Destaques Desportivos da Semana

subcomissario
1 – A estranha defesa do indefensável subcomissário Silva

Ficou célebre na memória colectiva recente do povo português a agressão do subcomissário da PSP Felipe Silva no dia 17 de Maio de 2015 a um adepto do Benfica (à frente dos filhos, menores) no final do jogo que ditou a conquista do 34º título nacional dos encarnados. Em tribunal, o procurador encarregue pelo caso mencionou nos factos de acusação para acusar o agente em causa de crimes de ofensa à integridade física qualificada, falsificação de documentos e denegação da justiça e prevaricação, que o agente da autoridade disferiu bastonadas num cidadão, atingindo-o com um joelho nas costas e com dois socos no rosto, agredindo posteriormente outro cidadão na presença de dois menores. O Ministério Público considerou portanto que o agente usou de forma excessiva os meios coercivos que dispunha “no âmbito dos poderes funcionais que lhe foram legalmente conferidos para o exercício da função policial”.

A defesa do arguido foi incapaz de esboçar melhor argumento que a prova não documentada, nem por imagens nem por nenhuma testemunha de que o incidente tinha sido despoletado por uma cuspidela de uma das crianças no subcomissário, como se esse fosse um motivo minimamente plausível para Filipe Silva descarregar forte e feio nos dois indivíduos e ainda ameaçar os menores. O mesmo argumento já tinha sido utilizado por Filipe Silva no auto da notícia, justificando de forma tosca a sua perda de controle que terá obviamente que ser punida de forma exemplar pela justiça pelo afastamento vitalício daquela função porque não tem estofo moral para a continuar a desempenhar.

O caso em particular suscita-me outras questões que estão relacionadas com a actuação da polícia em casos díspares: extremamente permissivas quanto às claques de futebol, deixando passar todo o tipo de actos, inclusive de claques que não tem a sua situação regularizada perante a lei, desde o confronto físico ao lançamento de petardos dentro e fora dos estádios, por outro lado, manifestam por vezes o uso excessivo da força perante quem não tem forma para se defender, divorciando ainda mais as famílias do futebol por medo e insegurança.

2 – Singapura ataca no futebol português…

Em Vila Real de Santo António, 14 jogadores asiáticos treinam-se no novo projecto de empresários daquele país no Algarve: o Algarve Futebol Clube, clube que ao que tudo indica irá para o ano participar pela primeira vez nas provas oficiais organizadas pela AF de Faro com objectivos bem traçados: subir à primeira Liga dentro de alguns anos. Aditando à imprensa que o clube servirá essencialmente para dar uma oportunidade (europeia) a jovens jogadores asiáticos, os rostos do projecto encabeçados por Marco Guimarães, ex-agente FIFA, acreditam que será possível subir escalões atrás de escalões. Na minha opinião não passa de mais um esquema de lavagem de dinheiro à semelhança de outros projectos futebolísticos do passado, caso do Algarve United, ridículo pelo qual ainda deu uns toques na bola Paul Gascoine por entre uns pints de cerveja.

3 – Aston Villa – a queda de um gigante

aston villa

Os Villains viram hoje consumada a descida ao Championship depois de uma temporada desastrosa na qual o projecto futebolístico do seu proprietário Randy Lerner foi inexistente e sinónimo do estado de abandono a que deixou claramente o clube que já venceu 7 campeonatos ingleses, 5 taças e 1 Taça dos Campeões Europeus em 1982.

Com 16 pontos em 34 jornadas partilhadas no comando técnico entre o antigo internacional inglês Tim Sherwood, o francês Remy Garde (ainda deu alguma energia à equipa quando foi contratado mas rapidamente foi desapoiado pela direcção quando no mercado de inverno não a viu dar-lhe um único target de reforço de plantel que pediu; Loic Remy, Henry Saivet, Wahbi Khazri, Seydou Doumbia) o Aston Villa foi um bombo da festa, estatuto ao qual a Liga Inglesa não está habituada pelo seu enorme historial de competitividade.

 Criticado pelos adeptos, o comportamento do multimilionário Norte-Americano, homem que é ao mesmo tempo proprietário dos Cleveland Browns da NFL e dono de uma abastada fortuna no valor de 1,08 billions de dólares está a abrir os olhos à FA para controlar ainda mais a entrada por parte de investidores nos seus principais clubes. Desde há poucos anos a esta parte, Lerner tem votado o clube a um estado de abandono que só não se deu mais rapidamente no tempo porque o Villa ainda é um clube com muitos adeptos (gerando boas receitas de bilhética quer esteja a ter sucesso desportivo ou não) e ainda consegue a espaços vender bem alguns jogadores. Desde 2009, a equipa de Birmingham conseguiu amealhar em vendas perto de 170 milhões de euros, tendo saído do clube jogadores como Gareth Barry, Zat Knight, James Collins, Stewart Downing, Ashley Young, Darren Bent, Jean Makoun, Fabian Delph, Christian Benteke. À saída dos vários jogadores de proa que a equipa dispunha, o avultado investimento realizado em flops (Jordan Ayew, Jordan Veretout, Rudy Gestede; só estes 3 custaram nada mais nada menos que 30 milhões de euros) e jogadores em final de carreira, ditaram o desfecho que há muito era esperado pelos seus adeptos: a descida de divisão.

4 – O terrorismo da FIBA

O caso já chegou à Comissão Europeia por via da ULEB, a entidade paralela à FIBA\Europa que tutela as principais competições europeias de basquetebol: a Euroliga. A Euroliga, modelo competitivo de sucesso garantido que tanto espectáculo tem dado às minhas noites de semana dada a impossibilidade de me manter acordado até altas horas (tanto quanto desejava) para assistir a jogos da NBA, poderá ter os dias contados ou realizar-se sem a participação de vários clubes de vários países. Isto porque a FIBA, através do seu departamento europeu, lembrou-se que está na altura de assumir a organização da principal competição europeia de clubes de basquetebol, mais de duas décadas depois de ter deixado de as assumir. Num primeiro momento, a FIBA conseguiu puxar para o seu lado apenas uma das federações mais poderosas do basquetebol europeu, a Francesa. As restantes federações das grandes potências europeias tem mantido o seu apoio à ULEB.

Nos últimos dias, a federação internacional de basquetebol passou todos os limites passando da chantagem à exclusão de algumas selecções das provas europeias que organiza como é o caso do Eurobasket. As federações de basquetebol da Espanha, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Montenegro e Macedónia receberam durante a presente semana uma carta a informar que seria excluídas de participação no campeonato europeu da modalidade em 2017 se não aceitassem em mudar-se para a competição de clubes que a FIBA vai organizar. A FIBA já avisou que o mesmo castigo poderá ser aplicado a 8 federações, ameaçando em tom formal que caso as federações não acatem a sua ordem, de tudo irão fazer para que o Comité Olímpico Internacional não as deixe participar nos Jogos do Rio, numa chantagem baixa que fica muito mal aos responsáveis do organismo que tutela o basquetebol mundial.

5 – Bayern fica perto do título 

A vitória sobre o Schalke por 3-0 no jogo desta tarde que permitiu à equipa bávara aumentar à condição a vantagem para 10 pontos sobre o Borússia de Dortmund, foi o penúltimo teste difícil que a equipa de Guardiola teve na presente temporada para a Liga Alemã restando apenas a recepção ao Borússia de Moenchagladbach na 32ª jornada, provavelmente numa altura em que os bávaros já serão virtuais tetracampeões da Bundesliga.

Numa partida em que a jovem equipa do Schalke (se mantiverem a actual estrutura, poderão para o ano sonhar com algo mais do que a luta pelos lugares europeus) deu desde cedo o controlo do jogo aos comandados de Guardiola (mexeu na equipa para gerir o esforço de alguns atletas, voltando a colocar Phillip Lahm a meio-campo como médio interior direito, Lewandowski sozinho na frente de ataque para gerir o esforço de Muller; Benatia e Alaba como centrais, Rafinha como lateral direito, Bernat como esquerdo com Gotze mais à frente para poupar Frank Ribery: Kingsley Koman a titular como médio ofensivo na zona central) descendo totalmente as linhas até ao seu meio-campo. A equipa de Andre Breitenreiter apercebeu-se que poderia, com uma cortina defensiva de 5 jogadores a meio-campo prejudicar a 1ª fase de construção de jogo da equipa de Munique se conseguisse defender com uma linha bastante articulada, unida, capaz de cobrir bem os espaços e pressionar q.b a distribuição de Lahm e Vidal. Com um estilo de jogo ligeiramente diferente daquele que por exemplo foi praticado na Luz (a constante variações entre flancos, puxando a equipa encarnada para um flanco para depois variar e encontrar espaço livre para progredir no outro), a equipa de Pep Guardiola teve algumas dificuldades para contrariar a bem articulada linha defensiva do Schalke através de um modelo de jogo que visava circular a bola a toda a largura do terreno, de flanco a flanco, passando obviamente pelo meio, a partir do passe curto.

No primeiro tempo, Gotze foi incapaz de criar grandes desequilíbrios pela esquerda, demonstrando que neste momento é um jogador a mais no plantel dos bávaros. Os grandes desequilíbrios da partida pertenceram a Kingsley Koman com virtuosas arrancadas tanto pelo flanco direito como pelo corredor central.

Já o Schalke foi uma equipa muito inofensiva. Procurando sair em transições rápidas sempre que a equipa conseguia roubar a bola a meio-campo, a equipa de Breitenreiter procurou que o seu criativo médio Johannes Geis conseguisse lançar as duas unidades da asa direita (o rapidíssimo Júnior Caiçara; ex-Gil Vicente e o tecnicista Sané) em contra-ataque. Muito desapoiado na frente de ataque, foram muitas as tentativas em que Sané tentou resolver tudo sozinho para conseguir servir bem Choupo-Moting na área. Num dia azarado no drible sobre os defensores do Bayern, o jovem de 20 anos, jovem que é cobiçado por grande parte dos grandes clubes europeus, raramente conseguiu ganhar uma disputa individual em drible tanto a Bernat como a Alaba.

Na 2ª parte, a equipa do Bayern aproveitou o facto da equipa do Schalke estar menos pressionante sobre a bola e dos seus centrais estarem menos atentos na marcação a Bobek Lewandowski na área. Sinónimo disso seriam os dois golos apontados pelo polaco, um deles num lance em que o experiente internacional alemão Dennis Aogo foi muito macio na abordagem a Kingsley Coman na direita quando tinha sido implacável na marcação ao jovem francês durante o primeiro tempo.

(este post terá continuação nos próximos dias)

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