Novos Partidos

Hoje, no Diário de Notícias,  o Nuno Garoupa escreve um artigo que aborda a questão da formação de novos partidos políticos em Portugal.

O futuro do nosso País preocupa-me muito, por isso, este é um tema que eu, o Nuno Garoupa e mais alguns amigos falamos de quando em vez.

Confesso que há dias que partilho da opinião do Nuno, mas confesso que tenho ocasiões – e os meus amigos sabem disso – quando um tipo de nome André Ventura é colocado na posição de referencial que divide o PSD sobre questões xenófobas ou uma (Á)gata qualquer – que me desculpem os fãs – aparece como candidata a uma Câmara Municipal pelo partido da D. Conceição Cristas, entendo que temos o dever cívico de colocar um travão a este caminho trumptista muito estreito e simultaneamente perigoso que PSD e CDS parecem querer começar a trilhar.

Ainda ontem uma pessoa muito importante na minha vida me dizia que achava que eu voltaria à vida política. Eu disse-lhe que não. E hoje continuo a pensar exactamente o mesmo.

Porém há momentos que sinto que pior que não conseguir formar um novo partido, que preencha o espaço do centro político moderado,  com sucesso é nunca ter tentado.

E este é o dilema que vivo, e que sinto que os meus amigos também sentem, em nome exclusivamente de um Portugal melhor para os nossos filhos e para as futuras gerações.

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Até breve

Há cada vez mais a ideia errada de que a política e os partidos são elementos dispensáveis à vida das pessoas. Essa ideia errada provocou o afastamento de muita gente da política, a cartelização dos partidos por gente de duvidosa capacidade e seriedade, o nascimento de movimentos independentes onde maioritariamente constam ex-dirigentes partidários nas suas cúpulas e a consequente descredibilização das estruturas representativas do Estado.

 

Por outro lado, a permanente incapacidade de governantes e governados para a necessária mudança de paradigma, leva a que o conformismo e a mediocridade sejam os principais reflexos dos atos públicos a que assistimos impávidos e serenos. Nos últimos tempos os exemplos são demasiados e graves.

 

Ao longo da minha vida, votei sempre na esperança de contribuir para a mudança de que precisamos para sermos um país desenvolvido, justo e próspero. Dou por falhado o meu voto na maioria das situações.

 

Chegado até aqui, seria bem mais fácil afastar-me da política e com isso ganhar o conforto do sofá que tantos e tantas apreciam. Seria até preferível (na opinião de alguns) deixar de intervir e abandonar o partido em que milito há 27 anos, algo que tantos acabaram por fazer para minha surpresa e tristeza.

 

Em face de tudo isto, optei por outro caminho. Serei candidato a presidente da assembleia municipal de Ponte de Lima, encabeçando a lista do PSD. Como não pretendo utilizar este espaço para qualquer referência à campanha eleitoral, suspendo a partir de hoje e até ao dia 1 de outubro a minha participação neste espaço de liberdade, agradecendo a todos os que me foram incentivando a escrever.

 

Deixo um abraço amigo e um rápido até breve.

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Os doentes em segundo lugar

Calma, por favor não me atirem já pedras que eu passo a explicar. Actualmente, quando se aborda o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é politicamente correcto e moda afirmar-se que o doente está em primeiro lugar, que devemos centrar a prestação dos cuidados de saúde no doente e que este deve ser o foco, quase exclusivo, do sistema de saúde. Pois… isto até devia ser verdade, mas o facto é que não se verifica porque não se reúnem as condições de base para que se atinja este desiderato.

Numa empresa, com uma cadeia de produção semi-automatizada, importa apenas colocar nos locais correctos os materiais devidos e esperar que o funcionário, independentemente do seu humor, de se sentir mais ou menos realizado profissionalmente, cumpra o seu dever de carregar no botão certo, aparafusar ou colar os materiais na medida e no tempo que lhe foi destinado/programado fazer. O acto do profissional é, praticamente e também ele, semi-automatizado e dá pouco espaço a inovação ou a falhas.

Na Medicina o panorama é completamente inverso. “A Medicina é uma arte”, porque depende do estabelecimento de uma relação de confiança e de empatia entre o doente e o seu médico. Cada acto médico requer um tempo que é, por vezes, difícil contabilizar porque depende de pessoas situadas em ambos os extremos da relação e está, assim, sujeito a variações grandes condicionadas pelas expectativas que cada um tem, pela forma como se interrelacionam e comunicam, pela necessidade de se recorrer a meios complementares de diagnóstico e da sua disponibilidade, pela obrigação de se buscar uma solução para cada problema apresentado, mesmo que não exista uma solução ideal, pela necessidade de se buscar consensos nas melhores soluções para esses problemas, e por mais uma série infindável de variáveis que encheriam várias páginas de escrita.

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O discurso da inconsequência

Após a segunda discussão com seu marido ela pegou suas malas e foi embora de casa. Ele ficou perplexo olhando as contas de água, energia, telefone. Queria apenas sentar e fazer com sua companheira o orçamento, planejar os gastos de casa. A mulher, contrariada, dizendo que não se sujeitaria a tamanha humilhação, fez as malas e partiu. “Papai nunca me fez passar por tamanha humilhação!”, esbravejou ela.

Outra história. Ele tem 30 anos. Fez direito. Após oito anos tenta arrumar um emprego e não consegue. Tentou duas vezes a prova da OAB mas não conseguiu passar. Pudera: esteve presente em seu curso em corpo físico, de alma estava há léguas dali, pensando apenas nas mordomias que o concurso público prometia. Carros importados, casa boa, regalia de levar o paletó para trabalhar e passar as tardes no clube. Santo concurso. Fez um, dois, quarenta, e nada! ” Mamãe bancava tudo. Virou um estudante, um concurseiro profissional, a “otária” da mamãe  custeia. Troca de cursinho para concurso, passa por todos na cidade. “Mamãe paga as contas”.

Um dos agentes democráticos da vida é a busca de nosso pote mágico de ouro, o gênio da lâmpada, o sapatinho de cristal, o gorro do Saci,a mega-sena acumulada, um malote de dinheiro perdido, algo que sacie nossos desejos sem esforço, a magia da felicidade. Todo mundo quer ser feliz, do bandido na penitenciária à madame com sua bolsa mágica de quarenta mil reais. é a base de pensamento dos políticos e dos funcionários públicos improdutivos.

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Afinal, o que é governar um país?

Dou comigo a pensar se estes camaradas sabem o que é um país. E também me questiono se ainda sabem o que é governar um país.

Recordando velhas experiências e conhecimentos, julgo que não andarei muito longe se definir um país como uma plataforma de pessoas e recursos, gerida de forma a satisfazer necessidades com base nas disponibilidades.

Chegados aqui, outra questão surge: e como se governa um país? Talvez o óbvio pareça tão óbvio que nem damos conta de como é fácil definir a coisa da governação. Se afirmar que é orientar as políticas da governação para a preservação dos recursos, de modo a gerar satisfação das necessidades das pessoas que deles dependem, também não andarei muito longe de uma boa definição de governação.

Se atendermos ao exemplo de um país como Portugal, temos então um bom caso de estudo. As potencialidades naturais e os recursos endógenos do país não são o driver fundamental do modelo de desenvolvimento. As políticas económicas não orientam a correção dos desequilíbrios estruturais de gastar sempre mais do que se tem. E, finalmente, os políticos que governam o país de forma alternada entre direita e esquerda não querem conhecer o país.

É esta a nossa desgraça! Não temos governantes que aproveitem realmente o potencial natural de Portugal porque se dedicam a folclore imediatista em busca de votos que lhes garantam emprego e poder.

Enquanto o atraso educacional não for ultrapassado continuaremos reféns de medíocres e corruptos. Não sou eu que o escrevo. Estão em todo o lado na nossa sociedade, desde o madeireiro ao banqueiro. Uma verdadeira máquina de destruição de valor coletivo.

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Uma rotina infernal

Acordo. Vejo as notícias. 43 mortos. Assim. Reflito um pouco e recordo. Porque é que isto é uma rotina anual, infernal e que ceifa tantas vidas?

Os decisores políticos e os órgãos de comunicação social têm prestado (no geral) um péssimo serviço aos cidadãos. Sejam os do interior abandonado ou do litoral desordenado. Falham na competência e na honestidade em abordar a coisa. Os políticos em geral não sabem o que fazer com esta bomba relógio. Os jornalistas na sua maioria aparecem quando há muitos mortos e desgraças para contar.

Isto é apenas um sinal dos tempos que vivemos em que nada é pensado de forma estruturada. O negócio da madeira queimada, o negócio da construção em áreas convertidas em urbanizáveis (após incêndios) e o negócio do eucalipto cuja regulação nunca há-de ser suficiente, entre outros, são evidências que há muito deveriam ter sido tratadas com honestidade intelectual por parte de governantes e outros agentes implicados no problema. Mas não são. São abordadas com mediocridade e falta de competência técnica, científica e profissional!

O território fora das cidades é ignorado há demasiado tempo e deixou de ser uma preocupação de todos os que dele beneficiam. As pessoas não têm culpa dessa atitude porque não lhes explicam a importância do equilíbrio dos ecossistemas, do ordenamento da floresta e da gestão do sistema solo. É preferível vender-lhes programas de degradação civilizacional pela televisão. Vende muito mais um programa do faz de conta do que falar dessa coisa das florestas…

Ainda nem ao verão chegamos e temos já o pior incêndio de que há memória no país. Esta é uma das maiores catástrofes a que assistimos nas últimas décadas. Nem nos armazéns do Chiado morreram tantas pessoas… O que vão os políticos fazer agora?

Vou desligar das notícias. Não trazem nada de novo. Espero apenas que o presidente da república dos afetos caia na real.

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Pesadelos

“Sonhei que estava sendo perseguida por um bandido. Eu corria e tentava fugir. Ele já havia matado meu namorado, minha mãe e dois policiais. Eu corria, e ele atrás de mim. Estava nu e queria abusar de mim. Acordei assustada, gritando, suada, querendo chorar”. S, 24 Anos

“Sonhei que estava no alto de um edifício limpando uma janela, quando bateu um forte vento e então caí. Até agora a sensação de queda me dá calafrio, agonia, fico agitada, nervosa. Antes de bater no chão, acordei. Neste dia de manhã não consegui ir para o trabalho, fiquei trêmula, tensa, agoniada, o ar não cabia no peito”. P, 27 anos

“Sonhei que um bandido que foi morto na porta da minha casa pela polícia (no sonho, ele não estava morto) havia pulado o muro e, com um facão, dizia que ia se vingar. Peguei minha cartucheira e descarreguei no bandido, e ele não morria. Quanto mais eu atirava nele, mais ele ria de mim. Acordei agoniado, tenso, e assim que acordei fui ver se não tinha nada deestranho lá fora”. A, 32 anos

Os pesadelos ou sonhos de angústia são considerados  sonhos importantes  em um processo de psicoterapia  / análise por evidenciarem os conflitos do inconsciente. Normalmente ocorrem em períodos de vida conturbado, de transformações e mudanças sendo repetitivos aparecendo em várias noites consecutivas.

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Amanhecer num dia de abril

Mais um dia de abril e este bem especial. O 25 da liberdade, da democracia e do povo. Tudo coisas esquecidas ou engenhosamente ignoradas por um sistema que não traduz as ambições da revolução portuguesa.

O tal 25 de há 43 anos atrás aconteceu para termos cidadania participativa, justiça e liberdade. Não será muito injusto afirmar que estamos a meio do caminho desse grande projeto de afirmação nacional que é o 25 de abril de 1974.

Na verdade faltam-nos os cidadãos, falta-nos a justiça e temos uma liberdade de pequenos excessos que traduzem bem o atraso que ainda levamos nesta coisa do desenvolvimento. O estatuto chique do doutor ou do engenheiro parece continuar a ser mais importante que a educação, o conhecimento e os valores base sociais.

Os processos de justiça sejam mega ou nano são maioritariamente um exercício falhado de regulação do funcionamento da sociedade, além de se traduzirem num colossal gasto de dinheiros públicos.

As televisões e outros órgãos de comunicação social estão na base de um sistema de informação e entretenimento que vive refém de publicidade, avenças e grupos de referência altamente duvidosos.

Foi este o 25 que os nossos pais fizeram? Tenho a certeza que não. Talvez não fosse pior fazermos a parte do caminho que falta percorrer para que um dia os nossos filhos não tenham que viver sem liberdade, sem cidadãos participativos e sem justiça – as tais bases que citei da nossa democracia de 43 anos.

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