Donald Trump: a hiper-realidade de um louco

Eu já vi de tudo nesta vida.

São 47 anos que passaram à velocidade da luz, agora, visto assim.

Vi muros caírem, vi revoluções sem sangue derramado, vi a CEE, vi a Perestroika, vi os Stones, vi velhos ditadores morrerem, vi tsunamis – coisa que, até então, só em filmes e, foi a partir daí que comecei a acreditar que tudo é possível -, vi Mandela livre, vi Steve Jobs inventar-nos, vi, até, Portugal ser campeã da Europa, em futebol.

Mas, nunca esperei ver o que tenho visto, nestes primeiros dias do ano novo.

Confesso, tenho tido uma vida com mundo, uma vida cheia, pessoas, viagens, aprendizagem, desafios e confrontos, mas nunca tinha visto nada como agora, apesar de acreditar que o impossível é possível.

O 45º presidente dos Estados Unidos da América é um psicopata.

Donald Trump é um psicopata.

Pior, é que não há registos de um único psicopata que não seja perigoso.

Quando tomou posse, no dia 20 do mês passado, também eu pensei exactamente isso que o(a) leitor(a) também terá pensado;

Ele ia mudar a tónica do discurso de campanha, assumir-se como estadista, preparado para ser líder do gigante.

Se ainda assim não fosse, manda a lógica, ele ia reunir-se de pessoas com essa linhagem.

Não fez nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário.

Não gosto de Donald Trump.

Sempre gostei dos Estados Unidos da América.

O mundo discute uma questão séria, a construção do muro mas,  é exactamente isso que Donald Trump quer;

que alimentem a fogueira, que não parem de falar sobre ele.

Donald Trump mostra tudo, o lado mais abjecto, mais desprezível, mais inqualificável do ser humano mas, também mostra a assinatura dos decretos pré-modernos, os telefonemas mais repugnantes, as imagens mais inqualificáveis, mostra tudo, e publica tweet´s tão rapidamente quanto assina ordens surreais, e mostra as ameaças, e trata mal os jornalistas, tudo quase sempre em directo, porque Donald Trump quer que se fale nele.

Revela a sua profunda estupidez, de quem vive dentro do seu próprio mundo, sem a noção de como o mundo gira.

Donald Trump não precisava de mostrar tudo, basta existir, para que se saiba que há o mundo e o mundo de Donald Trump, o louco perigoso.

Não é o muro, que isso um qualquer construtor civil, como Donald Trump, constrói em meia dúzia de dias, é o México, é o Irão, é a China, é a Austrália, é o Brasil,  é a Europa, é a América, sim, a América.

É até o diplomata norueguês, detido no aeroporto, porque há uns anos realizou uma visita de trabalho ao Irão.

É o mundo que pode entrar numa guerra mundial declarada, muito em breve, e isso assusta-me imenso.

Donald Trump não precisa accionar os códigos da bomba “A”.

Donald Trump é, ele próprio, uma bomba, com impacto global.

E, o mundo não está a perceber que um presidente não passa de um homem, um homem vulgar.

E, o mundo está a responder-lhe, e não devia, devia esperar para ver.

O México é ameaçado com a tropa, e com o muro, o Irão com o rasgar dos acordos e com sombra da ameaça, a China com as ilhas artificiais, a Austrália com a má-educação reles, o Brasil com a proibição de entrada de cidadãos – top do surreal é a medida que impede quem saiu de voltar, ao alcance de um louco muito mais perigoso que Adolf Hitler, olha e trata a Europa com o desdém e a ameaça, sempre a ameaça, como os putos parvos, e a América, a grande América, à beira do desmoronamento, porque não ficará pedra-sobre-pedra, que Donald Trump é um construtor civil com experiência comprovada.

Donald Trump é a mesma besta que proibie os brasileiros de entrarem nos EUA, mas que quis construir uma Trump Tower no Rio de Janeiro, só que eles não autorizaram.

Não há almoços grátis, cavalheiros.

Nem dentro do próprio partido de Donald Trump.

Ele quer lá saber do aquecimento global, embora, quando em campanha, tenha dito que o planeta precisava de um “aquecimento global”, o que revela a redundância dos seus cabelos amarelo-laranja.

Está a aquecer.

Donald Trump é bom a construir prédios e muros.

Mas, é imensamente melhor a destruir valores, acordos, laços, entendimentos, a destruir o pouco que resta.

Imensamente melhor a destruir, porque há loucos assim.

O ISIS chega a dizer que está satisfeito, quieto, a ver os EUA a implodirem ao toque de Trump. Vai-se se entretendo, o ISIS, a atacar a Europa, tal como Donald Trump.

A questão é que Donald Trump foi eleito democraticamente.

O problema é que a democracia não conseguiu prever que havia gente assim, no planeta Terra.

Erro monumental.

A História, senhores, a História.

Donald Trump perdeu no voto popular, porque a maioria das pessoas não o queria.

Ganhou no número de delegados ao colégio eleitoral.

Lá, como cá, com as devidas diferenças, ganhou quem perdeu.

É assim a democracia. Tivessem previsto.

A diferença é que Donald Trump perdeu por quase 3 milhões de votos.

Pouco, nos imensos EUA?

Talvez, mas sempre são quase 3 milhões de pessoas.

Há, portanto, que respeitar a democracia, lá, como cá.

A ideia é perceber como é que se pára Donald Trump, o quanto antes, ele que fica na para sempre como o maior derrotado (nas urnas), na história dos EUA.

É o homem mais velho de sempre a tornar-se presidente dos Estados Unidos, e isso também é uma esperança, embora a esperança média de vida dos americanos ronde os 79 anos.

Porque há que respeitar a democracia, o sistema norte-americano é que deve accionar os seus próprios meios para expulsar corpos-estranhos, e Donald Trump é um corpo-estranho.

Tem essa obrigação, ou não se afirmasse, desde que me conheço, “o polícia do mundo, a maior democracia do mundo”, algo que sempre me levantou dúvidas, confesso.

Esgotem-se todas as soluções políticas.

Até porque a história dos presidentes norte-americanos está cheia de atentados, alguns consumados!

E, o Twitter, rede usada pelo presidente, começa a dar sinais.

A não ser que o mundo queira mesmo a tal guerra declarada, o que também não me espantará, afinal, já vi quase tudo!

O muro?

Isso é coisa de construtores civis.

Este “muro” é fruto da imaginação de um louco.

Nero viu Roma a arder.

Donald Trump quer ver o mundo inteiro a arder, o aquecimento global, e já lhe deitou o fogo.

Acredito, com a convicção definida, que ele pensa assim:

“Se tudo ficar destruído, eu reconstruo, afinal sou construtor civil e presidente dos Estados Unidos, e ficarei ainda mais rico”.

A estupidez é infinita.

É que Donald Trump nem sequer acredita que há um mundo fora do mundo dele.

Não, nem eu acredito que alguma vez o Cristiano Ronaldo tenha comprado um apartamento, na Trump Tower, em Nova Iorque.

Só a ideia de se cruzar com Donald Trump no vão da luxuosa escada deve ter deixado Ronaldo em pânico.

Aquilo deve ter sido uma acção de marketing, tal como agora, esta coisa de Donald Trump ser o inquilino da Casa Branca.

Pânico.

Ponto final.

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