O discurso da inconsequência

Após a segunda discussão com seu marido ela pegou suas malas e foi embora de casa. Ele ficou perplexo olhando as contas de água, energia, telefone. Queria apenas sentar e fazer com sua companheira o orçamento, planejar os gastos de casa. A mulher, contrariada, dizendo que não se sujeitaria a tamanha humilhação, fez as malas e partiu. “Papai nunca me fez passar por tamanha humilhação!”, esbravejou ela.

Outra história. Ele tem 30 anos. Fez direito. Após oito anos tenta arrumar um emprego e não consegue. Tentou duas vezes a prova da OAB mas não conseguiu passar. Pudera: esteve presente em seu curso em corpo físico, de alma estava há léguas dali, pensando apenas nas mordomias que o concurso público prometia. Carros importados, casa boa, regalia de levar o paletó para trabalhar e passar as tardes no clube. Santo concurso. Fez um, dois, quarenta, e nada! ” Mamãe bancava tudo. Virou um estudante, um concurseiro profissional, a “otária” da mamãe  custeia. Troca de cursinho para concurso, passa por todos na cidade. “Mamãe paga as contas”.

Um dos agentes democráticos da vida é a busca de nosso pote mágico de ouro, o gênio da lâmpada, o sapatinho de cristal, o gorro do Saci,a mega-sena acumulada, um malote de dinheiro perdido, algo que sacie nossos desejos sem esforço, a magia da felicidade. Todo mundo quer ser feliz, do bandido na penitenciária à madame com sua bolsa mágica de quarenta mil reais. é a base de pensamento dos políticos e dos funcionários públicos improdutivos.

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Afinal, o que é governar um país?

Dou comigo a pensar se estes camaradas sabem o que é um país. E também me questiono se ainda sabem o que é governar um país.

Recordando velhas experiências e conhecimentos, julgo que não andarei muito longe se definir um país como uma plataforma de pessoas e recursos, gerida de forma a satisfazer necessidades com base nas disponibilidades.

Chegados aqui, outra questão surge: e como se governa um país? Talvez o óbvio pareça tão óbvio que nem damos conta de como é fácil definir a coisa da governação. Se afirmar que é orientar as políticas da governação para a preservação dos recursos, de modo a gerar satisfação das necessidades das pessoas que deles dependem, também não andarei muito longe de uma boa definição de governação.

Se atendermos ao exemplo de um país como Portugal, temos então um bom caso de estudo. As potencialidades naturais e os recursos endógenos do país não são o driver fundamental do modelo de desenvolvimento. As políticas económicas não orientam a correção dos desequilíbrios estruturais de gastar sempre mais do que se tem. E, finalmente, os políticos que governam o país de forma alternada entre direita e esquerda não querem conhecer o país.

É esta a nossa desgraça! Não temos governantes que aproveitem realmente o potencial natural de Portugal porque se dedicam a folclore imediatista em busca de votos que lhes garantam emprego e poder.

Enquanto o atraso educacional não for ultrapassado continuaremos reféns de medíocres e corruptos. Não sou eu que o escrevo. Estão em todo o lado na nossa sociedade, desde o madeireiro ao banqueiro. Uma verdadeira máquina de destruição de valor coletivo.

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Uma rotina infernal

Acordo. Vejo as notícias. 43 mortos. Assim. Reflito um pouco e recordo. Porque é que isto é uma rotina anual, infernal e que ceifa tantas vidas?

Os decisores políticos e os órgãos de comunicação social têm prestado (no geral) um péssimo serviço aos cidadãos. Sejam os do interior abandonado ou do litoral desordenado. Falham na competência e na honestidade em abordar a coisa. Os políticos em geral não sabem o que fazer com esta bomba relógio. Os jornalistas na sua maioria aparecem quando há muitos mortos e desgraças para contar.

Isto é apenas um sinal dos tempos que vivemos em que nada é pensado de forma estruturada. O negócio da madeira queimada, o negócio da construção em áreas convertidas em urbanizáveis (após incêndios) e o negócio do eucalipto cuja regulação nunca há-de ser suficiente, entre outros, são evidências que há muito deveriam ter sido tratadas com honestidade intelectual por parte de governantes e outros agentes implicados no problema. Mas não são. São abordadas com mediocridade e falta de competência técnica, científica e profissional!

O território fora das cidades é ignorado há demasiado tempo e deixou de ser uma preocupação de todos os que dele beneficiam. As pessoas não têm culpa dessa atitude porque não lhes explicam a importância do equilíbrio dos ecossistemas, do ordenamento da floresta e da gestão do sistema solo. É preferível vender-lhes programas de degradação civilizacional pela televisão. Vende muito mais um programa do faz de conta do que falar dessa coisa das florestas…

Ainda nem ao verão chegamos e temos já o pior incêndio de que há memória no país. Esta é uma das maiores catástrofes a que assistimos nas últimas décadas. Nem nos armazéns do Chiado morreram tantas pessoas… O que vão os políticos fazer agora?

Vou desligar das notícias. Não trazem nada de novo. Espero apenas que o presidente da república dos afetos caia na real.

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Pesadelos

“Sonhei que estava sendo perseguida por um bandido. Eu corria e tentava fugir. Ele já havia matado meu namorado, minha mãe e dois policiais. Eu corria, e ele atrás de mim. Estava nu e queria abusar de mim. Acordei assustada, gritando, suada, querendo chorar”. S, 24 Anos

“Sonhei que estava no alto de um edifício limpando uma janela, quando bateu um forte vento e então caí. Até agora a sensação de queda me dá calafrio, agonia, fico agitada, nervosa. Antes de bater no chão, acordei. Neste dia de manhã não consegui ir para o trabalho, fiquei trêmula, tensa, agoniada, o ar não cabia no peito”. P, 27 anos

“Sonhei que um bandido que foi morto na porta da minha casa pela polícia (no sonho, ele não estava morto) havia pulado o muro e, com um facão, dizia que ia se vingar. Peguei minha cartucheira e descarreguei no bandido, e ele não morria. Quanto mais eu atirava nele, mais ele ria de mim. Acordei agoniado, tenso, e assim que acordei fui ver se não tinha nada deestranho lá fora”. A, 32 anos

Os pesadelos ou sonhos de angústia são considerados  sonhos importantes  em um processo de psicoterapia  / análise por evidenciarem os conflitos do inconsciente. Normalmente ocorrem em períodos de vida conturbado, de transformações e mudanças sendo repetitivos aparecendo em várias noites consecutivas.

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Amanhecer num dia de abril

Mais um dia de abril e este bem especial. O 25 da liberdade, da democracia e do povo. Tudo coisas esquecidas ou engenhosamente ignoradas por um sistema que não traduz as ambições da revolução portuguesa.

O tal 25 de há 43 anos atrás aconteceu para termos cidadania participativa, justiça e liberdade. Não será muito injusto afirmar que estamos a meio do caminho desse grande projeto de afirmação nacional que é o 25 de abril de 1974.

Na verdade faltam-nos os cidadãos, falta-nos a justiça e temos uma liberdade de pequenos excessos que traduzem bem o atraso que ainda levamos nesta coisa do desenvolvimento. O estatuto chique do doutor ou do engenheiro parece continuar a ser mais importante que a educação, o conhecimento e os valores base sociais.

Os processos de justiça sejam mega ou nano são maioritariamente um exercício falhado de regulação do funcionamento da sociedade, além de se traduzirem num colossal gasto de dinheiros públicos.

As televisões e outros órgãos de comunicação social estão na base de um sistema de informação e entretenimento que vive refém de publicidade, avenças e grupos de referência altamente duvidosos.

Foi este o 25 que os nossos pais fizeram? Tenho a certeza que não. Talvez não fosse pior fazermos a parte do caminho que falta percorrer para que um dia os nossos filhos não tenham que viver sem liberdade, sem cidadãos participativos e sem justiça – as tais bases que citei da nossa democracia de 43 anos.

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GREVE DOS ENFERMEIROS

Concretizou-se a 8 de fevereiro a primeira reunião de 2017 entre o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) com o Ministério da Saúde. Recordo que deveria ter sido recebia uma proposta até 23 de novembro de 2016 tendo o atraso sido justificado pelo pronunciamento do Ministério das Finanças. Nesta reunião o Ministério da Saúde assumiu o compromisso de enviar a proposta até 20 de fevereiro e o SEP exigiu que fosse enviada a proposta integral, respeitante a todas as matérias e formalização do Protocolo Negocial:

1) Proposta sobre Avaliação do desempenho, Concursos e Organização do tempo de trabalho para os Contratos Individuais de Trabalho (CIT);

2) Proposta de regulamentação da Organização do tempo de trabalho para os CTFP.

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O mapa da corrupção no mundo

A Transparency International (TI) é uma ONG que se dedica há 27 anos a estudar a evolução do fenómeno da corrupção, em 178 países do Mundo, tendo por base os níveis de percepção da corrupção na administração pública.

Após uma análise dos dados tornados públicos pela TI verifica-se que os países do Norte da Europa, conjuntamente com a Nova Zelândia, lideram destacados o índice da Transparência Internacional. Por sua vez os países africanos continuam a ocupar os últimos lugares desta tabela.

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FRANCISCO LEITE CASTRO … PERFIL

Nasceu em Fafe a 18 de Fevereiro de 1943. Frequentou o Liceu de Guimarães e o Instituto Superior de Engenharia do Porto. Não concluiu o curso e cedo aderiu ao sector bancário. Trabalhou no antigo Crédito Predial Português, hoje Santander Totta, tendo tido a função de Gerente. Hoje, reformado bancário e viúvo , vive na cidade de Fafe. Foi o primeiro Editor da Revista The Lion em PORTUGUÊS no ano ano de 1986. Fundou a Revista” mensal ” o Farol” do Lions Clube de Leça da Palmeira e escreveu a história dos primeiros cinco anos de vida desse Clube Lion. Colaborou na revista ” O Informativo” do Lions Clube de Vila do Conde tendo sido seu editor durante vários anos.

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