Destaques desportivos da Semana

Nota prévia: Este post serve de conclusão aos posts publicados aqui e aqui.

9 – Benfica volta à liderança

O Benfica voltou à liderança do campeonato depois de ter batido o Vitória de Setúbal por 2-1 no Estádio da Luz. A imprensa portuguesa designou a vitória encarnada como sofrida. Sofrida, não foi. Merecida na primeira meia-hora de jogo. Se existiu momento do jogo em que o Benfica tremeu, esse momento foi quando Pizzi quase deitou tudo a perder com aquele passe completamente transviado para trás quando o jogo estava próximo do seu epílogo. A azelhice de Arnold, jogador que até foi um dos melhores do Setúbal em campo pela profundidade que conseguiu dar às transições em profundidade que a equipa de Quim Machado conseguiu executar em alguns momentos do jogo, poderia ter resultado em mais. Naquela situação em particular, na cara de Ederson, com os centrais do Benfica a milhas, esperava-se mais do trapalhão avançado congolês.

Como tem sido apanágio nos últimos jogos da Liga, o Benfica teve que pedalar durante a primeira meia-hora para anular uma desvantagem.

O Setúbal marca logo na primeira jogada da partida aos 14″ por intermédio de André Claro num lance em que Eliseu concedeu todas as facilidades ao lateral vitoriano Tony Gorupec para avançar pela ala e cruzar com muito à-vontade. Nos primeiros minutos, para além de um espírito ofensivo de salutar (em rápidas transições para o contra-ataque nas quais a equipa vitoriana conseguia efectivamente lançar os seus extremos com eficácia) o Vitoria conseguiu ter um enorme equilíbrio defensivo graças ao aproveitamento de um pormenor táctico que tem sido utilizado por grande parte dos treinadores contra o Benfica: a colocação de 3 homens no eixo central, um encarregue da marcação apertada a Jonas e outro encarregue da marcação a Mitroglou, ficando sempre um central livre. No jogo de ontem, esse central chamou-se Frederico Venâncio. O filho do antigo internacional português ainda livrou a equipa setubalense de males maiores durante a avassaladora pressão que o Benfica fez até à obtenção do 2º golo.

Nesse período de jogo, até aos 25″ confesso que gostei do futebol do Benfica. A equipa de Rui Vitória voltou a reagir mentalmente muito bem ao golo sofrido (como já tinha reagido em Coimbra) e praticou um futebol pensado no qual conseguiu chamar a “abrir” a equipa do Setúbal através de uma mistura de processos que não tornou previsível o seu jogo. Quer num futebol de variação de centro de jogo para as alas, dando Gaitán na esquerda e Nélson Semedo na direita (Pizzi em zonas mais interiores; Jonas conseguiu livrar-se da marcação quando começou a movimentar-se para o flanco direito, abrindo consequentemente espaço para as entradas de Pizzi junto aos centrais do Vitória) a largura que tantas oportunidades conseguem estes criar para os dois avançados, quer na construção de jogadas através do corredor central nas Renato Sanches tentou, através do passe picado sobre a defesa sadina construir boas situações para Pizzi e Mitroglou. Se em meia dúzia de lances de aperto valeram Ricardo e Frederico Venâncio com acções providenciais (fazendo acumular cantos atrás de cantos a favor do Benfica), estive convicto que a defesa do Setúbal não conseguiria aguentar aquilo durante muito tempo. Pelo meio, André Claro desperdiçou um lance no qual tinha todas as condições para efectuar o 0-2, resultado que colocaria imensa pressão sobre os comandados de Rui Vitória e que decerto os iria obrigar a errar mais.

A partir dos 25″, o Benfica deu o jogo como garantido (é certo que para isso muito contribuiu a incapacidade do Vitória de se retransformar após o 2º golo e voltar ao nível ofensivo evidenciado nos primeiros 10 minutos). A equipa de Quim Machado manteve a mesma tónica táctica, não teve força mental para contrariar o domínio encarnado na posse de bola e viu o Benfica dominar a partida a seu belo prazer, sem contudo, ter jogado bem a partir dos 25″. A única situação de perigo criada pelos setubalenses na 2ª parte seria uma bem construída jogada pelo flanco esquerdo que colocou Ruca na cara de Ederson. A construção de jogo dos encarnados a partir do segundo tento não foi a mesma, quer ao nível de velocidade incutida nas transições (tirando uma ou duas arrancadas inconsequentes de Renato Sanches; começa a aprender que pode passar em velocidade pelo primeiro adversário, não passando pelo segundo) quer ao nível da criatividade colocada no desenho das jogadas. Os encarnados haveriam de dispor apenas um lance perigoso na área setubalense na segunda parte por intermédio de Mitroglou.

Naturalmente que o fraco caudal ofensivo demonstrado pela equipa de Rui Vitória se deve a algum cansaço físico que se evidencia no seu plantel. Contudo, o actual nível anímico da equipa continua em alta e a manutenção desse nível anímico é por si só condição para que algum do cansaço físico seja atenuado nesta recta final da temporada.

10 – Damian McKenzie, o novo talento do Rugby Neozelandês.

Prestes a completar 21 anos amanhã, Damian McKenzie tem sido a grande revelação do Super Rugby desta temporada, prova que tenho vindo a acompanhar a espaços à medida da minha disponibilidade. O jovem médio de abertura\fullback dos Waikato Chiefs tem sido não só uma das grandes figuras da Liga de selecções provinciais do Hemisfério Sul (+ as duas equipas do Japão e Argentina) como tem sido uma das razões pelas quais os Chiefs, equipa sediada em Hamilton (tem como base de recrutamento vários clubes de proa no que diz respeito a formação caso dos Bay of Plenty, Counties Manuaku, Waikato, Taranaki) lideram a sua conferência e o Grupo, denominado por “Australasian” (a prova foi este ano modificada ao nível da sua estrutura competitiva) com 29 pontos em 7 jornadas.

O jovem jogador tem-se destacado por uma série de características ímpares que o tornam um dos principais candidatos a ser o jogador da próxima geração dos All-Blacks. Com uma capacidade de pontapé inacreditável, convertendo penalidades, literalmente, do meio da rua, McKenzie destaca-se também por ser um jogador velocíssimo a pensar e a executar as suas acções em campo, quer nas incursões sobre a linha adversária, rasgando-as por completo e obrigando à concentração de jogadores adversários na zona onde é placado, o que permite àbrir muitos espaços se a sua equipa variar rapidamente o centro de jogo, quer na finalização de jogadas pelas pontas, quer no capítulo da organização de jogo, pensando rapidamente o que faz com a bola quando a tem em posse. Detentor de uma capacidade de leitura e rapidez na execução, o seu “pop pass” em situações de eminente placagem criam desequilíbrios abissais nas equipas adversárias, permitindo portanto boas situações de progressão aos seus companheiros de equipa.

11 – A morte de João “Rafeiro” Carvalho

João Carvalho

A morte do lutador de MMA João “Rafeiro” Carvalho num combate disputado na semana passada em Dublin frente a um lutador irlandês reabriu, nas redes sociais, a discussão sobre este violento desporto. Os dois órgãos de comunicação social do grupo Cofina (Record e CMTV) não poderiam deixar de tomar partido nesta situação. Presentes no habitual varejamento a que nos acostumámos quando se dá uma morte, estes dois órgãos levantaram imediatamente uma série de questões “deontológicas” relacionadas com a morte do lutador português. A narrativa que foi feita nos últimos dias é a seguinte: presumivelmente, durante o combate, João Carvalho foi knockeado pelo seu adversário com vários murros na cabeça. Tendo saído pelo próprio pé do ringue octogonal, acompanhado do seu treinador, acabou por dar sinais de desconforto já nos balneários quando era assistido pela equipa médica do evento, vindo a falecer vítima de um derrame cerebral (segundo o que foi mencionado como causa de morte pela autopsia realizada) num Hospital da capital Irlandesa poucos minutos depois. O treinador de João Carvalho defende que o árbitro nomeado para a partida parou o combate no momento em que deveria ter parado. Outros afirmam que o árbitro demorou muito tempo a parar o combate, não cumprindo as regras da modalidade. O árbitro defendeu-se com o argumento de que o combate foi parado a tempo. O lutador adversário pediu desculpas em comunicado à família do atleta, que, não se consegue resignar perante o sucedido porque o lutador deixa duas filhas órfãs sem sustento. A família do atleta não receberá qualquer indemnização visto que o atleta não tinha seguro de vida nem tão pouco um seguro desportivo (obrigatório por lei para qualquer praticante de uma modalidade cuja federação esteja inscrita no Instituto Português do Desporto e Juventude, pelo Decreto-Lei 10\2009 de 12 de Janeiro) porque pura e simplesmente não existe qualquer federação inscrita naquele organismo para aquela suposta modalidade.

A bom da verdade, sou daqueles que considera que o MMA não é um desporto. É uma selvajaria sem regras criada para satisfazer os impulsos sanguinários (e comerciais, visto que envolve uma pipa de massa nos Estados Unidos em receitas publicitárias e direitos de transmissão televisiva dos eventos) de gente doente que presumivelmente, em pleno século XXI, ainda não saiu da idade dos gladiadores romanos. Se é tão bonito ver dois gajos, sem rei nem regras, a esmurrar-se numa cage até que um deles fique com graves sequelas cerebrais da potência aplicada pelo adversário nos golpes ou até que morra, pergunto eu porque é a humanidade não ficou precisamente no estádio de evolução do tempo dos romanos?

As artes marciais tem vindo a regredir claramente com o aparecimento destas supostas disciplinas de showbizz que combinam várias artes marciais em combates de extrema violência que na maioria dos casos só terminam quando um dos artistas cai para o lado. Estão a fazê-las regredir ao ponto de, por exemplo no boxe, a falta de espectacularidade, diga-se de sangue à vista, da sua vertente amadora, já ter levado o COI a autorizar que os atletas (pela primeira vez, no Rio, a prova será aberta a profissionais estando neste momento a decorrer o torneio de apuramento em Baku no Azerbeijão) não usem pela primeira vez capacete no torneio olímpico que irá decorrer dentro de alguns meses.

12 – Errar é Humano?

Há quem diga que sim. Há quem simplesmente especule. O erro do guardião do Sassuolo Andrea Consigli no Sassuolo 1-3 Fiorentina, está a reacender a discussão em Itália de um dos temas tabu do futebol transalpino: a manipulação dos resultados de eventos desportivos. 

Num futebol marcado por escândalos cíclicos de corrupção e manipulação relacionados como foram os casos do Calciocaos em 2005, do Calcio Scomesse em 2012, e de outros dois, pertencentes ao passado, os escândalos Totonero de 1980, 82 e 1986,  qualquer lance como este, por mais bizarro que seja, é sempre de desconfiar.

Se o primeiro escalão do futebol italiano não está livre de mácula, imagine-se por exemplo o que é feito nos escalões inferiores. Só nos escalões inferiores do futebol italiano, a Feder Bet, a agência com sede na Bélgica criada por vários dos stakeholders envolvidos no negócio das apostas desportivas para as regular e investigar eventuais situações de manipulação de resultados conseguiu no ano passado detectar 12 jogos manipulados. Um dos clubes envolvidos em 4 desses jogos, o Catania, foi despromovido ao 3º escalão pela justiça desportiva italiana. 

13 – O reaparecimento do colosso Rangers

Os “protestantes” estão de volta, 4 anos depois da falência. Às vitórias na Old Firm contra os seus rivais do Celtic, jogo que garantiu à equipa a presença na final da Taça da Escócia e a possibilidade de, em ano de subida ao primeiro escalão, poder vir a disputar imediatamente as competições europeias. Feito notável para um clube que há 4 anos atrás virou uma das negras páginas da sua história quando foi obrigado a decretar insolvência (140 milhões de libras) e a reabrir portas, com outro nome, no 4º escalão do futebol daquele país.

14 – Rafael Nadal, o rei da terra batida

A 9º vitória do tenista maiorquino no Masters de Montecarlo, precisamente na sua 100ª final em torneios ATP (28ª vitória em Masters, mais 4 que Novak Djokovic) frente ao habilidoso Gael Monfils, tenista que é fortíssimo na terra batida, confirma que o espanhol vai atacar Rolland Garros com “ganas” de voltar a levar no próximo mês de Junho a Taça-troféu do Grand-Slam disputado em França pela 10ª vez na sua carreira. Contudo, o espanhol considerou no final da partida que continua a precisar de melhorar o seu pace em campo bem como as suas frágeis pancadas de direita.

Recordo que a última vitória do maiorquino em Grand Slam´s ocorreu precisamente na edição de Rolland Garros de 2014. Desde então temos assistido a um domínio completo e avassalador de Novak Djokovic, polvilhado aqui e ali por umas conquistas de tenistas como Roger Federer, Stanislas Wawrinka, Kei Nikishori ou Marin Cilic.

 

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