Notas breves a partir do silêncio

A minha presença neste blogue começou por me apanhar numa altura em que não só não acreditava que tivesse algo de importante a dizer, como não sentia especial interesse por nada do que me circunscrevesse neste circo mediático onde habito, como a isso se somava uma dúvida muito pouco metódica sobre as possibilidades da linguagem como ponte para um mais profundo entendimento entre as pessoas.

Claro que ela continua a ser fundamental para muitas actividades humanas essenciais, da ciência, das várias ciências, à política, passando pela cultura, pela economia. Talvez seja uma ideia herética para alguém que, como eu, se formou área da comunicação e da expressão, admito. Aí defendo-me com aquilo que a experiência teatral tem contaminado a minha vida: o interesse cada vez maior pelo paradoxismo do acto de comunicar.

Quantas e quantas vezes a nossa vontade de comunicar nos atrasa, nos dificulta, nos impede a melhor comunicação com o outro?

A importância do silêncio, a natureza verdadeiramente implosiva do silêncio.

Escrever isto num país habitado pela sombra tentacular de um salazarismo que, como referiu José Gil, promoveu em cada um de nós um “medo de existir”, pode parecer muito perigoso. Não se trata nunca de um “porque não te calas” arrogante, muito mais um “contra o ruído do mundo oponho o meu silêncio”.

Esta necessidade de ir em busca do silêncio é cada vez mais forte quanto cada um de nós parece uma bomba-relógio de agendas que nos são subtilmente sugeridas, impostas. Somos dispositivos expressivos e de comunicação, somos quase extensões dos objectos e dos pacotes de comunicação que compramos, e no entanto paradoxalmente, produzimos cada vez mais lixo ideológico.

O que é que acham disto?

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