Não podemos continuar a tolerar ganância e incompetência da banca

Pedro dos Santos Guerreiro, director do Expresso, explicou de forma simplista em pouco menos de 5 minutos o esquema utilizado por certos empresários para lavar dinheiro e obterem financiamento junto da banca, ficando esta última e os contribuintes penalizados pelo esquema. O vídeo do Expresso foi, felizmente, de encontro à solução proposta para combater o “lixo” que pulula nos bancos apresentada ontem pelo Primeiro-Ministro: a criação de um banco mau que absorva todos activos que sejam considerados tóxicos da banca portuguesa. Não sou nem posso ser de acordo com uma solução deste género para aliviar todos os males da banca portuguesa, males por vezes surgidos do desejo de fazer gerar lucros de um frame imagético onde se pode apenas ver um caixote de lixo, podre e sebento.

Não sou nem posso ser de acordo com a solução de espetar a lixeira dos bancos portugueses, criada pela ganância de criar mais, de inventar lucros, em veículos detidos pelo estado que no futuro obviamente irão gerar mais despesa e consequentemente prejuízo para o Estado, emissão de dívida e por conseguinte prejuízo para os contribuintes portugueses. Não sou de acordo pela razão mais simples, inteligível a qualquer um: a supervisão feita à actividade da banca terá que ser mais efectiva e rigorosa. As entidades reguladores tem que ser revestidas de leis que lhes permitam obter informação mais séria, avalizadora, e de uma golden share que lhes permita permitir ou vetar a realização de qualquer negócio praticado por um banco que seja capaz de gerar exposições a terceiros ou imparidades difíceis de resolver num futuro a curto e médio prazo. A legislação que rege a actividade comercial da banca terá que ser revista e mais rigorosa. A fuga de capitais para sociedades offshore tem que ser restringida pela lei, existindo mecanismos na Autoridade Tributária para prever a acção de todos os que o fazem. A Banca não poderá continuar a escudar-se na ideia de que existe um Estado sempre apto a resolver os problemas assim como o Estado não deve continuar a insistir na ideia de que os problemas da banca terão que ser resolvidos com em acções de re(solução) e não em comportamentos e acções de prevenção.

Não acredito na ideia de Costa. Não acredito que a criação de um banco mau seja per se a resolução de todos os problemas da banca portuguesa. Não acredito pura e simplesmente no natural comportamento a-moral de toda a banca portuguesa. Se o governo eventualmente avançar para a proposta enunciada pelo Primeiro-Ministro estarei certo que a-moralidade dos principais banqueiros portugueses voltará ao de cima. Estou certo que voltarão a conceder financiamento de índole duvidosa. Estou certo que continuarão a compactuar com todos os esquemas de lavagem de dinheiro. Estou certo que continuarão a tentar gerar lucros de uma pedra. Estou certo que a ganância voltará a triunfar e que o Estado (leia-se: os contribuintes) serão no futuro novamente chamados a pagar as contas daquilo que não consumiram.

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