A educação não vale mais do que a cultura

Ao que me parece, os portugueses não deixaram que o desejo de igualdade derrubasse a beleza e o espírito.  Mesmo sendo um país com preocupações sociais, não descuidou da arte, tampouco a usou para uma revolução cultural que gosta de jogar tudo fora.

Portanto, não sei se os portugueses terão afetividade hepática com a tal questão das escolas e da cultura,  advertida pelo título.  Espero que sim.

Toda pessoa é uma comunhão ou uma desarmonia das músicas que ouviu, dos livros que leu, dos livros que não leu, das pessoas de diferentes geografias, da própria geografia à cata das horas; e não a soma dos anos letivos com suas agruras, as neuroses dos professores e o sofrimento dos outros alunos, expostos ao charlatanismo mais cruel – o acadêmico. Só são assim os alunos que tenham ficado doentes. E pode ser que sim. Pode ser que tenham entrado precisando do básico e saíram precisando de tudo. Só são assim os que caíram na teia, do contrário, se saíram saudáveis, saem como entraram, só que mais aborrecidos.

Nas escolas, os ratos, vestidos de roxo, marcham, com o ego carente, a cabeça mole e a ignorância dos prisioneiros, por cima daqueles que se aproximaram sem o desejo de os bajular.  São o Lear sem Cordélia, mas com urubus muitos, tantos quantos puder – urubus como renda sem imposto.

E estão lá, nas nossas fuças, justificando seus empregos ao dizerem que sabem o que é a  educação… e mais grave, dizendo-se educadores, na mais franca das demagogias.

Nunca leram Quintiliano, nunca educaram ninguém, mas se põem a tramar, com os pedagogos e os politicoídes, uma nova farsa que perpetuará a eterna mentira: de que é preciso ser educado para ser culto e esconder que é a cultura que educa.

Esses parasitas de sonhos são sugadores de tempo, pagos por uma sociedade zonza, que repete, nocauteada, a palavra educação como a um mantra sem princípio.

São apodrecidas cascas sem ovos, cérebros vazios de consciência, de disposição e de vergonha na cara, que vendem seus peixes a preço de ouro ou gato por lebre no mercado das almas.

Assim, as escolas emburrecem em série e com pedigree.

Enquanto isso, moram, no trono da cultura, os impostores, infiltrados pela academia nos cafés, nas prateleiras, nas exposições, nas praças e nos cursos básicos.

Ao menos no Brasil, não há educação. Só há os imortais, coçando-se  pela frente e se odiando pelas costas, de faca nos dentes e vaidade en garde, bem longe das ideias, assombrando todas as pontes que pudessem levar ao conhecimento.

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