Hoje regresso ao PSD para ajudar na sua “refundação”

Após 25 anos de militância no PSD tomei a decisão, no dia 19 de Setembro de 2016, de me desfiliar do Partido Social Democrata.

Ao longo destes longos anos desempenhei funções partidárias ao nível concelhio, distrital e nacional na JSD e no PPD/PSD, tendo sido mesmo eleito, em 2002, Militante Honorário em Congresso Nacional da JSD.

Tenho um profundo orgulho em ser social-democrata. Uma social-democracia que teve a sua génese em Eduard Bernstein e Willy Brandt e seguidores como Helmut Schmidt, Olof Palme e Francisco Sá Carneiro.

O PPD/PSD foi durante muitos anos um partido do centro que defendia o estado social assente em três pilares basilares, a saúde, a educação e a segurança social. E que estes pilares deveriam ser assegurados pelo Estado.

Esta é a social-democracia em que acredito, que defendo e continuarei a defender para o meu País.

Nos últimos anos o PPD/PSD afastou-se destes princípios ideológicos que estiveram na génese da sua fundação. Progressivamente assistimos a uma deriva neo-liberal.

O calendário político da actual direcção política do PSD parou na noite do dia 4 de Outubro de 2015. O resultado disso mesmo foi a hecatombe eleitoral que o PSD sofreu esta noite. O pior resultado alguma vez alcançado em eleições autárquicas, nunca esquecendo que o PSD teve durante muitos anos a sua base no poder local.

O PSD ficou abaixo dos 20% em Lisboa, Porto, Oeiras, Gaia, Gondomar, Matosinhos, Amadora, Vila Franca de Xira, entre muitas outras importantes cidades, sendo que na Invicta Álvaro Almeida ficou-se pelos 10,39%, elegendo um vereador e na capital Teresa Leal Coelho ficou mesmo atrás de Assunção Cristas, com quase metade dos votos do CDS, obtendo apenas  11,23% dos votos.

No Porto, o meu distrito, o PSD perdeu as Câmaras de Felgueiras, Paredes e Marco de Canaveses para o PS, liderando agora apenas 4 autarquias num total de 18 Municípios.

Estes resultados configuram o terramoto político com tsunami, conforme escrevi, na passada sexta-feira, no Blogue Insónias.

O PSD perde em toda a linha, nos grandes centros urbanos, onde se concentram a maioria dos eleitores.

Nos últimos meses muitos foram os amigos e as pessoas anónimas que me sensibilizaram para a importância de voltar ao Partido Social Democrata. Desde os mais relevantes militantes, alguns ex-presidentes do PSD, até aos mais humildes simpatizantes do Partido. Todos escutei com muita atenção as suas amáveis palavras e os seus argumentos.

Nesta altura, talvez o momento mais difícil que o PSD está a viver, desde 6 de Maio de 1974, sinto a obrigação cívica e moral de regressar ao PPD/PSD para contribuir para a sua “refundação”.

Por isso, hoje mesmo, tomei a decisão de voltar a filiar-me no Partido Social Democrata.

Escolhi como meu proponente o António Tavares, actual Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto. E não o escolhi por mero acaso. É uma das poucas reservas morais que restam ao PSD no distrito do Porto. Um genuíno e verdadeiro social-democrata. Um militante que muito tem para dar ao PSD, no Distrito do Porto, mas também ao País.

Os resultados são os que conhecemos. Não vale a pena perder mais tempo a chover no molhado. Agora é tempo de olhar para o futuro, um futuro que não podemos deixar fugir. É o tempo de repensar tudo de novo olhando e pensando sobretudo no futuro do País.

Regresso ao PSD para continuar a defender as propostas que apresentei ao longo dos últimos anos com o objectivo da modernização do Partido e da sua organização. Um PSD aberto ao debate, à sociedade e a uma nova realidade política, social e tecnológica. Um partido mais próximo dos seus militantes, mais transparente e mais abrangente. Mas regresso também na continuação da defesa da transparência, pela separação entre a política e os negócios e pela moralização da vida política e pública.

E tudo isto com uma garantia, que continuarei a pensar sempre pela minha cabeça.

Não regresso contra ninguém, regresso pelo amor ao meu País que precisa, mais do que nunca, de um PSD forte, muito mais forte!

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