Do segundo turno das eleições brasileiras

Domingo próximo, o Brasil vai às urnas pedir um tempo, uma trégua da pobreza, da violência, da hipocrisia, dos jornais, dos governos corrompidos, das Academias, das doenças, da ganância impune das salteadoras de nossas estradas, das decisões estúpidas ou maldosas. Uma trégua dessa jovem e trágica história em que a longa noite da ditadura dos militares, do medo e do silêncio, amanheceu numa democracia carnavalizada, república das bananas, de covardias e mentiras que nunca se retratarão.

No próximo domingo, o brasileiro vai tentar de novo um descarrego dos erros do passado, da insanidade nos gastos públicos, da imperícia com os juros, da tirania no ensino, de toda a sordidez dos hospitais, dos preconceitos de mil faces, das fraudes na cultura num campo cheio de mortos e feridos.

Neste domingo próximo, milhões de nós irão caminhando já sem forças para a esperança. A esperança que não morre nunca, que está na voz doce dos nossos negros, na simplicidade natural dos caipiras e dos índios, nos inocentes, pobres ou ricos, que honestamente reclamam um tempo para a doçura, a vida e a alma que quer sonhar com a autenticidade.

Vai sem forças porque temos sido educados por psicopatas, informados por psicopatas e governados por psicopatas. Hábeis comedores de criancinhas, arrogantes ladrões sem a menor cor de vergonha, agem juntos, a céu aberto, à luz do mais claro dos dias, onde a nuvem parece recortada sobre o azul. Marcam e traumatizam, com as sombras do fracasso, vidas que não escolheram seus sonhos ou seus pesadelos, que não conheceram a justiça, que nunca viram Paris, que nunca leram Keats ou Raul Brandão – vidas que embora chamadas livres, não sabem o que é liberdade, além de uma palavra facilitadora.

Comem crianças prometendo-lhes o futuro no museu dos hipócritas, nas malditas escolas. Porque a felicidade está além da vista, para depois da faculdade – palco da arrogância que carrega um giz numa mão e uma cabeça mole na outra. Outras dessas cabeças comem as criancinhas ao assinar sanções, vetos e roubos da dignidade ainda em flor desses inícios que só querem viver. Nessa tragédia, os mensageiros podem comê-las simplesmente ao trazerem, para a boca da cena, notícias falsas.

Nas últimas semanas, tirando o sono das pessoas, bestas-feras têm babado para defender o terrível estado a que chegamos, como se fossem o Arcanjo Miguel, e não o veneno que germina, nos sempre perigosos grupos, a mais grossa hipocrisia, desenhada com os dentes molares, vendendo gato  por um voto e a tudo isso chamando direito, educação, cultura e justiça.

Esse monstro de mil cabeças, todas moles, convicto de que possui a consciência das classes, tanto quanto a de que eu não posso fumar ou comer carne, vem rebaixando a moral de homens brilhantes que tentaram trazer o capital de uma maneira realista para estas paragens, sem pão e circo. Difamando-os, assim, porque não acreditaram que o homem quer prosperar, que Deus adora variar e que engordar um poder absoluto somente atiça a gula e o ardil dos psicopatas. Odiando-os porque ousaram engrossar o coro – de que o Estado só deve fazer aquilo que só ele pode fazer -, alijados porque desejaram produzir alguma riqueza ao invés de distribuir a miséria.

As mil cabeças surraram a horrível palavra “fascista” sem pudor, sem medo e sem vergonha para falar de seus mais sinceros comparsas. Agora já não têm outra palavra. Destruíram o pensamento de antes com a mesma fala grossa e promessas de mundos que agora ouvem dissonantes, porque já não são as suas, mas as de outrem, que a pressão do tempo renovou dentro dessa terra – uma voz talhada na geologia dos nossos caracteres e crimes, chamada sem consciência pela dor dessa terra, para trazer dos túmulos a inteligência que ouviu o canto do capital. Confusas, as mil cabeças, todas moles, insistem nas velhas palavras que hoje já não significam nada.

Que esse insistente monstro não diga mais do povo, porque a despeito de suas grandes preocupações, o povo ainda sofre. Não exija nenhuma voz das urnas, apenas as ouça; não lhes venha dizer o que devem dizer. Elas não carregam a condução do povo em tamanho padrão, carregam a experiencia que quer bater de volta. Então apanhem, mil cabeças! Parem de torturar com terror! Porque, no domingo, o Brasil não estará fazendo nada além de pedir mais uma chance ao Banco Central, aos correios e ao petróleo; pede mais uma vez pelos pobres, sempre enganados e usados no discurso demagogo; pede pelos mortos da Piazza di Spagna. Pede perdão à Ciência e à Beleza, filhas banidas desta terra de impostores. Pede sombras generosas às árvores, campos largos, água limpa e o simples direito de não temer caminhar sozinho pelas noites de verão.

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Cristiano Ronaldo: de bestial a besta em apenas um segundo

Cristiano Ronaldo era o exemplo de um filho exemplar, um irmão sempre presente, um Pai dedicado, o homem solidário, o homem que se fez a pulso à custa de muito trabalho e muitos sacrifícios, o melhor jogador do mundo e o orgulho de Portugal e dos portugueses no Mundo. De um dia para outro uma notícia de uma queixa de violação sexual – sem dúvida um crime hediondo – de uma americana com um currículo “duvidoso” faz esquecer um percurso pessoal e profissional apontado unanimemente como modelo de vida.

E a comunicação social portuguesa vai atrás, seguida de muitos portugueses. 

Mas esta mesma comunicação social e estas mesmas pessoas esquecem as milhares de mulheres Yazidi sequestradas pelos militantes do auto-denominado Estado Islâmico que não passam de escravas sexuais do Daesh violadas quotidianamente, sem acesso sequer a uma Justiça digna desse nome, em que muitas delas terminam com a sua própria vida dado o sofrimento a que estão sujeitas.

Um alegado caso de violação dá lugar a milhares de capas de jornais em todo o mundo e milhões de horas de televisão de qualidade muito duvidosa. Por sua vez milhares e milhares de violações sexuais mais que comprovadas têm lugar a uma noticia de rodapé nos jornais e noticiários televisivos.

Este caso que alegadamente envolve Cristiano Ronaldo evidencia o sentido da proporcionalidade perdido pela sociedade em que vivemos. E isto é grave. Muito grave, mesmo.

Cristiano Ronaldo está indiciado alegadamente por um crime como estaria qualquer um de nós alvo de uma denúncia que muitas vezes são instrumentais, insidiosas e maldosas. Não foi condenado. Muito longe disso. Tem direito à sua defesa e à presunção de inocência. Ontem mostrou que é um grande profissional, jogou, marcou um golo e deu a vitória à Juventus. Por mim nada mudou. Até prova em contrário Cristiano Ronaldo continua a ser o exemplo de um filho exemplar, um irmão sempre presente, um Pai dedicado, o homem solidário, o homem que se fez a pulso à custa de muito trabalho e de muitos sacrifícios, o melhor jogador do mundo de quem sinto muito orgulho enquanto português.

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – área de Sociologia
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

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Hoje correrei a maratona a teu lado

O José Gabriel Quaresma para muitos é uma figura pública que entra nas nossas casas, sem pedir autorização, pela janela da TVI.

Para mim é muito mais. É um Amigo. Um Amigo muito especial.

O Zé, o Zézinho como às vezes o trato, tem um coração enorme. Do tamanho do mundo.

Vivemos longe mas direi que falamos quase todos os dias. E não falamos de notícias. Falamos da vida, das nossas vidas. Dos momentos bons e dos menos bons. Das alegrias e das tristezas. Onde encontro sempre uma palavra e um conselho amigos. Ele sabe que é recíproco. Uma amizade genuína, verdadeira, como hoje existem poucas.

Hoje, daqui a pouco mais de uma hora, o Zé Gabriel vai dar inicio ao cumprimento de um sonho. Vai correr a maratona de Berlim. Vai fazer 42,195 quilómetros que demoraram 9 meses a preparar.

E não vai correr sozinho. Eu sei que vão fazer esta corrida milhares de pessoas. Mas não falo destes. Falo dos filhos, da Carla, dos Pais, que tanto ama e dos amigos que muito estima.

Desculpem-me todos os atletas que farão a maratona mas o Zé será o mais especial de todos os corredores em Berlim. É o maratonista peregrino que vai correr pela família e pelos amigos mas por um amigo muito em especial que faleceu recentemente.

Eu não vou estar em Berlim mas será como se estivesse. Vou correr ao teu lado. Vais cumprir este teu sonho. E muitos outros sonhos se seguirão que vais cumprir. Sabes porquê, Zé? Simplesmente porque mereces tudo de bom na vida. Zé, continua assim, sempre igual a ti próprio!

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – área de Sociologia
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

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Fio desencapado ou Incêndio no Museu Nacional

Pelo mundo tem-se falado, nesses últimos dois dias, sobre o incêndio do bicentenário Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, situado naquela que foi uma das cidades mais lindas do mundo – o Rio de Janeiro –, e que jaz morto ali mesmo. Para entender o tamanho da tragédia é preciso entender quem ateou-lhe fogo. Não trago números, mas trago um pedaço da verdade. Embora tenha angariado fama, ninguém conhece o Brasil – esse vilão de si mesmo. Só o brasileiro o conhece e, se não for muito esperto, pode ser o próprio Brasil sem se conhecer – a pior das sinas.

Bem-aventurados os que não nascem no Brasil ou aqueles que podem deixá-lo. Aqui, as bênçãos da Natureza contrabalançam a fome, o frio e a sede de nossas almas – pobres almas, carcomidas pelas ambições da Academia, dos ricos e famosos, dos jornalistas e dos políticos. Esses abortos da razão e da sensibilidade, velhos conhecidos … esses vícios sem virtudes, inflados pela vontade de um poder fraco e mixo ou de um dinheiro alto que só pode comprar o baixo.

Li que Portugal e França querem ajudar na reconstrução do Museu. Por favor não deem nada para o Brasil, nem bola. Tudo aqui queima, mingua ou apodrece, numa vida insalubre que respira o enxofre do inferno, num faz de conta cheio de custas, mais extraordinário do que o mais alucinado dos contos de fadas.
Aqui, não se pode ter a ousadia de adoecer. No Brasil não se tem saúde, tem-se sorte, fama ou dinheiro.

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Faleceu o Bom Senso

O Bom Senso andava desaparecido há algum tempo mas hoje tive a notícia que infelizmente faleceu o nosso querido amigo. O Bom Senso era filho da Confiança e da Verdade e casado com a Discrição de quem teve duas filhas, a Razão e a Responsabilidade. Infelizmente todos morreram precocemente. Da família ficou apenas o Bom Senso que agora nos deixou. Uma notícia muito triste!

 

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Da Saudade

“Nocturno” (1910) – Pintura de António Carneiro

A palavra saudade de per si já é poesia, mesmo dita nua, a seco – ainda que desacompanhada, tem o condão de redimir os papéis sujos, acolher as margens distraídas dos estudantes e até mesmo amortizar cobranças fiscais com ela rasuradas.  Porque escrita, dita ou ouvida, é palavra solene que evoca a tristeza do Bem perdido, que nunca vem sozinha, ao contrário, vem sempre com a inusitada alegria que a completa, com o gosto do Bom mantido nas almas já separadas. E por este rosto, que não pode ser esquecido, invoca o sonho de redenção lá do fundo despencado.  A saudade não é um círculo fechado, mas uma saída que projeta, por meio dos fados, o nome reconhecido da espera nebulosa; não é só dor ou só luto.  Tampouco é só a solidão, herdada do Lácio dentro da palavra, porque sua filologia tem de haver-se também com o ethos português –  nascido na mistura ibérica, que exaltada por Teixeira de Pascoes, decidiu-se pela companhia da fé.

Com a certeza dos místicos, saiu de Amarante, uma pregação, na poesia e na oralidade, com  reverência metafísica ao sentimento que presentifica o que passou, diz do presente e anseia pelo futuro do passado. O poeta monástico construiu uma teoria do afeto daquela perfeição perdida -, que no unívoco, mas também equívoco, termo saudade, faz soar um gemido à beira da noite surda tanto quanto um riso que avista, da praia, muito além do bojador.

Para Pascoes, a saudade é criada pela matéria e pelo espírito, pela “verde alegria terrestre” e pelo “calvário”. Por tanto amar e acreditar, o novo ocidente, feito de gregos e semitas, gerou e ainda hoje gesta essa grande emoção que transforma o Bem rompido em aliança, em promessa. Porque nem a morte impede o sonho. Dirá Pessoa, o ortônimo, que “o nome do herói morto inda compele; inda comanda”. O material algo onírico contido nos olhos dos avós já idos, na coluna vertebral, no meio do amor, na idade de ouro, nas primeiras moléculas do hidrogênio, na liberdade protegida da infância são memória para as musas, que juntadas à realidade da cruz, tornam dor em confiança.  É assim ambígua a saudade.

Camões lamenta carências que por fim elevaram-se na persistência do herói, no saber-se vivo e vivido. E assim como chora a falta, não deixa de notar que a mente faz presente o bem extraviado, tornando a saudade uma alegria: “ditosa é, logo, a pena que padeço, / Pois que da causa dela em mim se sente / Um bem que, inda sem ver-vos, reconheço.” Noutro soneto, o pai da língua portuguesa diz mesmo ser uma glória a lembrança. E ainda noutro que “por virtude do muito imaginar”, não tem mais o que querer, porque nisto já está a coisa desejada.

Mariana Alcoforado, quando escreveu “a tua ausência rigorosa, quiçá eterna, em nada diminui a veemência da minha paixão”, não mentia a seu Marquês. Todos parecem nos dizer dos seus feitos, do passado, depois de suas mortes, que a saudade é mais amor do que vazio.

Com a dupla face de dor e desejo, a saudade é o claro-escuro esculpindo a linha do tempo e talvez de fora dele, de cada alguém que perdeu, de toda a humanidade que vive debaixo das ideias, mas embaixo como a grama que propiciou a evolução dos caídos; embaixo como as folhas fossilizadas onde ainda hoje dormem os primeiros motores da modernidade. Tudo isso precisava de um conquistador. Então, primeiro veio o fogo, depois o espírito, depois o amor, e só então veio a saudade.

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A IGUALDADE DO GÉNERO

A Igualdade entre mulheres e homens é uma questão de direitos humanos e uma condição de justiça social, sendo igualmente um requisito necessário e fundamental para a igualdade, o desenvolvimento e a paz.

Ao falarmos na Igualdade de Género exige que, numa sociedade, homens e mulheres gozem das mesmas oportunidades, rendimentos, direitos e obrigações em todas as áreas.

Vem isto tudo a propósito da final da taça de Portugal em futebol feminino, realizada no Estádio Nacional, para alguns, estádio de Oeiras para outros, e na presença de 11.714 espectadores.

Este jogo disputou-se no mesmo recinto da final da taça de Portugal em futebol masculino, mas oito dias depois, contando inclusivamente com a mesma entidade organizativa, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Todavia, havia algo de diferente que distinguia estes dois jogos o sexo dos intervenientes e os protagonistas do camarote presidencial.

Enquanto no jogo dos homens esteve Sua Execelência, o Senhor Presidente da República e o Primeiro Ministro e o Presidente da Direcção da FPF, no jogo feminino esteve o Secretário de Estado do Desporto e o Vice Presidente da FPF.

É pena que tal aconteça, e havia aqui uma oportunidade de praticarmos a igualdade do género.

São nestes pequenos, grandes gestos, que muitas vezes podemos fazer a diferença.

Foi um grande jogo de futebol, esta final da taça de Portugal feminina, mostrou que temos evoluído muito nesta modalidade e tive pena que os principais protagonistas que estiveram no camarote presidencial uma semana antes não tenham marcado presença, isto sem qualquer desconsideração para quem os substituiu.

Espero que em situações futuras tal situação não se venha a repetir, isto porque a igualdade do género tem de se praticar no dia a dia..

 

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Insónias – dicas para dormir direito

Você dorme bem? Consegue repousar e descansar? Como administra seu sono e repouso? Insónia é quando um travesseiro tem espinhos… e a cama pó de urtiga, espírito inquieto, pensamentos a vagar, tensão no corpo, dificuldade para relaxar, sono o dia todo, falta de concentração, perda de memória, dificuldades na área sexual, cansaço frequente, apatia e falta de vontade…os distúrbios do sono são complicados causando a médio prazo várias complicações severas orgânicas, crises nervosas, desequilíbrio intenso. Em minha pratica profissional como psicólogo clinico na área de saúde mental atendi vários pacientes que entraram em crise/ surto em casos de esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, transtorno de pânico, impotência ou inapetência sexual e outras doenças após ficarem dias sem dormir direito.

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