Museu do Douro no 20º aniversário

Quem diria?! Estão já passados vinte anos sobre a publicação da Lei nº 125/97 – 2 de dezembro, que cria o Museu do Douro.

Não era expectável, mas foi-me dirigido um ofício da Fundação Museu do Douro a informar que o Conselho Consultivo havia aprovado por unanimidade uma proposta do Conselho Diretivo para me atribuir o título de Membro Honorário da Fundação Museu do Douro, F. P.

Consciente e convictamente, dirigi um e-mail ao presidente do Conselho Diretivo do seguinte teor:

«Recebi o V/ ofício de 13 de outubro pp, cujo conteúdo, numa primeira leitura, me causou surpresa. Não me ocorria o convite que me formula no último parágrafo. Afinal, o meu trabalho enquanto Deputado à Assembleia da República não deve merecer outro reconhecimento que não seja o sentimento do dever cumprido.

Uma velha aspiração da região

O Museu do Douro era uma aspiração da região, que “O Mestre de Nós Todos” – João de Araújo Correia – soube traduzir melhor que ninguém, que o Eng. Mesquita Montes lembrava em diversos momentos e que nós, eu próprio e Eurico Figueiredo, soubemos incluir na Proposta de Intervenção Integrada no Douro, como uma das suas medidas. Afinal, com a apresentação do Projeto de Lei nº 287/VII-2 – Criação do Museu da Região do Douro, só foi dada sequência ao compromisso assumido perante os nossos concidadãos, convicto de que estava a contribuir para criar um equipamento cultural potenciador do desenvolvimento da nossa terra. Estou convicto que o Museu do Douro tem vindo a cumprir os objetivos que, então, presidiram à apresentação dos dois Projetos de Lei e à Lei nº 125/97, de 2 de dezembro, que deles resultou e o criou.

Grato

Da minha parte e porque teve V. Excia a gentileza de me dar conhecimento da honra que me foi conferida pelo Conselho Consultivo, dir-lhe-ei que, apesar da convicção de que não há motivo especial para tal distinção e de que estou ciente de que outros também deram um contributo fundamental para a realidade que o Museu do Douro hoje é, me sinto muito honrado por me ter sido atribuído o título de Membro Honorário da Fundação Museu do Douro. Agradeço transmita aos membros do Conselho Consultivo da Fundação Museu do Douro este meu sentimento de gratidão.

Informo, em sequência, que estarei presente na cerimónia comemorativa do vigésimo aniversário de publicação da Lei acima referida.»

Lembranças e…

E ocorreram-me uma série de episódios. De um Ministro da Cultura que tentou fazer veto de gaveta a uma Lei da República; de uma Diretora do Instituto Português de Museus ter deixado sair para um jornal que uma lei da Assembleia da República podia não se cumprir; de uma reunião do Grupo Parlamentar em que informei o Presidente que confrontaria nessa mesma reunião o Ministro da Cultura com o impasse que se verificava com a Lei acima referida e que pediria a sua demissão se as suas respostas não fossem convincentes e de acordo com as exigências e prazos da mesma Lei (ele reconheceu a justeza dos meus argumentos); de uma Comissão Instaladora que conseguira encontrar uma boa proposta para que a Lei pudesse ser regulamentada e implementada sem problemas; enfim, de um tempo em que fui voluntário junto da Estrutura de Missão, ou que, mais tarde, ajudei a encontrar a forma de gestão que, com alguns ajustamentos do tempo da troika, ainda vigora. Poderei, pois, participar na comemoração do 20º aniversário do Museu do Douro, no próximo dia 2.

Esquecimentos 

Mas também me ocorreu que, a haver outros nomes a integrar a lista de Fundadores Honorários, como é o caso do Deputado Lino de Carvalho, o nome do seu primeiro Diretor, Encarregado de Missão que fez avançar a criação do Museu, membro da Comissão Instaladora, que desbravou terreno para que os governantes percebessem a importância deste equipamento cultural para a região do Douro, estudioso e profundo conhecedor da História duriense, o Professor Doutor Gaspar Martins Pereira fosse um deles. Tal não acontece. Lamento profundamente. Porque, sempre que foi necessário um esclarecimento, um dado científico, um argumento para fazer avançar o processo, ele esteve sempre disponível e disse presente, sem outra recompensa que não fosse o gosto em ajudar. Merecia, como todos os outros, o título de Membro Honorário da Fundação Museu do Douro, F. P.

 

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