Fundos Comunitários

500268

Numa análise rigorosa à concessão de fundos comunitários, desde o início do ano, verificam-se assimetrias regionais preocupantes. A região norte e centro absorvem mais de 70% dos recursos comunitários, ficando uma pequeníssima parte disponível para projectos, noutras regiões desfavorecidas como o Alentejo. Mesmo a própria taxa de execução regista desigualdades semelhantes, com Lisboa e Alentejo a rondar os 9% e 6% respectivamente, enquanto o norte e centro atingem valores na casa dos 12%. A indústria transformadora absorve mais de 1/3 do total das verbas comunitárias, o que acaba por retirar espaço de investimento noutros sectores de actividade em expansão e altamente intensivos em mão de obra, como o turismo, o comércio e os serviços. Igualmente preocupante é a ausência e os atrasos ocorridos na execução dos fundos associados a investimentos em investigação e desenvolvimento, o que também evidenciam o baixo valor acrescentado dos bens produzidos pelo nosso tecido produtivo, uma vez que uma componente relevante dos fundos dirigem-se para empresas com produções de bens de baixa intensidade tecnológica, sobretudo na indústria transformadora. Por último, a taxa de execução dos fundos comunitários no interior é bastante inferior ao que se regista na região litoral, contribuindo para agravar as assimetrias regionais já existentes.

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