Pagamentos em Atraso

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Num relatório da Consultora DeB publicados recentemente foram divulgadas informações acerca dos principais problemas do tecido produtivo nacional. O referido estudo constatou que apenas 20% das empresas nacionais cumpriam os prazos de pagamentos a fornecedores, encontrando-se bastante abaixo da média europeia, que se fixa nos 37,5%. Este facto é particularmente grave junto das microempresas, que possuem mais de ¼ das suas obrigações perante terceiros em atraso. Como é óbvio, a tendência registada, reflecte o baixíssimo nível de capitais próprios dos empresários e sobretudo a excessiva dependência do crédito bancário de curto prazo, que durante as últimas duas décadas, foi utilizado como uma espécie de fundo de maneio, que assegurava o cumprimento atempado das obrigações por parte das organizações nacionais. Porém, desde a chegada da troika e das necessidades de reforço dos capitais, os bancos nacionais “cortaram” de forma abrupta este tipo de financiamento, o que acabou por fazer disparar as dividas a fornecedores e inclusivamente levou à falência de milhares de pequenas e médias empresas, que acabaram por ser as mais afectadas pela ausência de crédito.

No entanto, os pagamentos em atraso constituem uma verdadeira ameaça à economia, podendo inclusivamente “atrofiar” todo o tecido produtivo, gerando um colapso de toda uma cadeia de valor. Assim sendo, o governo deveria utilizar os fundos comunitários para aumentar a liquidez do tecido empresarial com maiores dificuldades de assegurar financiamento bancário e sobretudo abrir linhas de crédito de montante reduzido e de curto prazo, de forma a acudir às necessidades urgentes das organizações. Sem Desbloquear os problemas inerentes aos pagamentos em atraso, dificilmente poderemos obter os níveis de exportação e investimentos que o país precisa para crescer do ponto de vista económico.

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