A memória curta de Godinho Lopes

Godinho Lopes

Há quem não tenha memória curta ou selectiva e se lembre de tudo o que aconteceu.

Há quem se lembre do miserável 7º lugar, pior classificação de sempre da história do clube na Liga numa temporada que nos envergonhou colectivamente, que nos tornou “bombo” dos gozos dos adeptos dos nossos rivais e que nos afastou pela primeira vez na nossa história das competições europeias!

Há quem se lembre das contratações de Alberto Rodrigues, Jeffren Suarez e Luis Aguiar, contratações realizadas sem a normal realização de testes médicos. Só estes três jogadores custaram 5 milhões de euros aos cofres do Sporting (com recurso a crédito) mais os respectivos salários que foram pagos durante os vínculos contratuais, para, literalmente, não jogar.

Há quem se lembre do vergonhoso contrato assinado com Labyad, no qual, na 2ª temporada, o salário deste seria aumentado para os 2 milhões líquidos por temporada mais as respectivas contribuições e impostos. De Labyad, pouco ou nada vimos, de proveito, até ao dia de hoje, exceptuando mesmo o empréstimo ao Vitesse na temporada transacta, empréstimo que permitiu ao Sporting poupar uns largos cobres.

Há também quem se lembre das luvas que foram pagas ao pai de Labyad para servir de olheiro fantasma do clube. Nenhum relatório deste chegaria a Alvalade.

Há quem se lembre do contrato-promessa assinado com Bruma, contrato que haveria de mais tarde ajudar à sua saída de Alvalade. Há quem também se lembre da cláusula contratual que fez rumar Eric Dier para o Tottenham ao preço da uva mijona.

Há quem se lembre dos valores despendidos nas contratações e respectivos salários de Elias, de Bouhlarouz, de Pranjic, de Oneywu, em suma, dos piores jogadores que alguma vez vi pisar os relvados de Alvalade em 29 anos de sportinguismo. Pior só mesmo as negociatas que o mítico Carlos Janela, também ele associado a Godinho Lopes no mandato citado, realizou nos anos 90 para o clube de Alvalade, quando por exemplo trouxe grandes promessas fantasma como foram os casos de Missé-Missé, Carlos Miguel, Nené ou Vinícius.

Há quem se lembre da venda à pressa (à pressão, se assim quisermos) do sucessivamente alienado Ricky Van Wolswinkel (que Deus o mantenha bem longe de Alvalade) ao Norwich para garantir imediatamente, a pronto, meia dúzia de tostões para pagar os salários do plantel e dos funcionários, na altura, devendo o clube os últimos 4 meses.

Há quem se lembre que durante o seu mandato, o Sporting estava a pagar salários a 4 treinadores.

Há quem se lembre que o belga Franky Vercauteren foi um treinador contratado a prazo, enquanto Jesualdo não se desvinculasse contratualmente do Panathinaikos porque à época tinha créditos a vencer junto do clube grego. Quando Jesualdo finalmente se conseguiu desvincular, um mês depois, Vercauteren recebeu literalmente um pontapé no rabo, ficando o Sporting encarregue de lhe pagar o contrato.

Há quem se lembre do miserável caso Cardinal. Há quem se lembre que durante o mandato de Godinho Lopes, o seu vice Paulo Pereira Cristóvão tinha um sistema de inteligência que tinha como missão vigiar durante 24 horas a vida dos jogadores.

Há quem se lembre do estado vergonhoso em que estavam as contas do Sporting e da sua SAD no final da temporada 2012\2013 com um passivo que tinha passado dos 220 milhões de euros para os 256 milhões, não obstante as vendas de Ricky e Matías Fernandez (16,5 milhões de euros). A dívida financeira do clube à época, contraída a meias entre Bettencourt e Godinho Lopes, era de 41,1 milhões de euros.

Há quem se lembre que em 2012, aquando das renovações de Adrien e Rui Patrício, o Sporting assinou com a Gestifute de Jorge Mendes contratos viciados nos quais o Sporting ficaria sempre a perder. Hoje, um desses jogadores, é um dos maiores activos do plantel do Sporting, podendo render em caso de transferências quase o dobro do que renderia se a Gestifute lhe arranjasse colocação…

Há quem se lembre das múltiplas alienações de direitos económicos de jogadores aos fundos, operações que foram detectadas pela auditoria requerida pela actual direcção.  A recuperação das percentagens (dos direitos económicos) alienadas desses mesmos jogadores, caso de William Carvalho, por exemplo, haveriam de ter custos acrescidos para a actual direcção.

Ainda existe quem se lembre que um dia, os corredores de acesso aos balneários do Sporting estavam cravejados de imagens de elementos proto-fascistas das claques bem como de imagens que incitavam à violência.

Agora, diga-me você engenheiro:

Perante este amontado de factos, repito, factos, não foi você quem construiu a sua péssima reputação? Não teria sido um grande gesto de humildade ter vindo a público pedir desculpa a todos os sportinguistas por um mandato que em que quase conseguir acabar com o Sporting? Como é que continua a viver de consciência tranquila depois do que fez? Como é que continua a afirmar-se sportinguista se você quase matou com o clube que presumivelmente gosta?

Como é que perante todos estes factos ainda defende que não cometeu qualquer acto de gestão danosa? Como é que ainda tem a coragem de ir para os tribunais reclamar o quer que seja contra os actuais dirigentes do Sporting Clube de Portugal por terem denunciado o que uma auditoria independente feita às contas do clube confirmou?

Gosto(37)Não Gosto(0)