Afinal, o que é governar um país?

Dou comigo a pensar se estes camaradas sabem o que é um país. E também me questiono se ainda sabem o que é governar um país.

Recordando velhas experiências e conhecimentos, julgo que não andarei muito longe se definir um país como uma plataforma de pessoas e recursos, gerida de forma a satisfazer necessidades com base nas disponibilidades.

Chegados aqui, outra questão surge: e como se governa um país? Talvez o óbvio pareça tão óbvio que nem damos conta de como é fácil definir a coisa da governação. Se afirmar que é orientar as políticas da governação para a preservação dos recursos, de modo a gerar satisfação das necessidades das pessoas que deles dependem, também não andarei muito longe de uma boa definição de governação.

Se atendermos ao exemplo de um país como Portugal, temos então um bom caso de estudo. As potencialidades naturais e os recursos endógenos do país não são o driver fundamental do modelo de desenvolvimento. As políticas económicas não orientam a correção dos desequilíbrios estruturais de gastar sempre mais do que se tem. E, finalmente, os políticos que governam o país de forma alternada entre direita e esquerda não querem conhecer o país.

É esta a nossa desgraça! Não temos governantes que aproveitem realmente o potencial natural de Portugal porque se dedicam a folclore imediatista em busca de votos que lhes garantam emprego e poder.

Enquanto o atraso educacional não for ultrapassado continuaremos reféns de medíocres e corruptos. Não sou eu que o escrevo. Estão em todo o lado na nossa sociedade, desde o madeireiro ao banqueiro. Uma verdadeira máquina de destruição de valor coletivo.

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O coração duro

Ela não perdoa. Coração frio, calculista. Mesmo com toda sua família pedindo para rever os fatos, pois é sua própria irmã. Implacável diante do erro alheio e generosa com os próprios defeitos. Ela não tem piedade e, compaixão é uma palavra que não existe em seu dicionário. Intolerância e raiva são comuns em seu cotidiano. Reclama que é infeliz mas não muda.
O problema da intolerância não é novo. Descrito em Isaías no antigo testamento, nos rituais da alcova de Sade, ou em Hamlet  de  William Shakespeare que diz: “impiedade  é a dor dos fracos”…covardia não é rara visto que tal tipo não encara de frente um problema. Aqui é o ponto em que o racionalismo é evidente. Pessoas de coração duro são extremamente racionais tendo justificativa para quase tudo, até para seu sofrimento.

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Cordão Umbilical das Especialidades em Enfermagem

As especialidades têm estado na ordem do dia, mais concretamente a questão da devida remuneração pelo trabalho especializado.

Mas importará um breve revisitar de alguns desenvolvimentos da questão das especialidades na enfermagem para se perceber como chegámos, onde chegámos, e anteciparmos o que poderá vir a acontecer a breve trecho.

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Enfermeiros Especialistas a custo Zero num SNS de Excelência? 

Centro Hospitalar Médio Tejo EPE, e Hospital de Guimarães lançaram um concurso para Enfermeiros Especialistas com a remuneração equivalente aos Enfermeiros de Cuidados Gerais! 
Os motivos por detrás destes concursos sugeriam o pior. Desta vez Ordem dos Enfermeiros e Sindicato dos Enfermeiros foram céleres a tomar uma posição. Bem haja. Espero que a atitude se repercuta em todas as outras dimensões, pois os tempos assim o exigem. 

Contudo enquanto tudo isto acontece, na maioria dos hospitais é-lhes reconhecida excelência clínica, o que me leva a questionar de que forma é que são avaliados tendo em conta a falta de respeito que tem sido exercido sobre os profissionais de saúde, nomeadamente os de Enfermagem. 

Pude verificar que é tudo baseado em indicadores de processo o que me leva a perguntar: 

PARA QUANDO AVALIAÇÃO PELOS GANHOS EM SAÚDE OU INDICADORAS DE RESULTADO?

Cada vez mais é preciso medir e traduzir o conhecimento em ganhos em saúde que os cuidados de ENFERMAGEM produzem. Infelizmente muita informação de nada vale se não for transformada em conhecimento. 

O ICHOM incita os prestadores de cuidados de saúde de todo o mundo a compararem os resultados em saúde, com os conjuntos padronizados por condição médica, para que os prestadores de cuidados de saúde possam aprender e melhorar globalmente.

Estes conjuntos padronizados de resultados medem os cuidados de saúde com base no valor que estes produzem efetivamente para o doente. Por valor, entende-se quão melhor ficou realmente o doente por consequência de uma intervenção médica e quanto custou chegar a este resultado. 

Medir com base no valor que os cuidados de saúde produzem para o doente pode realmente ser útil para todos os agentes do sistema de saúde – para os profissionais de saúde, para o Estado/para os financiadores dos sistemas de saúde, para os gestores das organizações de saúde, e, claro, para os doentes.

Por isso colegas, o caminho é este. É demonstrar por A+B a quem não quer ver, que os Enfermeiros sejam generalistas ou especialistas têm muito valor a acrescentar e a dar em termos de Saúde. 

#AfirmarEnfermagem 

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«Portugal é “melhor” e “mais bonito” vezes infinito. Agora são os Açores»

Este título é do Público, no caderno Fugas, e encontrei-o há dias, por simples acaso, em versão on-line. Abri-o e li-o com interesse.

Logo no início percebia-se a sua importância. Para o país e para o Douro. Mas como não o encontrara pelas redes sociais, diligenciei partilhá-lo. Com algum custo, é verdade, mas lá consegui fazê-lo com sucesso. Foi para à página da Douro Generation.

Pode crer o leitor que a partilha não se deveu a qualquer tipo de saloismo. Mas se não somos nós a gostar do nosso país, a manifestar gosto pelo que é nosso, o que esperamos? Que sejam outros a fazê-lo? No caso trata-se de uma atividade económica exportadora, tão elogiada nos tempos que correm. E Portugal, dois dos seus destinos turísticos, aparecem na lista dos melhores e mais belos destinos do mundo. O prémio do European Best Destinations (EBD) das melhores paisagens da Europa foi atribuído aos Açores. O Vale do Douro também está na lista, na 11.ª posição. Num conjunto de (Ler Mais…)

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​Reconhecimento Enfermeiro Especialista ! 2014 VS 2017

No dia 25 de Setembro de 2014 estive na Assembleia da República para ouvir a discussão em. Assembleia da República da Petição  n.º 323/XII (3.ª) — Apresentada por José Galrinho e outros onde eu me incluo. 

O pedido era solicitar à Assembleia da República que reconhecesse a necessidade da categoria de Enfermeiro Especialista na Carreira Especial de Enfermagem.

De  facto,  há  enfermeiras/os  especialistas  que exercem  como  generalistas  seja  por  decisão própria  seja  por  imposição  do serviço. Registam-se  casos  de enfermeiras/os especialistas  que  exercem enfermagem  em serviços  que  enquadram  a  prática especializada nas dinâmicas   dos   serviços   por   oposição   a outros   serviços   onde   esse enquadramento  não existe.  

Há  enfermeiras/os  especialistas  que  são transferidas/os  para  serviços fora  da  sua  área de  especialidade,  sendo obrigadas/os  a regressar à  prática  como  enfermeiras/os  de cuidados gerais,  desperdiçando  a  respetiva  formação. 

Urge,  portanto,  aceitar  que  é  necessária  uma mudança  do  cenário  atual, que  deve  passar pelo  reconhecimento  da/o  enfermeira/o especialista  e pela  integração  da  categoria  de enfermeira/o  especialista  na  atual  Carreira Especial  de  Enfermagem. 

2017: Ontem para o primeiro-ministro António Costa, os números do INE “mostram que é possível alcançar melhores resultados” e “confirmam que a prioridade que foi dada à reposição de rendimentos das famílias portuguesas não comprometeu a competitividade, pelo contrário, reforçou a coesão e a confiança, que são indispensáveis ao crescimento”. In Observador

Assim,  ao  abrigo  das  disposições constitucionais  e  regimentais  aplicáveis, o que deveria acontecer neste momento para além de muitas outras coisas na Enfermagem seria:

1  – Reconheçer  a  necessidade  da/o  enfermeira/o  especialista; 

2  –  Integrar  a  categoria  de  enfermeira/o  especialista  na  atual  carreira Especial  de  Enfermagem.

Para quem não esteve presente recordo as palavras dos deputados naquele dia. Como gostava que hoje honrassem a sua palavra. 

Resumo:

Sr.ª Maria das Mercês (Partido Social Democrata): — Compreendemos as pretensões dos peticionários, contudo a situação do País, apesar das melhorias significativas que têm sido alcançadas, é ainda muito exigente, pelo que não se configura, no imediato, possível incluir no estatuto legal da carreira especial de enfermagem uma categoria de enfermeiro especialista.

Desejamos que logo que o contexto económico e financeiro do País o permita seja equacionada a revisão desta situação.

O Sr. José Junqueiro (Partido Socialista):  — Queria deixar explícita esta nossa disponibilidade real e lançar aqui um repto ao PSD e à maioria para, em sede de Comissão, podermos discutir quais são os avanços reais que a maioria, perante a nova situação, que, segundo diz, é de crescimento económico, está ou não disponível para reconhecer, concretamente, a pretensão expressa nesta petição.

A Sr.ª Carla Cruz (Partido Comunista Português): — A iniciativa agora em discussão traz à colação um dos muitos problemas com que os profissionais de saúde se confrontam. Defendemos que se deve valorizar económica, social e profissionalmente os enfermeiros e a sua carreira.

A Sr.ª Mariana Aiveca (Bloco de Esquerda): — Sr.as e Srs. Deputados, o argumentário é sempre o mesmo e ouvimo-lo aqui por parte do PSD: «quando a situação do País estiver melhor talvez demos seguimento a algumas das reivindicações dos trabalhadores».

A existência de enfermeiros especializados é uma realidade. Eles são absolutamente necessários para elevar a qualidade do nosso Serviço Nacional de Saúde e, nessa circunstância, o apelo que aqui deixamos é que, efetivamente, todos se sentem à Mesa e obriguem o Ministério da Saúde a reconhecer esta categoria profissional.

A Sr.ª Isabel Galriça Neto (CDS PP): — Do ponto de vista funcional, o título de enfermeiro especialista é indispensável para adquirir o grau de enfermeiro principal e, do ponto de vista do cidadão, do ponto de vista do dia-a-dia — e permitam-me que aqui o assinale —, todo o investimento feito na diferenciação dos mais de 13 000 enfermeiros especialistas traduz-se em mais-valias diárias para o cidadão.

Portanto, este é um esforço que, certamente, não pode ser negligenciado, é um esforço que não irá eliminar todas as injustiças, mas que, seguramente, irá garantir aquela que é a aspiração e justa reclamação não só dos enfermeiros mas de todos os funcionários da Administração Pública: que seja premiado o mérito, o empenho e o trabalho.

#AfirmarEnfermagem

#PalavraDadaPalavraHonrada 

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Somos Enfermeiros 365 dias.

12 de maio dia internacional do enfermeiro.

Bem sei que por norma a cada Dia Internacional está associado alguém que marcou o que esse Dia representa. Ao evocar esse alguém recorda-se a sua obra, obra essa que não foi feita num só Dia, antes nos dias de toda a sua vida. Partindo desse pressuposto, só tem interesse este tipo de comemoração se todos os dias contribuirmos para o que ele na verdade representa. Hoje, Ser enfermeiro.

Por sermos enfermeiros todos os dias reservo este dia- Internacional do Enfermeiro– para falar de vós e para vós cidadãos. Já antes o escrevi no entanto reforço somos enfermeiros porque vós existis e necessitais dos nossos cuidados de saúde. Desde a nascença até à idade de despedida somos parceiros neste caminho que é a vida. Esta parceria carece de responsabilidade e de responsabilização; de responsabilidade pela nossa parte e dos locais onde exercemos enfermagem, para que o ato de cuidar seja de excelência, de responsabilização por vossa parte impondo às instituições, prestadoras e reguladoras, a cumprirem o que lhe está atribuído- assegurar cuidados de saúde de excelência.

Não sendo eu apologista dos dias especiais, antes de pessoas especiais, assim sugiro que se lembre o dia Internacional do Enfermeiro, 12 de maio, como o dia 132 dos 365 dias do ano em que algures por ai haverá sempre um enfermeiro; seja no centro de saúde, seja no Hospital, seja no lar, seja em qualquer local perto de si os enfermeiros estarão atentos para o caso de necessitar dos seus cuidados.

Aproveito, este dia, para vos dizer que.

Sendo a saúde o bem mais valioso que nasce connosco não deixe que por desleixe seu este se deteriore. Para tal seja um atento observador, um responsável um insistente e exigente cidadão no exercício da sua cidadania batalhe para que os seus deveres e direitos no geral e na saúde em particular não passem a estar do lado de quem nos governa.

Como curiosidade histórica. O dia Internacional do Enfermeiro foi escolhido pelo Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN – International Council of Nurses) ser o dia 12 de maio por ser o aniversário do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.

Sugestão de leitura: Quem foi Florence Nightingale conhecida como “a dama da lâmpada” e a sua importância na guerra da Crimeia.

José António Costa Ferreira

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A montanha russa e o transtorno bipolar

A subida é lenta. No alto, uma paradinha para curtir o clima e a vista. Os segundos roubam da eternidade um suspiro. O coração vem à boca naquilo que desconhecemos, mas, sabemos, está por vir. E do alto ao nada, o ínfimo. No carro da vida, a emoção esperneia nos solavancos. Da montanha ao abismo, queda livre. O fio da existência se exprime no grito, a única voz sensata.  Sobrenome: desespero.

O transtorno bipolar é assim. Uma doença mental, das mais graves. Um quadro cheio de altos e baixos com profundas alterações do humor em que o paciente oscila entre períodos de uma elevação patológica do humor e aumento da energia e atividade (mania)- apresentando euforia, onipotência, sentindo-se  ilimitado,  perdendo noção de responsabilidade e de sua própria consciência, entrando por vezes nas psicoses(delírios). Cito como um exemplo uma paciente que atendi, que tinha sonhos megalomaníacos. Era bailarina e em seus delírios imaginava-se sendo reconhecida como a melhor do mundo, passando a viver como tal.

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