O medo de perder o lugar

Luaty BeirãoEste é apenas um dos argumentos, a par da megalomania, do Ego desmesurado, do Complexo de Deus e de outros que se poderiam usar, que justificam que alguém se perpetue no Poder. Isso e o Amor ao dinheiro, à influência, a cleptocracia e tudo o que lhe está associado levam a que pessoas que pensam de maneira diferente ou que querem construir uma Nação diferente sejam considerados subversivas e sejam punidas.

A condenação dos 17 activistas de entre os quais se destaca Luaty Beirão é no mínimo um atentado à moral e à decência e faz-nos questionar muita coisa. Por exemplo: onde anda o Tribunal Internacional dos Direitos do Homem? Num caso flagrante destes ninguém actua? Como pode um País que se diz Democrático agir como Comunista? Que o é, todos sabemos e acho que ninguém tem dúvidas mas porque não assume e tenta fazer-se passar, aos olhos da Comunidade Internacional por outra coisa?

Em Portugal há, como sempre, dois pesos e duas medidas em relação a este caso. Por um lado, uma ingerência por Partidos que na anterior Legislatura se fartaram de bradar e agora que estão no Poder e podem fazer a diferença reagem calmamente e com dias de atraso, pelo próprio Governo visto que Luaty é luso-angolano mas com o sentido diplomático “de quem observa mas para já não intervém”, pelos próprios cidadãos que gostam de dizer aos outros como se vive e por outro uma subserviência atroz fruto de um complexo de culpa que ambos exploram. Por cá abrem-se portas, oferecem-se nacionalidades e lá usa-se e abusa-se da influência que esse mesmo complexo provoca para se arrancarem vantagens competitivas. Tudo isto fruto de uma descolonização mal feita, ou bem feita e que permitiu os actuais interesses instalados e a sua manutenção.

Diplomacia e Politica à parte, estamos a falar de Seres Humanos que estão presos porque querem ser livres. Quanta ironia e quanta hipocrisia. Segundo a Procuradora: “Ficou provado, porém que os debates que realizavam serviam para planear e concretizar atos de rebelião. “Não há qualquer dúvida que os arguidos estavam a preparar atos de rebelião porque os mesmos não pretendiam apenas ler um livro [‘Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura Filosofia Política da Libertação para Angola’, de Domingos da Cruz]. Os arguidos queriam aprender como destituir o poder”, afirmou Isabel Fançony Nicolau“, significa isto que não podem haver Clubes do Livro ou outra qualquer forma de entretenimento. As pessoas têm que ser incultas, quanto mais não seja porque assim são mais facilmente controladas pelo Poder instituído. É claro que ninguém acredita que fossem totalmente inocentes mas daí a serem encarcerados pela máquina que não admite ver o seu Poder beliscado vai uma grande distância.

Estamos em pleno século XXI numa economia globalizada que quanto mais livre parece mais condicionada está e visto que estamos a falar de Angola que tem no seu território algumas das maiores empresas portuguesas e um considerável número de portugueses a trabalhar e que cá não encontravam colocação, a grande maioria pelo menos, temos mais é que estar caladinhos para não os chatear muito não venha o sr. Presidente com outra ameaça igual à que nos fez quando na anterior Legislatura se quis mexer nas subvenções vitalícias e o papá Soares não gostou.

E assim vai o Mundo de subversão em subversão até que alguém se chateie e vire a mesa. As manifestações por estes jovens continuam, pelo menos por cá mas não me parece que venham a conseguir ter muito eco. A resposta para isto está onde estão todas as outras na responsabilização dos Centros de Poder pois só assim podemos alguma vez deixar de nos sentir humilhados por aqueles que supostamente são os melhores para nos guiarem e governarem.

Luisa Vaz

(A autora não usa o Acordo Ortográfico)

 

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