Marco de Canaveses: Património do Hebetismo

A polémica requalificação de parte do centro cidade do Marco de Canaveses que incluiu a repavimentação tipo “medieval” das suas ruas – executado pelo executivo do PSD liderado por Manuel Moreira há cerca de meia dúzia de anos e que custou vários milhões de euros – obriga a que agora seja necessário cobri-lo com saibro aquando da passagem da Volta a Portugal em Bicicleta.

Este trabalho está a ser efectuado, desde ontem, prejudicando o normal funcionamento da cidade, nomeadamente com elevados prejuízos para o comércio local, de forma a que ciclistas e todo o staff da maior prova velocipédica portuguesa passem amanhã – num abrir e fechar de olhos – no centro do Marco de Canaveses.

Parece-me que os Marcoenses, em geral, e os comerciantes, em particular, merecem mais respeito, bem como o dinheiro proveniente do pagamento dos seus impostos.

Uma pergunta simples: quanto custa aos marcoenses a passagem da “Volta” e esta operação de “preservação” deste Património do Hebetismo que nos foi legado por algumas – felizmente – muito poucas pessoas?

Em nome de um futuro melhor para o Marco espero que estas mesmas pessoas a muito breve prazo tenham a resposta adequada dos Marcoenses de forma a que parem de fazer mal à minha terra.

Adenda às 21h00: Os comerciantes marcoenses afixaram nas suas lojas estes cartazes manifestando que nunca sentiram o Marco tão mal tratado.

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A Inovação e o Empreendedorismo na Transformação da Cidade

Data e local: 28 de Julho, 17:00, Auditório do IteCons em Coimbra

Evento: detalhes aqui.

 

Tópicos para debate

Qual é o papel da inovação na mudança necessária nas cidades?
Como pode ser usada?
Qual o impacto na governação da cidade?
Que políticas devem ser realizadas?
São fatores de inclusão?
Qual o impacto na cultura, na vida e na organização da cidade, na atração de investimento, na atividade económica?
É importante organizar comunidades, explorar a vizinhança?
Como devem ser organizadas?
E a atividade empresarial, como deve estar espalhada pela cidade?
Impacto no urbanismo?
Uma cidade que se reinventa todos os dias.
Uma cidade de oportunidades.
Uma cidade inclusiva.
Uma cidade aberta à participação de todos.

 

Jose Antonio Salcedo (Empreendedor, ex-Professor Universitário)*

Franquelim Alves (ex-COMPETE, ex-Secretário de Estado da Inovação)

J. Norberto Pires (Professor da UC)

 

* Relator do relatório “A Inovação na Transformação da Cidade”, realizado no Porto a convite do Vereador do Pelouro da Inovação e Ambiente

 

 

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Naturalmente corrupto

A naturalização do fenómeno da corrupção é um dos processos da pós-modernidade transoceânico que deixaria de cabelos arrepiados Nicolau Maquiavel . Foi decretado lícito ao político ser e viver de forma corrupta , em uma das inversões de valores presentes a civilização da pós modernidade. O bem privado coletivo transformado em forma de enriquecimento lícito, e o ilícito maleável dentro de uma conveniência. Observando os dois últimos pleitos regionais deparei com um cenário interessante: rara pessoa digna, com ideologia partia para o rumo da política. Vi vários casos de desempregados, agiotas, de trapaceiros, de caloteiros conhecidos mais que de repente aparecerem dentro do horário da propaganda eleitoral prometendo o mesmo de sempre que iriam trabalhar pela família cristã, pelo combate da violência, por mais emprego pela educação e melhoria da qualidade de vida.

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Carta Pro amigo João sobre o isolamento

“Olá, como vai ? Eu vou indo e você, tudo bem ? Tudo bem eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro, e você ? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe … Quanto tempo… pois é… Quanto tempo… Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios Oh! Não tem de quê Eu também só ando a cem Quando é que você telefona ? Precisamos nos ver por aí Pra semana, prometo talvez nos vejamos Quem sabe ? Quanto tempo”…

Estes dias recebo uma mensagem eletrônica de um amigo dizendo que estava de cama há 10 dias, e que muitas pessoas não sabiam de seu estado. Pois é quanto tempo…na hora lembrei da música de Paulinho da Viola e me questionei. O que temos feito de nosso tempo? Na pressa dos nossos negócios, no quem sabe da existência…

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“Todas as palavras esdrúxulas são naturalmente ridículas”

Tão ridículas quão desprovidas de bom senso. E o que temos visto e ouvido por estes dias, são piores do que “as cartas de amor” a que se refere Álvaro de Campos.

Na verdade, as palavras esdrúxulas que políticos e não políticos (hoje, está na moda, ser comentador… de tudo e de nada), vão proferindo, por isto e por aquilo, são verdadeiramente ridículas, porque exageram no acento que colocam em questões, por vezes, bem pertinentes. Mas perdem a acuidade e a razão pelo acento esdrúxulo com que delas falam. Como em tudo, quando se empertigam para colocar o acento tornam-se no que o poeta classifica. Ridículas, pois claro!

Militares que ameaçaram depor armas! Mas que nome se dá, na guerra, a isso? Conheço um Regimento de Infantaria em que o lema é “Nem um passo à retaguarda”. Mas aqueles outros, não só dão passos à retaguarda como depõem as armas. Depois, claro, sugere-se a demissão do Ministro da Defesa. Os políticos é que são culpados. Mas com oficiais assim, que até deixam roubar armas, que farão os soldados? Pelo sim, pelo não, talvez, depor os ditos. (Ler Mais…)

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Carta Aberta ao Dr. Pedro Passos Coelho

Carta aberta ao Dr. Pedro Passos Coelho

As autárquicas são uma fonte inestimável e inesgotável não só de parasitas como de gente que dá o que tem e não tem para obter o seu “lugar ao Sol”. Salvem-se aqueles que entram nesta corrida pelo serviço público e pelo que ele representa.
Já em tempos tinha ouvido rumores, como qualquer militante ou simpatizante atento, das possíveis movimentações de Rui Rio para a liderança do PPD/PSD. Na altura e seguindo palavras do próprio e sabendo de alguns “notáveis” que o secundavam, achei que foi uma asneira pegada e um aproveitamento da imagem e credibilidade que ele tinha granjeado enquanto Presidente da CMP – cargo aliás que desempenhou com o maior rigor e competência.
Pois qual não foi o meu espanto quando tive acesso às fotografias do “evento” em Lisboa. Um jantar que mais não serviu para juntar todos aqueles que querem o fim de Passos Coelho e que não olham a meios para atingir esse fim. Tudo quanto são Barrosistas e Cavaquistas estavam presentes naquela sala, esses e todos aqueles e aquelas que querem aparecer e iniciar-se no carreirismo seguidista.
Mais uma vez me sinto envergonhada com este PSD que não é o meu PPD, o de Sá Carneiro, o de Santana Lopes e o de Passos Coelho.
As perguntas que me assolam são: o que fazia António Capucho naquele jantar se já não é militante do Partido? O que querem provar os barões e baronesas presentes naquela sala? O ódio a Passos tem uma razão de ser e penso eu que seja do conhecimento de todos, prende-se tão-somente com o facto de ele os ter tentado unir debaixo da sua liderança mas sem lhes dar a visibilidade a que estavam acostumados e tendo inclusive tentado cortar-lhes algumas das regalias de que auferem. O facto de não ser lobbista ou de esquemas também o colocou na lista negra destas pessoas.
Eu sempre disse que Rio não ganharia o Partido a menos que ganhasse Lisboa e pelo visto não fui a única a pensar assim visto que esta acção tem apenas esse intuito. Apostando no facto de Rio ter um percurso profissional na mesma área de Passos e ter supostamente as mesmas características de rigor seria para muitos, como um dia foi para mim, a aposta clara na sucessão a Passos Coelho. Tinha apenas um senão, era do Porto e supostamente não cedia a lobbies daí que fosse impossível que ganhasse Lisboa e por consequência, o Partido.
Tenho que admitir que me enganei, não na leitura que fiz da situação mas na capacidade pidesca de actuar deste PSD. E devo dizer que entendo perfeitamente porque muitos militantes e simpatizantes não se identificam com ele da mesma forma que muitos continuam “de pedra e cal” ao lado de Passos Coelho.
Mais uma vez sou obrigada a repetir-me: Dr. Pedro Passos Coelho, quer paz? Quer que deixem de o minar? Limpe o Partido, se faz favor. Os nomes e as caras são conhecidos de todos, há provas indesmentíveis da falta de lealdade político-partidária e das intenções com que determinados grupos dentro do Partido fazem as coisas. Há demasiadas demonstrações de ataques morais e intencionais aos Estatutos do Partido e eles foram escritos para serem respeitados.
Caro Dr. Pedro Passos Coelho, um dia a mais de Partido mal frequentado, até por aqueles que lhe dão pancadinhas nas costas e o defendem nas redes é um dia a menos de ar irrespirável para quem é verdadeiramente social-democrata e acredita em si, no seu mérito e no seu trabalho. É um dia a menos de paciência para aqueles que o querem ver ocupar o seu lugar no Hemiciclo, o lugar que conquistou nas urnas.
O facto de acreditar que poderia unir o Partido fê-lo cometer erros, fê-lo apostar em quem não devia por considerar que as pessoas estavam do seu lado e fê-lo perder pontos preciosos junto da opinião pública.
Querendo, o Senhor vai muito a tempo de fazer “damage control” e recolocar o Partido nos eixos trazendo-o de volta à sua génese reformista, liberal e social-democrata. A cada dia que passa tenho a certeza que o Senhor tem mais consciência de quanto o tempo é precioso e por isso lhe peço pressa. Ignorar não resolve o problema e só o enfraquece. Assim que o Senhor fizer o que tem que ser feito pode estar certo que bem alto se vai ouvir “ Passos vai em frente, tens aqui a tua gente”.
Estamos cansados destes lobbies e destas lutas de Poder internas. Estamos cansados de ver sempre as mesmas caras a forçar situações para que tudo se mantenha na mesma para benefício dos próprios. Estamos fartos e cansados deste momento social-comunista que atravessamos. Não é difícil fazê-lo Dr. Pedro Passos Coelho e neste momento, politicamente, o Senhor já pouco tem a perder mas se fizer as coisas certas, muito terá a ganhar com toda a certeza.
O PPD/PSD é plural mas isso não significa que se deixe espezinhar por estes actos, significa sim que aceita diferentes visões e contributos que tenham o bem de Portugal como fim último e nenhuma das pessoas presentes neste convívio me demonstra que esse seja o caso.
Eu pago quotas, participo quando me pedem a troco de mais nada que seja ajudar o meu Partido para através dele ajudar o País por isso lhe peço enquanto meu Presidente que não deixe que brinquem com o meu tempo, com o meu dinheiro e com a minha ideologia.

Ao dispor.

Saudações sociais-democratas
Luisa Vaz (militante nº 69338)

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Uma estratégia para reganhar Portugal

 

Aproximam-se mais uma vez eleições autárquicas e o xadrez político volta a movimentar-se. Candidatos que “renovam os votos”, caras novas que aparecem, pessoas que não se falavam há quatro anos voltam a mostrar vontade de estar juntas. O clima de campanha e de consequente queixume/ festa faz as delícias das pessoas e da comunicação social.

É sem dúvida uma boa forma de andarmos entretidos e perdermos a noção do mal que andam há quase dois anos a fazer ao País.

A este propósito e numa conversa informal, perguntaram-me o que faria se fosse Passos Coelho para reganhar o País e as pessoas. A minha resposta inicial é que quem percebe um pouco disto só tem que estar desejoso que ele volte à ribalta e às vitórias rapidamente mas quem vota muitas vezes só se interessa com o “ópio do povo”, ou seja, as boas noticias e a ilusão de riqueza que a Esquerda tão bem cria na mente dos mais distraídos. Na mente dos “sofredores da crise” a mensagem que fica é “que o País pode viver longe das amarras da austeridade.” Não percebem no entanto que esta não só não terminou como lhes foi prometido como foi aumentada substancialmente por via dos impostos indirectos. Mas a isso os incautos respondem: “ a vida está mais cara, a culpa é do Euro”, sem a mínima noção da carga absurda de impostos que é taxada neste País.

Confrontada com esta dura realidade fui obrigada a elaborar um pouco mais e eis as conclusões a que cheguei e o que considero que poderia ser feito por Passos Coelho para cativar novamente a atenção das pessoas visto que elas parecem ter um grave problema com a verdade e a frontalidade e preferem cenários irreais e cor-de-rosa.

Em primeiro lugar, assim que lhe fosse possível Passos deve limpar o Partido. Todos sabemos qual o nome e apelidos do cancro que o mina de dentro para fora e quem são as pessoas que se auto-beneficiam e beneficiam os amigos através das suas ligações ao Partido e ao Poder.

No meu entender, para que nos guie na limpeza da “nossa casa”, Passos deve primeiro e sem medo limpar a sua retirando a militância a todos aqueles que de uma forma ou de outra não respeitem os Estatutos ou não cumpram no seu quotidiano os preceitos da Social-Democracia. Não é difícil fazer esta avaliação e isso faria com que ganhasse o respeito e a consideração das pessoas pois seria considerado como um acto de rectidão e coragem. O Partido não deve servir para catapultar ninguém e muito menos quem só se consegue orientar por via da Política.

Em segundo lugar, Passos deveria apresentar um Programa de Governo para as próximas legislativas tão ambicioso quanto Reformista de base Liberal. E o que significam estes palavrões?

Ora uma Economia de base Liberal é uma Economia que não depende do Estado para funcionar e que assenta nos mercados livres e na livre concorrência. Para que isto se torne possível é necessário que Passos assuma a necessidade de reescrever a Constituição da Republica Portuguesa (CRP) e todos sabemos como isso será difícil com o novo ocupante de Belém mas bem-feitas as contas, se Passos ganhar as Legislativas o senhor entretanto sai e dará lugar a outro com a cabeça mais assente em cima dos ombros e não tão virado à Esquerda como este. Se for pelo menos um pouco mais recatado e imparcial no desempenho do cargo eu já me dou por satisfeita.

Prosseguindo, a reescrita da CRP permitirá a Portugal acabar com muitos dos grilhos que impedem o seu desenvolvimento como sejam as divisões entre o sector público e privado, o sistema eleitoral, a orientação política que se pretende para o País e tantas outras questões. Passos necessita de explicar porque é que esta CRP não cumpre com os requisitos mínimos para o salutar desenvolvimento da Nação e argumentos válidos não faltam. Assim as pessoas percebam e dar-lhe-ão todo o seu apoio – excepto os Funcionários Públicos mas até aí há gente muito consciente que pode fazer a diferença.

Cumprido este pressuposto podemos passar às etapas seguintes que aliás estavam previstas no Programa de Governo que ganhou as últimas eleições legislativas. Assim temos: uma verdadeira Reforma do Estado e definição clara das suas funções. O Estado não deve estar em mercados regulados ou concorrenciais, deve fazer o seu papel de garante de equidade na elaboração e aplicação das regras e não vicia-las para benefício próprio; Reforma do Sistema de Segurança Social tendo em vista o seu prolongamento saudável no tempo atendendo a que vivemos tempos de “pirâmide invertida”. Uma das formas de a tornar mais sustentável seria uma aposta clara nas Politicas de Natalidade e aí há muito que pode ser feito; uma Reforma da Justiça – os primeiros passos foram dados com Paula Teixeira da Cruz mas as reversões e as asneiras do último ano e meio não só nos fizeram perder tempo precioso como não ajudam à fixação do tão necessário Investimento Directo Estrangeiro (IDE) pois os empresários não vão correr o risco de fazer investimentos avultados em Países com situações irregulares aos níveis da Justiça e Fiscal; Reforma Fiscal, é necessário que Portugal encontre outro caminho para se tornar sustentável – por via do crescimento e da geração de riqueza privada, por exemplo e não por via do aumento sucessivo de impostos. Uma carga fiscal mais baixa faria com que houvesse menos fuga aos impostos e que todos pagássemos. “Se todos pagarmos pouco, juntos pagamos muito”; Reforma da Saúde para que haja uniformização nos cuidados prestados e no numero de profissionais e meios necessários e por último mas não menos importante: Reforma Educativa traçando um plano que ensine as nossas crianças a pensar e a raciocinar e os nossos jovens a elaborar e produzir pensamento articulado de forma consistente. Uma juventude que não sabe falar não sabe pensar, não raciocina e não se expressa condignamente. Como não somos babuínos, convém que saibamos tirar o melhor proveito da nossa Língua pátria e nos saibamos expressar para que entendamos os outros e estes nos entendam. Esta acção pode parecer simplória mas tem uma repercussão enorme em termos sociais e de desempenho profissional.

Acrescento que para além destas áreas, o Estado deveria ter sob a sua alçada as Forças Militares e de Segurança e nada mais. Se se concentrar nestas áreas o Estado português já tem muito que fazer.

Este compromisso deveria ser assumido por todos os Partidos com assento parlamentar sem excepção e deveria ter como única linha orientadora o facto de ser o melhor para Portugal independentemente das ideias que cada líder político tem sobre as mais variadas matérias. Sem este compromisso será quase impossível que Portugal atinja a estabilidade de que necessita para fortalecer as suas contas e a sua posição interna e externa com carácter permanente e não transitório e dependente das condicionantes externas e factores como o Turismo ou as Exportações.

É uma tarefa difícil a que aqui proponho a Pedro Passos Coelho mas faço-o porque considero que ele é capaz de a desempenhar como ninguém e não tem medo das adversidades e dos obstáculos. Caso esta agenda merecesse o aval dos portugueses ele teria toda a margem para a negociar internamente e para fazer valer estas posições.

Portugal precisa de, de uma vez sair debaixo do jugo pseudo-colonialista e socialista onde foi enfiado pelos “pais fundadores da Democracia” e abrir-se a uma nova perspectiva global e a uma nova forma de estar mais arejada e mais livre de preconceitos e pré-conceitos totalmente ultrapassados e que já provaram não ter qualquer aplicabilidade pratica.

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O discurso da inconsequência

Após a segunda discussão com seu marido ela pegou suas malas e foi embora de casa. Ele ficou perplexo olhando as contas de água, energia, telefone. Queria apenas sentar e fazer com sua companheira o orçamento, planejar os gastos de casa. A mulher, contrariada, dizendo que não se sujeitaria a tamanha humilhação, fez as malas e partiu. “Papai nunca me fez passar por tamanha humilhação!”, esbravejou ela.

Outra história. Ele tem 30 anos. Fez direito. Após oito anos tenta arrumar um emprego e não consegue. Tentou duas vezes a prova da OAB mas não conseguiu passar. Pudera: esteve presente em seu curso em corpo físico, de alma estava há léguas dali, pensando apenas nas mordomias que o concurso público prometia. Carros importados, casa boa, regalia de levar o paletó para trabalhar e passar as tardes no clube. Santo concurso. Fez um, dois, quarenta, e nada! ” Mamãe bancava tudo. Virou um estudante, um concurseiro profissional, a “otária” da mamãe  custeia. Troca de cursinho para concurso, passa por todos na cidade. “Mamãe paga as contas”.

Um dos agentes democráticos da vida é a busca de nosso pote mágico de ouro, o gênio da lâmpada, o sapatinho de cristal, o gorro do Saci,a mega-sena acumulada, um malote de dinheiro perdido, algo que sacie nossos desejos sem esforço, a magia da felicidade. Todo mundo quer ser feliz, do bandido na penitenciária à madame com sua bolsa mágica de quarenta mil reais. é a base de pensamento dos políticos e dos funcionários públicos improdutivos.

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