“Estamos sem festa e sem dinheiro”

O adágio popular é, impreterivelmente, repetido no final das festas. Sabedoria popular, dir-se-á. O dinheiro das jeiras podia não ser muito, mas sempre se arranjavam uns escudos para um bolo de carne – a salgadeira, quando a havia, ajudava -, para um bolo mulato e mais alguma coisa que desse ares da sua graça. Depois do arraial, é frase comum por estes lados.

Estamos sem festa e sem dinheiro, já a ouvi hoje pela manhã. E na volta que já fiz a pé para desintoxicar, ocorreu-me um novo motivo a que esta expressão dá sentido no presente ano, na aldeia que me viu nascer. A mancha negra que persiste pelo termo desta terra duriense faz saltar à memória as consequências do incêndio florestal de há um mês atrás.

Estamos, nas vindimas que se iniciam por estes dias, este ano, três semanas antes do que vem sendo habitual, com perspetivas de menos dinheiro do que resulte da produção de vinho e azeite nas nossas vinhas e olivais. Muitas videiras ficaram com as folhas tisnadas, outras, em bardos contínuos, ficaram sem uvas para este e para os próximos anos.

A Declaração de Calamidade por parte do Governo retirou à nossa Festa um pouco do que é algo da sua essência, o fogo de artifício. Foi seguido à risca pela Comissão de Festas. A generalidade das pessoas, que gostam muito do fogo no final da procissão, quando chega à capela de Santa Bárbara, lá bem no cimo do monte, assim como no arraial, manifestou, de forma generalizada compreensão por esta medida restritiva, mas preventiva face a possíveis ocorrências similares à do dia 19 de julho. Foi aceite o conteúdo do Despacho «Reconhecem a necessidade de Declaração de situação de calamidade nos distritos e concelhos com índice de risco elevado ou extremo de incêndio, a partir das 14 horas de 18 de agosto e até às 24 horas de 21 de agosto, nomeadamente os concelhos dos distritos de (…) Vila Real».

Constou-me que caçadores não respeitaram o conteúdo do Despacho. Pergunto, assim, o que fez a GNR, em alerta máximo?…

Um pouco do “Vitis” para reconstituir vinhas queimadas

Para minimizar o teor do adágio popular, no que respeita às consequências do incêndio nas vinhas, em todas, alguém me sugeriu que propusesse que uma pequena parte do Programa “Vitis” fosse afeto à reconstituição das vinhas atingidas pelo incêndio. Afinal, Alijó não foi objeto de visitas do Sr. Presidente da República. Mas Santa Eugénia, talvez também outras freguesias da Região Demarcada do Douro, ficaram com milheiros de videiras queimadas pelo calor das chamas. Não se pede muito. Mas a Direção Regional de Agricultura, ou o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, se os seus dirigentes conhecerem, e conhecem, o Douro, visitarem estas vinhas, facilmente fundamentarão esta minha proposta. Que não é minha, mas de viticultores da região, alguns, de mão calejada.

Aqui fica, num local apropriado, porque os prejuízos já causaram muitas insónias. Mas que transmiti a Deputados eleitos pelo círculo de Vila Real, apelando ao conhecimento que têm da região do Douro e à representação das suas gentes, cujo mandato receberam pelo voto democrático. Para que mesmo sem festa, as pessoas não fiquem sem a possibilidade de reconstituir as vinhas queimadas para poderem continuar a produzir nos próximos anos.

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