Mentir tornou-se escola no PSD

lajes

Eu estive lá. Creio até ter sido uma das últimas que inaugurou durante o seu mandato e só lamento o facto de ele, Passos Coelho, não ter alvitrado nada, na altura, sobre as péssimas condições em que se encontra o troço da estrada de Coimbra até ali e dali para Coimbra, troço que já merecia também uma recomposição, decerto mais rápida que a morosa construção da ponte que acabava de inaugurar e que tinha nos últimos anos, obrigado centenas de automobilistas a terem que se servir de uma faixa de rodagem dividida em 2 para a passar. Não é por nada: naquela estrada, em especial, a partir daquele ponto até à saída para Souselas, não existe semana em que lá não fique alguém. É de facto uma ponte com história e com um profundo sabor a mentira. Mais uma. Sem pestanejar, com a habitual pose de seriedade que tantos portugueses conquistou no passado. Nada de novo no que concerne ao novo fantoche político da oposição, um homem cada vez mais só se considerarmos que qualquer assessor de imprensa, por mais banais que sejam os seus skills profissionais, teria dito ao patrão que mais valia ficar calado. Sim, calado. Uma das vantagens da internet e da globalização é que a memória neste momento está à distância de uma pesquisa num motor de buscar. Até os estagnados que vivem na mais profunda das memórias selectivas facilmente dão com a coisa num alternativo Bing.

Não é dele que venho falar mas sim de outro antigo primeiro-ministro do PSD.

Durão Barroso é outro daqueles que pertence ao grupo dos políticos que estão fadados para não puxar muito pela carroça e para marcarem a sua passagem pelo éter político com uma abismal tendência estúpida para o erro. Barroso é provavelmente o político português a quem o verbo é difícil, redundando sempre no erro sempre que o utiliza. O erro pelo verbo é portanto uma vertigem, um chamamento, um carimbo, uma imagem de marca para o antigo primeiro-ministro e Presidente da Comissão Europeia.

O antigo primeiro-ministro decidiu, sabe-se-lá porquê, com o assunto totalmente morto e enterrado, relembrar a majestosa Cimeira das Lajes, cimeira na qual os Estados Unidos da América e os seus compinchas de então decidiram passar tábua rasa pelos poderes do Conselho de Segurança da ONU e decidir a favor da invasão ao Iraque, para, 13 anos depois, sem qualquer toque de classe, sem chá, passar o ónus da responsabilidade da realização da Cimeira para o então Presidente da República Jorge Sampaio afirmando que o presidente sabia e tinha concordado com a realização da cimeira. Nunca tomei Jorge Sampaio como mentiroso ou como uma pessoa capaz de concordar com semelhante acto. Um cidadão correcto como é e sempre o foi o antigo presidente da república jamais seria capaz de passar tábua rasa pelas instituições do Direito Internacional e patrocinar a realização desse tipo de acontecimentos. Contudo, a mentira toma proporções descaradas quando reflectimos que o Presidente da República não tem competências na Constituição para autorizar ou vetar actos de política externa do género. O que não implica que eticamente não possa ter uma posição sobre o assunto. A resposta do Presidente da República foi como se esperava, devolvendo a Barroso o que é efectivamente de Barroso na sua resposta, tornada pública na edição de ontem (sábado) pelo Jornal Público:

Sobre a Cimeira em si, e o processo que levou à sua realização nas Lajes – e não em Washington, Londres, Barbados e Bermudas, como terá sido ventilado -, a verdade é que a literatura internacional lhe dá pouca ou nenhuma importância e não tendo eu tido conhecimento dos preparativos, pouco posso dizer”, continua Sampaio, recordando um telefonema de Durão Barroso, no dia 14 de março, pedindo uma reunião de urgência: “Para minha estupefação, tratava-se de me informar que havia sido consultado sobre a realização de uma cimeira nos Açores, essa mesma que, nesse mesmo dia, a Casa Branca viria a anunciar para 16 de Março, daí a pouco mais de 48 horas… Não é preciso ser-se perito em relações internacionais para se perceber que eventos deste tipo não se organizam num abrir e fechar de olhos; e também não é necessário ser-se constitucionalista, para se perceber que não cabe ao Presidente autorizar ou deixar de autorizar atos de política externa”.

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