Destaques Desportivos da Semana

A primeira vitória no Quénia na Sevens World Series

Começo este post por salientar a estrondosa vitória do Quénia na etapa de Singapura da Sevens World Series. A equipa queniana, equipa que nos últimos anos tem aparecido com um alto rendimento tanto na variante de sevens como na variante de XV (para termos uma noção do actual estádio de desevolvimento do rugby queniano em comparação com a tónica decrescente do nosso, a selecção de XV do Quénia, selecção que já se encontra à nossa frente no ranking mundial da IRB bateu a nossa selecção no ano passado por 41-15 no jogo disputado em Junho em Nairobi e arrisca-se a ameaçar o poderio hegemónico da Namíbia na próxima ronda de qualificação africana para o Mundial de 2019) tornou-se a segunda selecção africana a vencer uma etapa do circuito mundial de Sevens. A selecção africana corre a passos largos para se tornar numa potência da modalidade dentro de alguns anos nas duas variantes. Na final de Singapura, os quenianos derrotaram nada mais nada menos que a actual detentora do título mundial, as Ilhas Fiji.

O desenvolvimento recente do rugby queniano é um dos exemplos para o qual o rugby português deve ter em atenção se quiser sair do fosso em que se meteu (no passado mês de Março a nossa selecção desceu à divisão 1A do rugby europeu, o equivalente a um 3º escalão) e se quiser voltar a apanhar o comboio dos grandes.

Em primeiro lugar, devo referir que ao nível de desporto, na sua generalidade, Portugal tem muito a aprender com um país como o Quénia. Sobejamente conhecido por ser um país exportador de grandes atletas no atletismo, o Estado Queniano no passado investia essencialmente na criação de boas infraestruturas de treino para a prática da modalidade. Contudo, o paradigma tem vindo a modificar-se na medida em que o Estado Queniano (país em que os ministros do desporto são usualmente atletas olímpicos medalhados) tem investido recentemente na melhoria das infraestruturas de treino em modalidades como o Voleibol (a sua selecção feminina tem marcado presença nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos do Mundo da modalidade), Cricket (outra das grandes paixões desportivas dos quenianos), futebol (com a colocação de jogadores de razoável qualidade em campeonatos europeus como são os casos de McDonald Mariga, antigo jogador do Inter e Real Sociedad, agora no Latina da Serie B italiana, Victor Wanyama, trinco do Southampton ou Ayub Masika do Lierse da Bélgica) e ciclismo. Nesta última modalidade, os quenianos tem apostado essencialmente no ciclismo de pista, conseguindo para já colocar alguns atletas nas principais provas desta variante.

Em segundo lugar, os responsáveis da Federação Queniana de Rugby trilharam uma linha continua de desenvolvimento bem estruturada que assenta numa ordem de prioridades. Aproveitando o natural talento atlético dos seus jogadores, principalmente ao nível de velocidade, os quenianos começaram o seu desenvolvimento por fazer baixar o jogo às massas na versão de 7´s. O portento atlético dos quenianos fez-se logo denotar.

A estratégia de democratização do jogo, tornando um jogo multirracial no período pós-independência com especial incidência na década de 90 permitiu portanto que a classe média-baixa do país se apaixonasse pelo jogo. Este foi o segundo passo, passo permitiu que hoje o país tenha cerca de 40 clubes não-profissionais inscritos na sua federação e  cerca de 40 mil praticantes (30000 abaixo dos 18 anos de idade; 3000 praticantes do sexo feminino). O terceiro passo tomado pela federação queniana foi a inserção como modalidade de prática obrigatória nas escolas básicas e secundárias, realizando para o efeito vários torneios juvenis que servem não só para fomentar a competição juvenil como para atrair mais público para a prática da modalidade.

Barcelona afasta a crise…

Com uma goleada de 8-o sobre um frágil Deportivo no Riazor. Para espantar os fantasmas que começaram precisamente na derrota em casa com o Real Madrid e continuaram com eliminação na Champions aos pés do Atletico de Madrid. O Deportivo de Victor Sanchez del Amo, equipa que me tem surpreendido pelo seu enorme acerto defensivo concedeu muitas facilidades aos catalães à entrada da sua área. Este foi um dos piores jogos da carreira do ex-Benfica Sidnei, jogador que até tem sido um dos jogadores que mais se valorizou na presente temporada no clube galego. Se recordar o empate obtido já em 2016 pelo Deportivo na 1ª volta num jogo frenético no qual os galegos conseguiram virar um 2-0 favorável ao Barcelona num 2-2 nos últimos minutos da partida, chegando a ameaçar a vitória nos descontos, a exibição dos galegos foi deveras frustrante.

O Barcelona afasta momentaneamente a crise. A imprensa espanhola, com a Marca à frente a fazer a habitual pressão para que o Real ainda possa conquistar a Liga Espanhola na presente temporada, começou imediatamente a especular uma série de coisas, aventando inclusive a possibilidade de alguns jogadores estarem a passar por um período de menor confiança nas suas capacidades e maior vontade, se assim o posso dizer, de se transferir para outros clubes. É natural que a seguir a momentos de excesso de confiança alguns jogadores sintam o peso das derrotas. Não nos podemos esquecer que uma equipa que fica afastada nos quartos-de-final do seu principal objectivo sente-se naturalmente frustrada. Contudo, na Hora H, Messi, Suarez e companhia deram a maior resposta que poderiam ter dado.

Até ao final da Liga, o Barcelona terá, apesar do maior favoritismo, três jogos muito complicados frente a Granada, Espanyol e Sporting de Gijón visto que ambas estão a lutar pela sobrevivência no primeiro escalão do futebol espanhol. Na altura penúltima jornada, o Espanyol, equipa que neste momento detém das 3 o lugar mais favorável (15º com 5 pontos de vantagem sobre o Sporting de Gijón, equipa que jogará este sábado contra o Barcelona) já poderá estar efectivamente salvo da descida. Contudo, como é por demais conhecida, a rivalidade mantida com o vizinho Barça poderá, acirrada recentemente na eliminatória que estas disputaram para a Taça de Espanha (Suarez foi punido no jogo da 2ª mão com dois jogos de castigo por ter chamado “porcos” dos jogadores do Espanyol) poderá influenciar a prestação dos homens que jogam em Cornellá a estragar as contas ao vizinho e rival. Até ao final, Atlético e Real também estão proibidos de perder pontos, sabendo de antemão que terão um trânsito de calendário e seguramente um desgaste maior que os catalães em virtude da sua presença nas meias da Champions.

Em Milão, nada de positivo

A execução de uma “Haka”, brava dança guerreira maori que ficou mundialmente famosa pela mão da selecção neozelandesa de Rugby motivada por uma acção publicitária requerida por uma das empresas que patrocina o clube, ridicularizou ainda mais o clube detido por Sílvio Berlusconi. Não bastasse ao AC Milan a falta de resultados desportivos desde há 4 anos para cá, o despedimento de Sinisa Miyahlovic naquele que Berlusconi considerava vir a ser o novo ano 0 do clube,  a fraca qualidade do seu futebol, somente alicerçado no contra-ataque se tomarmos em conta que do meio-campo para a frente existe gente com um enorme talento técnico e táctico (Kucka, Bertolacci, Bacca, Bonaventura, Honda, Luiz Adriano, Poli, Mbaye Niang, o desaparecido Balottelli) fazem cair no ridículo um clube que já referi neste espaço estar cada vez mais à beira do abismo por falta de uma estratégia concertada, de investimentos sólidos na construção de planteis competitivos (principalmente na defesa) e de um treinador credenciado, com provas dadas que possa finalmente ter matéria prima para relançar um clube que faz falta ao futebol europeu.

Carvalhal renova com o Sheffield de Wednesday

A renovação de Carlos Carvalhal com o clube do Championship inglês, renovação que foi recebida com um enorme alegria por parte dos adeptos do clube que actualmente está, a 3 jornadas do fim da fase regular da prova, em condições de lutar pela subida de divisão à Premier nos playoffs que se seguem às 46 jornadas da dita (restará à equipa de Carvalhal e Lucas João vencer a próxima partida para confirmar a sua presença nos playoffs de subida de divisão) atestam mais uma vez a qualidade do técnico português e da classe profissional de treinadores que, com os resultados que são conhecidos por todos, de Mourinho a Manuel José, vamos exportando para o mundo. Colocando a equipa de Sheffield a jogar um futebol positivo, técnico, nada inglês, Carvalhal já tinha surpreendido em Inglaterra quando a sua equipa eliminou o Arsenal da Taça da Liga por 3-0 há uns meses atrás. Com hipóteses de poder subir a equipa à Premier League, a renovação do treinador português faz jus ao seu percurso de treinador iniciado no Sporting de Espinho há 18 anos atrás e catapultado para a ribalta com o feliz episódio do apuramento do Leixões, na altura na 2ª B para a final da Taça de Portugal em 2002: apesar de já ter passado em grandes clubes do futebol europeu (Sporting e Besiktas) em épocas de vacas magras (no Sporting por exemplo, coube-lhe a ingrata missão de comandar uma equipa completamente destroçada e em final de ciclo, depois da saída de Paulo Bento e do fracasso do sucessor Paulo Sérgio) o treinador de 50 anos ficou conhecido em todos os clubes que passou pela sua capacidade de fazer muito com pouca matéria prima de qualidade superior e pelo seu enorme profissionalismo. Torço para que a histórica equipa de Sheffield consiga continuar a surpreender. Para um futebol como o nosso é sempre importante ter treinadores nas principais ligas do futebol europeu.

Volta a crescer a desconfiança no ciclismo mundial com a possível utilização de motores nas bicicletas

Uma reportagem realizada durante a presente semana pela France 2 em colaboração com a Gazzetta dello Sport testou um novo dispositivo que pode ser muito válido na detecção de motores em bicicletas, mecanismos cuja utilização já foi detectada pela UCI em ciclistas de BTT no presente ano. As câmaras térmicas utilizadas em provas de estrada pelos jornalistas destes órgãos de comunicação social detectaram a presença de motores nos quadros das bicicletas de alguns ciclistas.

Toda esta questão foi levantada há uns anos atrás devido à extraordinária performance do suíço Fabian Cancellara nas etapas de contra-relógio e nas clássicas da primavera. Na altura, a imprensa especializada da modalidade levantou a clara possibilidade do altíssimo desempenho tido pelo ciclista suíço se dever à utilização de um pequeno motor que possibilitaria ao suíço rolar a uma velocidade muito superior à dos seus adversários na luta contra o cronómetro e no Paris-Roubaix de 2010.

Até 2016 nenhum destes aparelhos seria contudo, apanhado pela UCI nas frequentes fiscalizações que a UCI faz por via dos seus comissários de corrida às bicicletas dos ciclistas. No presente ano, a ciclista belga de ciclocrosse Femke van den Driessche foi apanhada com um destes dispositivos na sua bicicleta nos campeonatos do mundo da modalidade. Apesar de ter desistido da prova, ironicamente, devido a problemas mecânicos, a belga trazia no tubo vertical do quando da sua bicicleta um pequeno motor de 500 gramas capaz de gerar potência suficiente para aumentar em cerca de 6km\h a velocidade da atleta. O acontecimento levou os responsáveis da UCI a virem público afirmar que irão reforçar a fiscalização às bicicletas dos ciclistas, passando a fiscalizar mais por prova

 

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