Metropolitana, tendo sofrido uma quebra de cerca de 90 mil indivíduos entre 1981 e 2011.Neste período (1981/2011) as perdas relativas foram mais acentuadas nas freguesias do centro histórico e tradicional, tendo os decréscimos sido superiores a 50% da população residente em Miragaia, Santo Ildefonso, São Nicolau, Sé e Vitória. O Porto foi o concelho do Grande Porto com a maior taxa de variação negativa da população residente, seguido de Espinho (-6%), tendo o concelho da Maia assinalado o maior incremento relativo (12,7%), à semelhança da década anterior.

Em 2011 residiam no concelho do Porto 237.591 indivíduos, o que representou uma perda de 25.540 indivíduos relativamente a 2001”. Recolha efectuada num trabalho elaborado pelo Direcção Municipal de Urbanismo da Câmara Municipal de Porto, em 2014.

 

O PORTO tem muito do seu comércio tradicional com as portas fechadas. O PORTO tem actualmente um nível de transformação do seu património edificado, para ser transformado em hotéis, hostels e alojamento local como nunca se viu na sua História. O PORTO tem uma população flutuante a crescer por força do fenómeno chamado turismo, mas tem a sua população base, a residente, a diminuir dia a dia.

 

Eu pessoalmente acredito que, pelo menos, durante mais uma ou duas décadas este cenário do turismo crescente no PORTO se vai manter, e depois desta fase ? Será que vamos ter uma cidade fantasma ?

Para resposta a esta e a muitas outras perguntas acho que devíamos começar a fazer no PORTO um debate profundo, uma reflexão alargada, que não se resumisse a uma sessão, em que estas questões fossem debatidas e preparássemos o PORTO para o futuro, o futuro que será necessariamente dos nossos netos.

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ADMINISTRAÇÃO CENTRAL vs ADMINISTRAÇÃO LOCAL, Dois pesos, Duas medidas

Em 2008 escrevi como Presidente da Câmara, uma CARTA ABERTA ao Primeiro Ministro, José Sócrates, uma carta perfeitamente actual e que o JN relatou na época relatou assim:

“O presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Paulo Teixeira, escreveu uma Carta Aberta ao Primeiro-ministro reclamando o pagamento, por parte do Estado, de terrenos adquiridos pela autarquia e colocados à disposição do Governo. O autarca dá como exemplo as soluções encontradas pelo actual Governo para a Câmara de Lisboa – adquiriu por perto de 14 milhões de euros, ao Município de Lisboa, um terreno para construção, na zona Oriental, do Hospital de Todos os Santos. O autarca paivense exige igual procedimento em relação ao município que lidera.

Paulo Teixeira alega que o valor dos terrenos comprados pela autarquia paivense para as duas Escolas EB 2/3, Quartel da GNR, Escola Secundária e Tribunal Judicial ultrapassaram 2,5 milhões de euros. E lembra que o Governo e o Tribunal de Contas obrigaram o município, nas obras de remodelação e ampliação do edifício dos Paços do Concelho, na biblioteca municipal e na Rua Prof. Egas Moniz, “alterando regras de jogo estabelecidas e protocoladas”. Recorda ainda que na altura da remodelação do edifício camarário, era Manuela Ferreira Leite ministra das Finanças, a autarquia não pôde recorrer ao crédito.

Recentemente, a Câmara pagou 1,1 milhões de euros por uma parcela para que o Ministério da Educação construísse a Escola EB 2/3 do Couto Mineiro, entregando gratuitamente o terreno ao Governo. Isto implicou a penhora parcial (100.000 euros/mês) do FEF da Câmara desde Dezembro de 2007 até Julho de 2008. “

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O FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Decorria o ano de 1998, quando foi referendada pelo Primeiro – Ministro, Engº António Guterres a lei Financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais, denominada Lei 56/98, de 18 de Agosto.Propunha este diploma criar um conjunto de regras para regular a actividade partidária a nível financeiro e essencialmente as campanhas eleitorais.

Por exemplo, nesta época só os Partidos Políticos podiam concorrer às Câmaras Municipais. As candidaturas independentes são permitidas desde 2001. E há quem afirme que o sucesso destes projectos está relacionado com o “descrédito dos partidos e dos políticos” e com o facto de a sociedade procurar “alternativas fora do modelo tradicional”. Por força do aparecimento destas candidaturas e de outros factores as regras de jogo foram sendo alteradas ao longo dos últimos anos e encontramos alterações à Lei 56/98, nos anos 2000, 2001, 2003, 2005, 2010 e 2013.

Nas vésperas do Natal de 2017, Portugal acordou para este tema, como se fosse a primeira vez que se fosse discutir o mesmo. E como já referi anteriormente nada disso se passava. O que aconteceu foi que com algum secretismo ou não, os Partidos políticos com assento parlamentar aprovaram uma alteração à lei nº 56/98. Mas o problema é que desta vez não apareceram actas das reuniões da Comissão Parlamentar respectiva, não houve discussão pública e não fora um texto de um parlamentar nas redes sociais isto passava despercebido, até porque tendo necessidade de ser promulgada por Sua Excelência o Senhor Presidente da República, coincidiu com o seu internamento urgente.

Tudo isto saltou para a opinião pública e alguns partidos começaram a recuar na decisão que tinham aprovado, nomeadamente quando se começa a ouvir qual seria a decisão do mais alto magistrado da Nação, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, ou seja corríamos o risco, como se veio a verificar do veto presidencial a esta lei.

E mais uma vez muita discussão na praça pública, e o cerne da questão era a isenção de IVA para os Partidos Políticos. Por incrível que pareça o partido que mais se mostrou contra o veto presidencial foi o Partido Comunista Português (PCP), partido defensor dos trabalhadores, da classe operária, etc, etc, um discurso já gasto, mas viemos a saber que no âmbito da sua actividade partidária seria o partido, ou um dos partidos mais beneficiado, por força desse grandioso evento anual que leva a efeito, a Festa do Avante.

Recorde-se que a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) mantém as suas dúvidas sobre o cumprimento na íntegra da lei de financiamento partidário, relacionado com os limites anuais que um partido pode obter em angariações de fundos (639 mil euros) e em dinheiro vivo (21.300 euros). Este é, aliás, um dos pontos altos de angariação de fundos do PCP, pelo que as constantes análises da entidade têm criado uma relação frágil entre ambas as partes.

A EFCP refere que o PCP apresenta deficiências no suporte documental que impede que os montantes, a origem, a razoabilidade e o depósito das receitas sejam confirmados. Já o PCP defende que é impossível arranjar documentos para provar “os milhares de cafés, sandes, águas, cervejas, refrigerantes, refeições, lembranças e bugigangas” vendidos em numerário. As receitas da Festa do Avante têm aumentado de ano para ano, havendo anos como 2006 que gerou lucros superiores a 250 mil euros.

Por tudo isto, foi importante o Veto presidencial, e acima de tudo, a lei do financiamento dos partidos merecia ser submetida a um debate mais alargado, para que não haja dúvidas sobre o que é que se pretende e depois disso aprovada pelos “nossos representantes”.

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A EDP é um estado dentro do próprio Estado…e funciona, não?

Há coisas que me chateiam.

Uma delas é a desprotecção dos consumidores ante prestadores de serviços públicos essenciais.

Hoje trago uma curiosidade de um país onde entidades privadas gozam de privilégios especiais, derrogando direitos dos “consumidores” a seu belo prazer, determinando regras de cumprimento geral e abstracto, com as quais, os poderes públicos, de regulação e fiscalização, apenas… aparentemente, escolhem “encolher os ombros”.

No meio destes, mais um, imbróglios jurídico-burocráticos, sobra o desprotegido consumidor, reduzido a esse objecto de pagamento de serviços, mesmo que adjectivados de “públicos essenciais”, sem direito a tutela, alguma, por parte da entidade reguladora respectiva. (Ler Mais…)

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