A hipocrisia não tem limites!

Para todos aqueles que estão muito ofendidos com as reações das redes sociais a esta catástrofe há muito anunciada pela mediocridade das políticas públicas sobre o ordenamento do território, gestão da floresta e regulação de recursos, pergunto-lhes se o silêncio é de facto a melhor forma de respeitar os mortos? Pergunto-lhes ainda se esse silêncio se relaciona em parte com a colossal ignorância que impera por aí a propósito deste velho problema?

A hipocrisia não tem lugar no meu léxico e por isso escrevo (como já há muito tempo faço) sobre este tumor civilizacional. Com a desertificação do interior, o abandono das terras, a loucura da monocultura do eucalipto e a ausência de limpeza de matas, anunciou-se um futuro muito complicado.

Está agora a abrir-se uma espécie de caixa de Pandora. Tentam atirar-nos areia para os olhos com a justificação dos extraordinários e invulgares fenómenos da natureza porque não têm mais nada para ir buscar. Sabem mesmo do que estão a falar?

A natureza está apenas a reagir em cadeia a um processo muito simples: combustível, comburente, combustão. Qual destes elementos foi assim tão extraordinariamente imprevisível neste cenário de altas temperaturas numa região de enorme exploração de eucaliptal?

Quais foram as políticas públicas para a floresta nos últimos anos? Vá lá… Não é preciso ir muito longe..

 

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«Portugal é “melhor” e “mais bonito” vezes infinito. Agora são os Açores»

Este título é do Público, no caderno Fugas, e encontrei-o há dias, por simples acaso, em versão on-line. Abri-o e li-o com interesse.

Logo no início percebia-se a sua importância. Para o país e para o Douro. Mas como não o encontrara pelas redes sociais, diligenciei partilhá-lo. Com algum custo, é verdade, mas lá consegui fazê-lo com sucesso. Foi para à página da Douro Generation.

Pode crer o leitor que a partilha não se deveu a qualquer tipo de saloismo. Mas se não somos nós a gostar do nosso país, a manifestar gosto pelo que é nosso, o que esperamos? Que sejam outros a fazê-lo? No caso trata-se de uma atividade económica exportadora, tão elogiada nos tempos que correm. E Portugal, dois dos seus destinos turísticos, aparecem na lista dos melhores e mais belos destinos do mundo. O prémio do European Best Destinations (EBD) das melhores paisagens da Europa foi atribuído aos Açores. O Vale do Douro também está na lista, na 11.ª posição. Num conjunto de (Ler Mais…)

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O Sucesso do ON.2 – O Novo Norte

          Há dias, o JN publicou uma nota relativa ao encerramento do Programa “ON.2 – O Novo Norte”, destacando o seu sucesso.

Helena Teixeira da Silva, a autora da peça, realça o montante de investimento, “um envelope financeiro de cerca de 2,7 mil milhões de euros, a criação de quase oito mil empregos, o apoio a 605 novas empresas e mais de 500 projetos empresariais de inovação”.

A cerimónia de encerramento deste Programa, que integrava o QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), contou com a presença do Ministro do Ambiente Matos Fernandes e decorreu no Terminal de Cruzeiros do porto de Leixões, infraestrutura que pôde beneficiar do apoio financeiro desse programa regional. Carlos Lage foi ali lembrado, com todo o merecimento. Ora, todos aqueles que conhecemos Carlos Lage, sabemos do seu gosto pela leitura e por uma conversa sobre questões de filosofia, de cultura. Até, com graça, nos referíamos a ele como pessoa que andava sempre com um livro debaixo do braço. Julgo que ainda hoje é assim… Mas os resultados de “O Novo Norte”, se não desmerecem de pessoas de cultura, e não, também não deixam de evidenciar as virtualidades de bons gestores. Carlos Lage, enquanto Presidente, é o rosto mais visível de bons membros da Presidência, de bons membros da Unidade de Gestão, de bons serviços da CCDR-N, no Porto, em Vila Real, em Bragança, em Braga. Estes, a dar bom testemunho, aliás, das virtualidades da descentralização. (Ler Mais…)

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Choque, ou murro no estômago?

             Talvez os dois. Mas quando se pretende – será que se quer mesmo? – fazer do Douro um destino turístico, ou sub-destino, como alguns espíritos miudinhos preferem dizer, o se passou na estação do Pinhão e que um empresário da região me narrou há dias não pode acontecer. Não devia acontecer. Porque poder, lá isso pode. Tanto assim é que aconteceu mesmo. E foi por ocasião do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Quando se deve valorizar um Sítio classificado pela UNESCO Património da Humanidade, de todos e já não só dos durienses, custa a ouvir.

Pois, quatro turistas, sei lá, se fossem oito ou dez podia acontecer a mesma coisa, deslocaram-se da unidade em que estavam alojados para a estação do Pinhão e aí tomarem o comboio até ao Pocinho. (Ler Mais…)

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Coimbra2030: urgente mudança de atitude

 

Quais devem ser os conceitos chave do processo de construção de uma cidade/região que privilegie os ideais e seja capaz de identificar, avaliar e materializar boas ideias em benefício de toda a comunidade?

Por outras palavras, que variáveis devemos desenvolver para que a nossa cidade/região seja capaz de se tornar a escolha daqueles que procuram novas ideias e se identificam com essa atitude inconformada?

Nada desta discussão tem a ver com listas de pessoas. Constitui, na verdade, um debate prévio a cada projeto e tem a ver com um tipo de independência que é muito mal compreendida na nossa sociedade: a capacidade de em conjunto, sem objetivos relacionados com a circunstância pessoal de cada um, ser capaz de contribuir para o desenvolvimento de uma ideia global, a médio e longo-prazo, de cidade e região.

A escolha das pessoas deveria ser posterior a tudo isso, isto é, a escolha de pessoas deveria ser uma consequência do debate programático e de estratégia, permitindo que as lideranças se afirmem por isso mesmo, pela capacidade de liderar, e não por estratégias de pequeno grupo.

Na minha opinião, e tendo em conta a cidade em que vivemos, daria prioridade a 5 conceitos, todos eles relacionados com uma urgente mudança de atitude:

1) Inovação: ser capaz de introduzir sistematicamente novas formas de realizar, mais eficientes, mais preocupadas com o ambiente e com as pessoas;

2) Competência, profissionalismo e rigor: privilegiando com clareza a ideia de escolher os melhores e colocar o foco na capacidade de fazer bem as coisas no interesse de toda a comunidade;

3) Desenvolvimento de uma forte identidade local/regional: baseada em valores culturais e históricos que de alguma forma possam ser fatores de união e de um certo bairrismo;

4) Ideia clara de comunidade e de cidadania: é essencial que este conceito seja desenvolvido e considerado prioritário. Dele depende uma atitude inconformada de dedicação à comunidade, mas também da necessária valorização dos esforços que tenham a comunidade e os ganhos coletivos como objetivo essencial;

5) Abertura ao mundo: desenvolvimento de uma cultura que procure novas ideias e novas culturas, procurando incorporá-las, dando-lhes espaço, e permitindo que se desenvolvam.

Estou firmemente convencido, e isso guia a minha ação (por muito incompreensível que possa ter sido em alguns momentos), que a sociedade do futuro deve fomentar uma mudança radical de atitude, rejeitando os interesses de pequenos grupos e a promiscuidade entre o interesse público e o interesse privado, que são duas das principais causas da fraqueza económico-industrial relativa da cidade/região (e do país), transferindo o seu apoio para pessoas e grupos de pessoas com elevada competência técnica, elevados padrões éticos e que estão prontos a assumir responsabilidades a médio e longo prazo para a regeneração do tecido económico-industrial da cidade/região (e do país).

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Política de Cidades e Despovoamento

Por razões diversas, Vila Real proporcionou-nos recentemente alguns momentos de reflexão sobre uma temática tão atual como importante para esta região da qual, por tradição, ou por lembrança do tempo das províncias ela é considerada capital.  Foi o Seminário sobre “Reabilitação Urbana e os Instrumentos de Financiamento” e o Programa da RTP 1 “Prós e Contras” sobre “Despovoamento do Interior”.

Cidades e Interior não são, à partida, antagónicos. Mas podem estar em polos distantes, se nada de diferente se fizer no que respeita às políticas de desenvolvimento. Não basta um bom Programa Nacional de Coesão Territorial. É preciso uma outra atitude do poder central que passe à fase de executar as medidas que nele constam.

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Candidaturas independentes em Coimbra?

 

Hoje o Diário As Beiras aborda o tema das candidaturas independentes em Coimbra. O assunto é introduzido por Ricardo Castanheira e pelo diretor do jornal Agostinho Franklin, sendo depois argumentado por José Manuel Silva (ex-bastonário da Ordem dos Médicos) e por mim próprio (J. Norberto Pires).

Convido-vos todos a ler e a perceberem as razões apresentadas por duas pessoas que consideram essencial a existência de candidaturas independentes. Da minha parte, deixei, de novo, muito claro o que penso e aquilo que deve ser uma candidatura independente, a qual deve ser protagonizada por alguém com pensamento sobre Coimbra.

Pessoalmente estarei também muito atento à possibilidade de contribuir para uma candidatura ganhadora, isto é, uma candidatura que conheça bem o que deve ser feito e que perceba como se deve constituir.

O único cenário de interesse para a cidade e região é, no meu ponto de vista, uma candidatura que seja capaz de mobilizar – tendo por base pensamento crítico de anos e a participação em projetos concretos – as melhores soluções em termos de equipas e estratégias para Coimbra. Só uma candidatura assim tem potencial para gerar esperança, convencer as pessoas e ganhar pela diferença.

O texto (em PDF) pode ser encontrado neste link:
https://www.dropbox.com/s/s96imu5prd7dwfj/4_5_pdf.pdf?dl=0

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Região Centro: a culpa desta nossa SINA é somente nossa.

 

Jaime Ramos, ex-Governador Civil de Coimbra, escreveu um artigo no Campeão das Províncias onde lamenta, e muito bem, a falta de iniciativa de Coimbra e da Região Centro, a propósito da decisão de alargar o Aeroporto da Portela para o Montijo esquecendo de forma ESCANDALOSA a região centro de Portugal.
Leia aqui.
Percebo, apoio a sua indignação… mas fico abismado.
Mas o que seria de esperar com as lideranças que temos na Região Centro de Portugal?
Eram de esperar coisas diferentes?
Quando os partidos, por razões de mera tática de curto-prazo, “joguinhos” de interesses, não se respeitam nem se dão ao respeito, cedendo a interesses mesquinhos, estão à espera de exatamente o quê senão esta IRRELEVÂNCIA?
Onde estavam as pessoas que muito se indignam agora, quando muitas alterações foram executadas, pessoas afastadas, etc., só porque defenderam a região?
Não se calaram?
Todas?

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