Je ne suis pas latrina

Esta semana tenho passado metade do meu tempo das consultas a tranquilizar os pacientes sobre a qualidade da cirurgia feita no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNGE).

Os últimos acontecimentos geraram na população alarme social, inquietação e duvida que impactam negativamente na eficácia do acto médico.

Desde 2003 tenho feito, como tantos outros colegas, neste hospital cirurgia de primeiro mundo com resultados de primeiro mundo, e que aliás tenho divulgado com orgulho pelas mais diversas latitudes.

Sei do que falo pois já trabalhei por longos períodos em Glasgow, em Paris e nos EUA, e não ficamos atrás. Verifico também com agrado que a qualidade de todos os profissionais de saúde deste hospital é sublinhada por todos os médicos estrangeiros que têm vindo aprender comigo.

Claro que as estruturas estão depauperadas, e não é uma falta recente mas de anos, mas o corpo clinico e assistencial do hospital são da melhor qualidade a nível nacional. Até por isso deveria ser dado ao CHVNGE um estatuto e um orçamento de paridade em relação aos demais hospitais do Grande Porto.

É nessa luta que todos devemos estar empenhados, e não em servir os torpedos que olham para hospital como uma coutada fácil de anexação por outros hospitais ou como palco de lutas politico-partidárias ou de projectos pessoais.

Estamos no CHVNGE para servir os doentes.

Óscar Alves

Médico Neurocirurgião

Gosto(35)Não Gosto(0)

Insónias – dicas para dormir direito

Você dorme bem? Consegue repousar e descansar? Como administra seu sono e repouso? Insónia é quando um travesseiro tem espinhos… e a cama pó de urtiga, espírito inquieto, pensamentos a vagar, tensão no corpo, dificuldade para relaxar, sono o dia todo, falta de concentração, perda de memória, dificuldades na área sexual, cansaço frequente, apatia e falta de vontade…os distúrbios do sono são complicados causando a médio prazo várias complicações severas orgânicas, crises nervosas, desequilíbrio intenso. Em minha pratica profissional como psicólogo clinico na área de saúde mental atendi vários pacientes que entraram em crise/ surto em casos de esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão, transtorno de pânico, impotência ou inapetência sexual e outras doenças após ficarem dias sem dormir direito.

(Ler Mais…)

Gosto(5)Não Gosto(0)

A minha intervenção na apresentação do Livro SALVAR O SNS.

Sem qualquer tipo de saudosismo sou do tempo em que a Saúde era pobre, o que para a época era normal. Enquanto criança também o SNS passou por este estádio de pobreza. Houve tempos, na sua fase de jovem, em que enriqueceu. Contrariando a normal evolução, na idade adulta, nomeadamente durante a vigência do último governo e devido às políticas liberais instituídas, não chegou a atingir a pujança expectável. Pensava eu de que, caso se tivesse mantido em funções o mais liberal dos governos que o SNS conheceu, este nem chegaria à idade da velhice. Errado! O Serviço Nacional de Saúde está a desmoronar-se. Estranha-me a passividade com que o “governo das esquerdas”, liderado pelo Partido Socialista, deixa a sua jóia da coroa entrar em morte lenta.

Certo que nos dizem que repor em 2 anos o que não foi investido e até mesmo retirado em 4-6 anos não é possível. Não sendo dogmático militante, antes pragmático praticante dentro do dogmatismo próprio das instituições, considero que mais já poderia ter sido feito. Há que priorizar para termos cidadãos satisfeitos e produtivos deve ter-se em conta 4 pilares que o estado não deve descuidar:

A saúde, a educação, a segurança e o estado social.

O estado a que o SNS chegou deve-se sobretudo à criação de taxas moderadoras, baixo rendimento dos cidadãos e sobretudo o baixo investimento por parte dos governos anteriores levando ao aparecimento de dois tipos de utilizadores:

Os que mais utilizou o SNS, os cidadãos com menos poder económico que, erradamente, julgavam não o estar a pagar e, por isso, não exigiam maior qualidade. O poder instituído fê-los acreditar que o Estado Social funcionava. Por serem estes os principais utilizadores dos hospitais do serviço público, e devido a estarem abrangidos por isenções, viam o financiamento fugir para o lado privado por via de…

…quem menos utilizava o SNS, os cidadãos de maior poder económico, que, recorrendo nomeadamente aos subsistemas ou seguros de saúde, acorriam a instituições convencionadas. Este dinheiro iria financiar os grandes grupos que controlavam a Saúde. Grupos esses que se vangloriam de cobrar mais barato pelos seus serviços: à custa da precariedade laboral dos seus profissionais e dos deficitários cuidados de saúde prestados, pois para o utilizador o que mais importava eram as condições, sobretudo hoteleiras, e, neste tempo “grande velocidade”, priorizar o rápido atendimento.

(Ler Mais…)

Gosto(3)Não Gosto(0)

SNS – Um país de loucos ou a historia trágica de um Centro de Saúde

PRIMEIRO ATO | A minha mãe, 84 anos, tem tendência para desenvolver ulceras varicosas. A ultima agravou-se ao ponto de ter que consultar o medico de família no Centro de Saúde de Miranda do Corvo, que prescreveu penso bissemanal.

A minha mãe, apesar da idade, da mobilidade reduzida, de viver cerca de 8 km do Centro de Saúde e de auferir uma pensão de reforma inferior a 300 euros/mes, não teve direito a ser tratada no domicilio e teve que se dirigir ao Centro de Saúde, duas vezes por semana, a expensas próprias (15€/viagem de táxi).

Ao fim de um mês de tratamento as feridas apenas tinham piorado apresentando até um cheiro desagradável, sem que por parte da “equipa de saúde” fosse tomada qualquer iniciativa alternativa.

A alternativa, face ao agravar da situação clínica, foi consultar um especialista privado, que prescreveu penso DIÁRIO, feito de forma diversa (usar apenas “betadine” em vez das pomadas/cremes anteriormente usados, por exemplo).

Obviamente que o tratamento teria que ser feito no Centro de Saúde que manifestou impossibilidade prática (apesar da minha reclamação) de o fazer no domicilio, por falta de recursos (!), apesar da evidente dificuldade física, alem da material, da doente se deslocar ao Centro de Saúde.

Mais uma vez a minha mãe teve que se “arrastar” e pagar as deslocações até ao Centro de Saúde.

Felizmente o problema resolveu-se em duas semanas.

(Ler Mais…)

Gosto(2)Não Gosto(0)

Janeiro Branco – algumas reflexões sobre a saúde mental

Por que algumas pessoas que sofrem com doenças mentais não melhoram quando em tratamento? Por que ainda existe tanta falta de informação e tantos tratamentos ineficazes? Por que o preconceito sobre a doença mental ainda é tão frequente? O que podemos fazer para ajudar?

Hoje vivenciamos uma epidemia crescente ligada as doenças mentais que crescem em progressão geométrica. A maior epidemia de nossa atualidade está nos casos de ansiedade. Uma fatia dos transtornos de ansiedade está nos casos de depressão para nós a segunda maior patologia de nosso século. É assustador observarmos a epidemia crescente dos vícios e compulsões e também a explosão nos casos de automutilação e suicídio. E o aumento considerável de pessoas apáticas, sem vontade, isoladas, em eterna crise existencial com inapetência ao trabalho e a socialização? A depressão, e demais transtornos seguem na lista evidenciando um problema mundial com pouco controle. E o que podemos e devemos fazer para ajudar?

(Ler Mais…)

Gosto(3)Não Gosto(0)

Greve dos Técnicos Superiores de Saúde

Os técnicos superiores de saúde, que integram o raio X, a ressonância magnética e áreas afins, estão em greve, há mais de duas semanas, sem que o governo apresente uma resposta ou sequer um pequeno princípio de acordo que possa ser negociado. Agindo de má-fé, o ministério tem vindo a adiar sucessivamente a discussão de uma solução, com o objetivo de desmoralizar os grevistas, vencendo-os por desgaste. Sendo um governo de esquerda e que apregoa a defesa dos direitos dos trabalhadores, é verdadeiramente incompreensível esta atitude.

(Ler Mais…)

Gosto(4)Não Gosto(0)

Conectados pela distância

Terapia a distancia funciona? Tem validade cientifica? É possível auxiliar uma pessoa em sofrimento em uma outra região remota?

Há alguns dias recebi um e-mail de uma portuguesa que vive em Tokyo com depressão solicitando tratamento e ajuda. Em Tokyo a paciente não tem acesso a psicólogos que falam português…o que podemos fazer para a auxiliar?

Psicoterapia “on lini “ para todos nós foi novidade, um aprendizado, uma realocação dos meios de terapia tradicionais para outro settting terapêutico, o redimensionar do espaço. Foram anos de discussão para chegar se a uma regulamentação a respeito aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia do Brasil o CFP que estabeleceu regras e normas ligadas ao código de ética, regulamentando a atividade de aconselhamento a distancia.

(Ler Mais…)

Gosto(1)Não Gosto(0)

A vida difícil dos enfermeiros

Infelizmente, por razões inerentes á minha saúde e de familiares meus, tenho sido cliente de alguns hospitais, nomeadamente Senhora da Oliveira, Pedro Hispano, IPO e S. João.

Em todos eles tenho encontrado enfermeiros dedicados, conscientes, preocupados e eficazes.

Aqui e ali cansados mas sempre motivados para exercerem dignamente o seu trabalho mesmo em momentos de fraqueza física que muitas vezes se vislumbra.

Sabemos que teriam razões para se desmotivarem pois não têm vindo a ser dignamente tratados pela tutela.

E não têm mesmo… Falta de incentivos, de horários dignos, de ordenados justos.

(Ler Mais…)

Gosto(6)Não Gosto(0)