Um mundo melhor é possível

No rescaldo das eleições intercalares americanas de ontem considero a eleição de Alexandria Ocasio-Cortez para o congresso americano como o facto mais relevante sobretudo pelo simbolismo que encerra. Ontem no seu discurso de vitória recordou as motivações da sua candidatura dizendo que “não lançamos esta campanha por achar que era única, especial ou melhor do que ninguém. Lançamos esta campanha porque na ausência de alguém que tenha uma posição clara sobre as questões morais do nosso tempo, então cabe-nos a nós expressá-las”.

Alexandria era uma jovem americana, como muitos outros milhões de jovens americanos, desiludida com as propostas dos políticos convencionais. Não sentia que as suas preocupações eram as preocupações dos políticos americanos.

As preocupações de Alexandria são também as preocupações de milhões de jovens em todo o mundo que não se reveem na actual classe politica mundial.

Alexandria não se resignou. Teve a coragem de arriscar e dar a cara pelos seus valores morais e ideais. A sua mensagem política, próxima dos que mais sofreram com a crise e com algumas das decisões de Trump, foi clara: saúde para todos, redução das propinas – Alexandria encontra-se ainda a pagar os seus estudos em Economia e Relações Internacionais na Universidade de Boston -, emprego para todos, abolição da agência de controle da imigração, responsável por grande parte do programa de deportação levado a cabo por Donald Trump. Foi a votos e ganhou estrondosamente. Há um ano quando começou a campanha servia às mesas num restaurante em Manhattan. Agora é a mais jovem congressista da história americana. Tem apenas 29 anos. É de origem porto-riquenha nascida no conhecido bairro do Bronx. As suas raízes não a impediram de lutar pelos seus sonhos.

Alexandria Ocasio-Cortez é a prova que vale a pena acreditar que as coisas podem mudar. Que não podemos desistir. Que existe um caminho para percorrer. Que temos que acreditar e lutar convictamente pelos nossos valores morais e ideais porque um dia pode ser tarde demais. Tal como como afirmou Alexandria no seu discurso de ontem “a better world is possible”. Eu também acredito nisso. Alexandria é o exemplo vivo de que vale a pena acreditar, sempre!

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – área de Sociologia
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

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A Copa 2018 ou “Não, o futebol não é uma caixinha de surpresas”

Para Sayuri Koshima que ama frequentar copas

Não é mesmo. Aqui, no Brasil, afirma-se o contrário do que neguei nesse título. Justo aqui, onde o futebol sobrevive, e do passado, das suas cinco estrelas conquistadas mercê da glória e do poder investidos ao rei Pelé, mais a ingenuidade corajosa do anjo Garrincha, somadas, amparadas pela não pouca harmonia de times inteiros. Depois de já plantada a fama, tivemos a sorte de um baixinho bem arrogante que sabia fazer gols; hoje é político, e como todo o político brasileiro já não faz mais gols. Mas esse tinha o Bebeto, e um time que sabia se defender. Depois da quarta, veio a quinta, pelos pés do nosso Ronaldo, que bem diferente do Ronaldo português é um sujeito à brasileira, carioca, e embora tímido, de muita festa – um simpático de excessos -, que contava com um dos melhores do mundo, Rivaldo, e mais nove em 2002. Todos com um time, até o rei, até o anjo.

E que dizer da força consciente da noite em que Eusébio venceu Puskás e Di Stefano, do Real Madrid, por 5 a 3? Com esses craques em campo, só poderíamos ter o belo espetáculo que tivemos e nada mais. Nem foi surpresa quando a Argentina, nos pés e nas mãos de Maradona, ou de Deus, venceu os ingleses, ganhando a copa de 1986. Nada disso é surpresa, até porque, como obra divina, nem o VAR anularia aquele gol.

Nem mesmo o 7 a 1, na famigerada copa de 2014, trazida à luz por muita corrupção, saiu de uma caixinha de surpresas. Um time grosso, desfalcado de seu ícone, por uma falta gravíssima, jogou um jogo estúpido e desconectado, que o futebol latino-americano tem jogado por várias forças ocultas, que nestas plagas tudo dizima e apodrece. Uma exceção, diga-se da dupla mágica, do Uruguai, que também desfalcada por lesão, perdeu, neste julho, a dupla Cavani e Luizito que tanto se completavam – o que fez da vitória da França uma coisa anunciada. Alguns dos gols do 7 a 1, foram tomados com distância de segundos, o que prova a inépcia e a inconsciência dos brasileiros que estavam em campo.

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O papel dos novos partidos políticos no futuro de Espanha

Na passada sexta-feira o El PAIS publicou uma sondagem da Metroscopia que coloca o Ciudadanos de Alberto Rivera e Inés Arrimadas como o partido mais votado, em Espanha, com 28,3% claramente à frente do PP de Rajoy e do PSOE de Pedro Sánchez. Nesta sondagem os novos partidos – Ciudadanos e Podemos – somam mais intenções de votos que os tradicionais PP e PSOE.

Existem várias razões para explicar esta tendência ascendente do Ciudadanos. Em primeiro, o seu excelente resultado nas recentes eleições na Catalunha. Os eleitores perceberam que o Ciudadanos, o partido mais votado sob a liderança da jovem, bonita e inteligente Inés Arrimadas, foi o único a enfrentar com sucesso o desafio da independência. Este resultado eleitoral projectou o Ciudadanos em toda a Espanha como um partido vencedor.

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«Portugal é “melhor” e “mais bonito” vezes infinito. Agora são os Açores»

Este título é do Público, no caderno Fugas, e encontrei-o há dias, por simples acaso, em versão on-line. Abri-o e li-o com interesse.

Logo no início percebia-se a sua importância. Para o país e para o Douro. Mas como não o encontrara pelas redes sociais, diligenciei partilhá-lo. Com algum custo, é verdade, mas lá consegui fazê-lo com sucesso. Foi para à página da Douro Generation.

Pode crer o leitor que a partilha não se deveu a qualquer tipo de saloismo. Mas se não somos nós a gostar do nosso país, a manifestar gosto pelo que é nosso, o que esperamos? Que sejam outros a fazê-lo? No caso trata-se de uma atividade económica exportadora, tão elogiada nos tempos que correm. E Portugal, dois dos seus destinos turísticos, aparecem na lista dos melhores e mais belos destinos do mundo. O prémio do European Best Destinations (EBD) das melhores paisagens da Europa foi atribuído aos Açores. O Vale do Douro também está na lista, na 11.ª posição. Num conjunto de (Ler Mais…)

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Cooperação transfronteiriça

           Em recente visita a Mondim de Basto, o Primeiro-Ministro António Costa anunciou que em finais de Maio terá lugar em Vila Real uma Cimeira Ibérica sobre o tema da Cooperação Transfronteiriça. Antes, pelo que pude ler na comunicação social, terá lugar uma Cimeira Interparlamentar Ibérica.

Ótimo! Os Governos e os Parlamentos a analisar em conjunto os interesses, os anseios dos dois países, das regiões que a História separou, mas que a Geografia manteve próximas e que os Homens de um lado e do outro do que se convencionou chamar fronteira sempre souberam tornar território comum. E Vila Real em alta! (Ler Mais…)

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Donald Trump: a hiper-realidade de um louco

Eu já vi de tudo nesta vida.

São 47 anos que passaram à velocidade da luz, agora, visto assim.

Vi muros caírem, vi revoluções sem sangue derramado, vi a CEE, vi a Perestroika, vi os Stones, vi velhos ditadores morrerem, vi tsunamis – coisa que, até então, só em filmes e, foi a partir daí que comecei a acreditar que tudo é possível -, vi Mandela livre, vi Steve Jobs inventar-nos, vi, até, Portugal ser campeã da Europa, em futebol.

Mas, nunca esperei ver o que tenho visto, nestes primeiros dias do ano novo.

Confesso, tenho tido uma vida com mundo, uma vida cheia, pessoas, viagens, aprendizagem, desafios e confrontos, mas nunca tinha visto nada como agora, apesar de acreditar que o impossível é possível.

O 45º presidente dos Estados Unidos da América é um psicopata.

Donald Trump é um psicopata.

Pior, é que não há registos de um único psicopata que não seja perigoso.

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