PSD – Moção de Confiança

No debate quinzenal de hoje na Assembleia da República acabado há poucos minutos, o Líder Parlamentar do PSD, Hugo Soares, apelou ao Primeiro Ministro para apresentar uma Moção de Confiança ao seu Governo.

Estando programada a discussão e votação da Moção de Censura apresentada pelo CDS\PP para a próxima terça feira de que resultará a continuidade ou não do actual Governo, não consigo entender a razão da apresentação de uma Moção de Confiança.

Realmente o PSD teria sido ultrapassado pelo CDS\PP e viu-se obrigado a dizer por intermédio do seu ainda Líder Pedro Passos Coelho que, obviamente, votará favoravelmente a referida Moção de Censura.
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Notas breves a partir do silêncio

A minha presença neste blogue começou por me apanhar numa altura em que não só não acreditava que tivesse algo de importante a dizer, como não sentia especial interesse por nada do que me circunscrevesse neste circo mediático onde habito, como a isso se somava uma dúvida muito pouco metódica sobre as possibilidades da linguagem como ponte para um mais profundo entendimento entre as pessoas.

Claro que ela continua a ser fundamental para muitas actividades humanas essenciais, da ciência, das várias ciências, à política, passando pela cultura, pela economia. Talvez seja uma ideia herética para alguém que, como eu, se formou área da comunicação e da expressão, admito. Aí defendo-me com aquilo que a experiência teatral tem contaminado a minha vida: o interesse cada vez maior pelo paradoxismo do acto de comunicar.

Quantas e quantas vezes a nossa vontade de comunicar nos atrasa, nos dificulta, nos impede a melhor comunicação com o outro?

A importância do silêncio, a natureza verdadeiramente implosiva do silêncio.

Escrever isto num país habitado pela sombra tentacular de um salazarismo que, como referiu José Gil, promoveu em cada um de nós um “medo de existir”, pode parecer muito perigoso. Não se trata nunca de um “porque não te calas” arrogante, muito mais um “contra o ruído do mundo oponho o meu silêncio”.

Esta necessidade de ir em busca do silêncio é cada vez mais forte quanto cada um de nós parece uma bomba-relógio de agendas que nos são subtilmente sugeridas, impostas. Somos dispositivos expressivos e de comunicação, somos quase extensões dos objectos e dos pacotes de comunicação que compramos, e no entanto paradoxalmente, produzimos cada vez mais lixo ideológico.

O que é que acham disto?

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Gente que cuida de Gente

Um dos argumentos que tem sido utilizado pelo governo para não atender às pretensões dos enfermeiros é que as mesmas representam um elevado encargo orçamental e que o mesmo não consegue ser todo acomodado. É uma falácia, como ficará demonstrado.

Ora, é sobejamente sabido que os sindicatos até aceitam que não seja tudo para agora, pelo que a recusa peremptória do governo só revela que mais do que uma questão de impacto orçamental o que estamos a assistir é a uma recusa com base em pressupostos (preconceitos) políticos. É também inultrapassável que mudanças num grupo profissional num determinado sector geram ondas de impacto no restante sector além de ser necessário atender aos impactos sistémicos na restante Administração Pública e na sociedade em geral (nomeadamente no sector privado e social).

Mas, até agora, desconhecem-se quaisquer estudos nesta matéria, o que só reforça a tese de que estamos perante uma recusa política com base em opções que não são tornadas claras e em preconceitos. E é aqui que chegamos ao cerne da questão: às opções políticas e a quem tem a sua responsabilidade. Já se percebeu que desde o primeiro-ministro ao ministro das finanças todos se vieram pronunciar sobre o problema, o que quer dizer que o mesmo assumiu uma natureza sistémica e que implica uma abordagem integrada ao nível do Governo.

Mas era preciso tanto? Não, não era. E porquê? Porque quem devia ter desenhado uma solução que permitisse atender à resolução das injustiças mantendo o equilíbrio orçamental era o Ministro da Saúde.

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Ternura

Onde está seu carinho? Em que lugar enfiaste sua ternura? Pode me dizer onde habita sua suavidade? Por que tens coração duro, de pedra, frio? O que tens ganhado com toda sua razão, discursos, vontade de independência? Quantas coisas e pessoas perdeu na vida com agressividade, rispidez, crítica, dureza e belicosidade? Giovanni Pico della Mirandola traduziria onde esta seu reino angelical?

A crise de afetividade de nossos dias é raiz , matriz geradora de boa parte dos conflitos afetivos de nosso tempo. Especialmente fomentando o egoísmo, dificuldade de comunicação, isolamento, agressividade, competição, falta de respeito, a critica exagerada, impaciência, irritabilidade a agressão entre as pessoas. O absurdo de Camus hoje é revivenciado nas histórias do amor. Mas quem quer amar?

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Reclamar

Carinha de entendido, ar intelectual, sabe todos os nomes técnicos, jura que entende do assunto mas tudo não passa de verborragia. Não peça para efetivamente fazer nada, ele não vai dar conta mas …reclamar e achar defeitos… é a sua maior especialidade, especialmente naquilo que os outros fazem. É assim com as pessoas que vivem de reclamar, os rabugentos que diariamente tem uma opinião destrutiva para emitir e nada para fazer.

Reclamar é arte, e desta arte com roteiro, estilo, tendências, nuances existem os que apenas copiam a reclamação alheia como um cover. Sacro ofício dos crí­ticos literários, de música e dos rabugentos do existir. Assim reclamar pode ter erudição se for bem construí­do ou ser apenas o velho resmungo, entre dentes, um rosnado.

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Novos Partidos

Hoje, no Diário de Notícias,  o Nuno Garoupa escreve um artigo que aborda a questão da formação de novos partidos políticos em Portugal.

O futuro do nosso País preocupa-me muito, por isso, este é um tema que eu, o Nuno Garoupa e mais alguns amigos falamos de quando em vez.

Confesso que há dias que partilho da opinião do Nuno, mas confesso que tenho ocasiões – e os meus amigos sabem disso – quando um tipo de nome André Ventura é colocado na posição de referencial que divide o PSD sobre questões xenófobas ou uma (Á)gata qualquer – que me desculpem os fãs – aparece como candidata a uma Câmara Municipal pelo partido da D. Conceição Cristas, entendo que temos o dever cívico de colocar um travão a este caminho trumptista muito estreito e simultaneamente perigoso que PSD e CDS parecem querer começar a trilhar.

Ainda ontem uma pessoa muito importante na minha vida me dizia que achava que eu voltaria à vida política. Eu disse-lhe que não. E hoje continuo a pensar exactamente o mesmo.

Porém há momentos que sinto que pior que não conseguir formar um novo partido, que preencha o espaço do centro político moderado,  com sucesso é nunca ter tentado.

E este é o dilema que vivo, e que sinto que os meus amigos também sentem, em nome exclusivamente de um Portugal melhor para os nossos filhos e para as futuras gerações.

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Até breve

Há cada vez mais a ideia errada de que a política e os partidos são elementos dispensáveis à vida das pessoas. Essa ideia errada provocou o afastamento de muita gente da política, a cartelização dos partidos por gente de duvidosa capacidade e seriedade, o nascimento de movimentos independentes onde maioritariamente constam ex-dirigentes partidários nas suas cúpulas e a consequente descredibilização das estruturas representativas do Estado.

 

Por outro lado, a permanente incapacidade de governantes e governados para a necessária mudança de paradigma, leva a que o conformismo e a mediocridade sejam os principais reflexos dos atos públicos a que assistimos impávidos e serenos. Nos últimos tempos os exemplos são demasiados e graves.

 

Ao longo da minha vida, votei sempre na esperança de contribuir para a mudança de que precisamos para sermos um país desenvolvido, justo e próspero. Dou por falhado o meu voto na maioria das situações.

 

Chegado até aqui, seria bem mais fácil afastar-me da política e com isso ganhar o conforto do sofá que tantos e tantas apreciam. Seria até preferível (na opinião de alguns) deixar de intervir e abandonar o partido em que milito há 27 anos, algo que tantos acabaram por fazer para minha surpresa e tristeza.

 

Em face de tudo isto, optei por outro caminho. Serei candidato a presidente da assembleia municipal de Ponte de Lima, encabeçando a lista do PSD. Como não pretendo utilizar este espaço para qualquer referência à campanha eleitoral, suspendo a partir de hoje e até ao dia 1 de outubro a minha participação neste espaço de liberdade, agradecendo a todos os que me foram incentivando a escrever.

 

Deixo um abraço amigo e um rápido até breve.

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Os doentes em segundo lugar

Calma, por favor não me atirem já pedras que eu passo a explicar. Actualmente, quando se aborda o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é politicamente correcto e moda afirmar-se que o doente está em primeiro lugar, que devemos centrar a prestação dos cuidados de saúde no doente e que este deve ser o foco, quase exclusivo, do sistema de saúde. Pois… isto até devia ser verdade, mas o facto é que não se verifica porque não se reúnem as condições de base para que se atinja este desiderato.

Numa empresa, com uma cadeia de produção semi-automatizada, importa apenas colocar nos locais correctos os materiais devidos e esperar que o funcionário, independentemente do seu humor, de se sentir mais ou menos realizado profissionalmente, cumpra o seu dever de carregar no botão certo, aparafusar ou colar os materiais na medida e no tempo que lhe foi destinado/programado fazer. O acto do profissional é, praticamente e também ele, semi-automatizado e dá pouco espaço a inovação ou a falhas.

Na Medicina o panorama é completamente inverso. “A Medicina é uma arte”, porque depende do estabelecimento de uma relação de confiança e de empatia entre o doente e o seu médico. Cada acto médico requer um tempo que é, por vezes, difícil contabilizar porque depende de pessoas situadas em ambos os extremos da relação e está, assim, sujeito a variações grandes condicionadas pelas expectativas que cada um tem, pela forma como se interrelacionam e comunicam, pela necessidade de se recorrer a meios complementares de diagnóstico e da sua disponibilidade, pela obrigação de se buscar uma solução para cada problema apresentado, mesmo que não exista uma solução ideal, pela necessidade de se buscar consensos nas melhores soluções para esses problemas, e por mais uma série infindável de variáveis que encheriam várias páginas de escrita.

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