Ironias e Mentiras

Em plena fase final da investigação da “Operação Marquês”, em que o ex primeiro ministro José Sócrates é  suspeito de crimes diversos, eis que por ironia do destino o maior responsável por Sócrates ter sido primeiro ministro , com todas as desgraças para Portugal que isso acarretou,resolve publicar o segundo volume das suas memórias.

Jorge Sampaio. Ele mesmo!

Que ironia.

Que ainda aumenta se nos lembrarmos como a esquerda, políticos e comentadores, reagiram à publicação das memórias de Cavaco Silva, em que o ex presidente conta muitas das suas reuniões de trabalho com Sócrates, e as criticas que lhe foram feitas por causa disso.

Afinal…afinal Sampaio um dos gurus dessa esquerda fez exactamente o mesmo.

Ironia maior só mesmo a de um político banal, cinzentão e limitado de que a História não recordará uma frase, uma proposta, uma ideia ou um projecto conseguir ter um segundo volume da sua biografia(e este com 1067 páginas !!!) quando em bom rigor um livrito de 100 páginas seria mais que suficiente para traçar a sua banalissima biografia política.

Realmente há ironias inexplicáveis.

Sampaio fica para a História não por ter sido um bom Presidente da República, foi o pior da democracia até agora, mas sim por ter sido o único que levou a sua fidelidade ao seu partido (PS) ao ponto de usar um conjunto romanceado de episódios irrelevantes para dissolver um Parlamento onde uma maioria coesa sustentava um governo democraticamente eleito.

E assim abrindo a porta a uma maioria absoluta do PS e de Sócrates que levaram o país à bancarrota e obrigaram a ajuda financeira externa.

Mas disso não fala Sampaio.

Prefere lamentar o facto de por ter cumprido a obrigação constitucional de dar posse ao governo de Santana Lopes ter perdido uma amizade ( a desse sinistro personagem chamado Ferro Rodrigues ) que demorou anos a recuperar como se isso tivesse alguma coisa a ver com as funções de Estado que infelizmente lhe estavam cometidas.

É seguramente um livro de mentiras.

Mentiras com as quais um político sem dimensão nem categoria tenta justificar uma decisão inaceitável e inconcebível ,como foi a de demitir um governo legítimo e com apoio parlamentar estável e coeso , apenas porque entendia chegada a hora de tentar por o seu partido outra vez no governo uma vez afastado Ferro Rodrigues e eleito José Sócrates para a liderança do PS.

Mentiras.

A maior das quais é seguramente a afirmação de que a maioria existente no Parlamento, e que apoiava o governo, “estava a desconjuntar-se” (sic)!

Mentira.

Completamente mentira!

A maioria estava sólida e coesa em torno do governo e especialmente no apoio ao primeiro-ministro como foi bem evidente para quem viveu esses tempos conturbados por dentro.

Sampaio, antes deste livro e da tosca tentativa de justificar o injustificável, já era o pior Presidente da República da história do Portugal democrático.

Depois deste livro confirma-se que o cidadão Sampaio não é melhor que o político Sampaio.

Um e outro são muito fracos nas convicções, nos princípios e no entendimento do que é o Estado.

 P.S : Soube hoje que, e muito bem, Pedro Santana Lopes desafiou Jorge Sampaio para um debate televisivo sobre o conteúdo do livro.

Quem não deve não teme!

Espera-se agora que Sampaio não junte a cobardia a outros defeitos que lhe são conhecidos.

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