Gente que cuida de Gente

Um dos argumentos que tem sido utilizado pelo governo para não atender às pretensões dos enfermeiros é que as mesmas representam um elevado encargo orçamental e que o mesmo não consegue ser todo acomodado. É uma falácia, como ficará demonstrado.

Ora, é sobejamente sabido que os sindicatos até aceitam que não seja tudo para agora, pelo que a recusa peremptória do governo só revela que mais do que uma questão de impacto orçamental o que estamos a assistir é a uma recusa com base em pressupostos (preconceitos) políticos. É também inultrapassável que mudanças num grupo profissional num determinado sector geram ondas de impacto no restante sector além de ser necessário atender aos impactos sistémicos na restante Administração Pública e na sociedade em geral (nomeadamente no sector privado e social).

Mas, até agora, desconhecem-se quaisquer estudos nesta matéria, o que só reforça a tese de que estamos perante uma recusa política com base em opções que não são tornadas claras e em preconceitos. E é aqui que chegamos ao cerne da questão: às opções políticas e a quem tem a sua responsabilidade. Já se percebeu que desde o primeiro-ministro ao ministro das finanças todos se vieram pronunciar sobre o problema, o que quer dizer que o mesmo assumiu uma natureza sistémica e que implica uma abordagem integrada ao nível do Governo.

Mas era preciso tanto? Não, não era. E porquê? Porque quem devia ter desenhado uma solução que permitisse atender à resolução das injustiças mantendo o equilíbrio orçamental era o Ministro da Saúde.

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Quem boicota os ENFERMEIROS?

A primeira, e mais lógica, resposta que nos apetece dar é: o Governo, através do Ministério da Saúde. (Tendo em conta que Médicos, TDT’s, Nutricionistas, Psicólogos e Farmacêuticos já viram suas carreiras revistas nos últimos dois anos)

Mas, será tal suficiente para justificar tamanha embirrice e preconceito contra os enfermeiros (Simplesmente a espinha dorsal, o maior grupo profissional na área da Saúde que está junto do doente 24 horas) ?

Não, não é.

É consabido que o Ministro da Saúde é um fã, numa relação de sentimento recíproco , do sector privado da saúde. Aliás, consta que mesmo antes do resultado das eleições de 2015 ser conhecido já os privados tinham feito chegar ao PS que, caso ganhasse, o Ministro deveria ser alguém como o actual, e idealmente ele.

Alguém que mantivesse PPP, ADSE e outras coisas que são o garante de vida dos privados (e a ver vamos onde vai parar a história da liberdade de escolha do hospital…) Portanto, uma ascendência política que se confirma e cujo casamento foi certamente apadrinhado pelo actual presidente da república.

Mas qual o interesse dos privados na questão dos Enfermeiros? É que qualquer melhoria no sector público representa pressão sobre o sector privado, que na saúde é menos representativo (ainda) que o público.

No caso dos médicos é ao contrário, dado que ganham bem mais no privado do que no público. Aliás, é lá que fazem dinheiro a sério. No caso deles, a pressão funciona ao contrário. Se o público não quer perder os melhores para o privado, tem de pagar mais. Assim se justifica o aumento de 43% de vencimento com o ACT de 2015, cujos valores querem agora manter mas com redução de parte da carga de trabalho associada.

E a esquerda? Onde anda a esquerda que eu defendo que é tão feroz contra os privados e que se indignou com a situação da PT e da Autoeuropa?

Essa esquerda sabe que está de mãos e pés atados na geringonça, e sabe que atacar uma injustiça que ocorre no sector público é atacar o governo e consequentemente a sua própria manutenção no poder.
Infelizmente é uma esquerda de circunstâncias, e não de princípios. Partidos como qualquer outro.

E à direita? Ora, parte da direita vai alimentando a própria contestação por via de actores-chave (sendo certo que daqui lavará as mãos quando já não lhe for conveniente) e sabe que não pode aparecer a defender justiça para os enfermeiros porque isso contrariará o discurso austeritário que teve durante 4 anos e que mantém.

Os Enfermeiros com responsabilidades políticas, na DGS e nas Comissões de Reforma do SNS também nada têm a dizer sobre o momento atual? Estão à espera das eleições para dizer alguma coisa?

Concluindo, os Enfermeiros estão entregues a si mesmos, sendo certo que outros inimigos aparecerão, como é o caso da Ordem dos Médicos que em mais um exercício de demagogia e sem qualquer pingo de vergonha na cara veio afirmar que os médicos substituirão os enfermeiros nos partos.

Portanto, irão substituir quem já os substitui (e não é só dos partos que estamos a falar…)?

O SNS está “a arder” e parece que não há ninguém para ser responsabilizado politicamente… já agora, o presidente dos administradores hospitalares, tão afoito em debitar opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, acha que é assim que se gerem recursos humanos? Ou acha que problemas de recursos humanos é a forma como os administradores são nomeados?

Esses sim, devem fazer muita diferença a quem entra por uma urgência adentro…

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Pensar e Agir sobre as Especialidades

Para que não haja qualquer tipo de dúvida, demonstro total apoio à concertação dos enfermeiros em torno do reconhecimento e valorização monetária da especialidade. Sejam elas através de vigílias, manifestações, vídeos de sensibilização e/ou greves. Contudo, é importante avaliar a forma como estas são feitas.

Deixar de Exercer Competências de Especialista é possível?

É algo que nos devemos preocupar e informar, para agirmos em consciência. Até porque não se trata de uma greve, já agora, porque nenhum sindicato o faz?

Por isso passo a partilhar e opinar sobre a informação que disponho sobre este tema de forma a podermos agir :

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Cordão Umbilical das Especialidades em Enfermagem

As especialidades têm estado na ordem do dia, mais concretamente a questão da devida remuneração pelo trabalho especializado.

Mas importará um breve revisitar de alguns desenvolvimentos da questão das especialidades na enfermagem para se perceber como chegámos, onde chegámos, e anteciparmos o que poderá vir a acontecer a breve trecho.

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Pedro Sampaio reforça equipa do Blogue Insónias

Pedro Sampaio

HABILITAÇÕES ACADÉMICAS

Licenciatura em Ciências Históricas pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique;

ACTIVIDADE PROFISSIONAL

Técnico Superior da Faculdade de Letras da Universidade do Porto;

Exerceu funções de assessoria à Direção da FLUP. Atualmente é responsável por parte da agenda cultural da Faculdade de Letras e colabora com o seu Centro de Linguística.

Colaborou com o Instituto de Língua Portuguesa da FLUP;

Fez parte de 1990/91 a 2001/2002 da Assembleia de Representantes da FLUP, membro do Conselho Diretivo da Faculdade e membro do Senado da Universidade do Porto.

Foi Secretário da Comissão Nacional de Avaliação Externa dos Cursos de História.

Director do Departamento Municipal de Museus e Património Cultural da CMP, entre Abril de 2010 e Setembro de 2012 e Chefe de Divisão Municipal de Museus e Património Cultural entre Setembro de 2012 e Janeiro de 2014.

Fez parte do Júri do Prémio “João de Almada” em representação da CMP, nas edições de 2010 e 2012;

Deputado pela Assembleia Municipal do Porto em 2009 e 2010;

Participou como orador em vários colóquios, debates e reportagens;

ARTIGOS PUBLICADOS

– Participação no Livro “CULTURA E SOCIEDADE”, com o artigo “BOAS PRÁTICAS DE GESTÃO CULTURAL”, p.173. Cordão de Leitura, 1ª Edição, CMP, abril de 2012.

– Artigo para as ATAS DO I CONGRESSO “VINHA E VINHO”, Porto, org. CEPESE, outubro de 2010, com o título: “O Museu do Vinho do Porto: criação, práticas e desenvolvimento”.

COORDENAÇÃO DE PUBLICAÇÕES

Coordenou, enquanto Diretor do Departamento Municipal de Museus e Património Cultural, a organização e elaboração das publicações:

MUSEUS DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO – Recordação Ilustrada das Coleções, ed. da Câmara Municipal do Porto, 2013, financiada pelo Programa Especial Regional do Norte ON2;

CATÁLOGO DOS 25 ANOS DO PRÉMIO JOÃO DE ALMADA, Caleidoscópio Editora, 2012.

PRÉMIOS NO ÂMBITO PROFISSIONAL

Prémio Nacional 2013 “Conservação e Divulgação do Património”, atribuído ao Banco de Materiais, da Divisão Municipal de Museus e Património Cultural da CMP, atribuído pelo projeto “SOS AZULEJO” da Polícia Judiciária. Presidente do Júri: Prof. Doutor Vítor Serrão. Recebido em Lisboa, em maio de 2013, no Palácio do Marquês de Fronteira;

Prémio “Parcerias 2013” atribuído ao projeto “Rota dos Museus” pelo ICOM (Instituto dos Museus e da Conservação), pelo Dr. João Neto, juntamente com outras Divisões da área da Cultura, da CMP e outros Museus da Cidade;

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Enfermeiros Especialistas a custo Zero num SNS de Excelência? 

Centro Hospitalar Médio Tejo EPE, e Hospital de Guimarães lançaram um concurso para Enfermeiros Especialistas com a remuneração equivalente aos Enfermeiros de Cuidados Gerais! 
Os motivos por detrás destes concursos sugeriam o pior. Desta vez Ordem dos Enfermeiros e Sindicato dos Enfermeiros foram céleres a tomar uma posição. Bem haja. Espero que a atitude se repercuta em todas as outras dimensões, pois os tempos assim o exigem. 

Contudo enquanto tudo isto acontece, na maioria dos hospitais é-lhes reconhecida excelência clínica, o que me leva a questionar de que forma é que são avaliados tendo em conta a falta de respeito que tem sido exercido sobre os profissionais de saúde, nomeadamente os de Enfermagem. 

Pude verificar que é tudo baseado em indicadores de processo o que me leva a perguntar: 

PARA QUANDO AVALIAÇÃO PELOS GANHOS EM SAÚDE OU INDICADORAS DE RESULTADO?

Cada vez mais é preciso medir e traduzir o conhecimento em ganhos em saúde que os cuidados de ENFERMAGEM produzem. Infelizmente muita informação de nada vale se não for transformada em conhecimento. 

O ICHOM incita os prestadores de cuidados de saúde de todo o mundo a compararem os resultados em saúde, com os conjuntos padronizados por condição médica, para que os prestadores de cuidados de saúde possam aprender e melhorar globalmente.

Estes conjuntos padronizados de resultados medem os cuidados de saúde com base no valor que estes produzem efetivamente para o doente. Por valor, entende-se quão melhor ficou realmente o doente por consequência de uma intervenção médica e quanto custou chegar a este resultado. 

Medir com base no valor que os cuidados de saúde produzem para o doente pode realmente ser útil para todos os agentes do sistema de saúde – para os profissionais de saúde, para o Estado/para os financiadores dos sistemas de saúde, para os gestores das organizações de saúde, e, claro, para os doentes.

Por isso colegas, o caminho é este. É demonstrar por A+B a quem não quer ver, que os Enfermeiros sejam generalistas ou especialistas têm muito valor a acrescentar e a dar em termos de Saúde. 

#AfirmarEnfermagem 

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​Reconhecimento Enfermeiro Especialista ! 2014 VS 2017

No dia 25 de Setembro de 2014 estive na Assembleia da República para ouvir a discussão em. Assembleia da República da Petição  n.º 323/XII (3.ª) — Apresentada por José Galrinho e outros onde eu me incluo. 

O pedido era solicitar à Assembleia da República que reconhecesse a necessidade da categoria de Enfermeiro Especialista na Carreira Especial de Enfermagem.

De  facto,  há  enfermeiras/os  especialistas  que exercem  como  generalistas  seja  por  decisão própria  seja  por  imposição  do serviço. Registam-se  casos  de enfermeiras/os especialistas  que  exercem enfermagem  em serviços  que  enquadram  a  prática especializada nas dinâmicas   dos   serviços   por   oposição   a outros   serviços   onde   esse enquadramento  não existe.  

Há  enfermeiras/os  especialistas  que  são transferidas/os  para  serviços fora  da  sua  área de  especialidade,  sendo obrigadas/os  a regressar à  prática  como  enfermeiras/os  de cuidados gerais,  desperdiçando  a  respetiva  formação. 

Urge,  portanto,  aceitar  que  é  necessária  uma mudança  do  cenário  atual, que  deve  passar pelo  reconhecimento  da/o  enfermeira/o especialista  e pela  integração  da  categoria  de enfermeira/o  especialista  na  atual  Carreira Especial  de  Enfermagem. 

2017: Ontem para o primeiro-ministro António Costa, os números do INE “mostram que é possível alcançar melhores resultados” e “confirmam que a prioridade que foi dada à reposição de rendimentos das famílias portuguesas não comprometeu a competitividade, pelo contrário, reforçou a coesão e a confiança, que são indispensáveis ao crescimento”. In Observador

Assim,  ao  abrigo  das  disposições constitucionais  e  regimentais  aplicáveis, o que deveria acontecer neste momento para além de muitas outras coisas na Enfermagem seria:

1  – Reconheçer  a  necessidade  da/o  enfermeira/o  especialista; 

2  –  Integrar  a  categoria  de  enfermeira/o  especialista  na  atual  carreira Especial  de  Enfermagem.

Para quem não esteve presente recordo as palavras dos deputados naquele dia. Como gostava que hoje honrassem a sua palavra. 

Resumo:

Sr.ª Maria das Mercês (Partido Social Democrata): — Compreendemos as pretensões dos peticionários, contudo a situação do País, apesar das melhorias significativas que têm sido alcançadas, é ainda muito exigente, pelo que não se configura, no imediato, possível incluir no estatuto legal da carreira especial de enfermagem uma categoria de enfermeiro especialista.

Desejamos que logo que o contexto económico e financeiro do País o permita seja equacionada a revisão desta situação.

O Sr. José Junqueiro (Partido Socialista):  — Queria deixar explícita esta nossa disponibilidade real e lançar aqui um repto ao PSD e à maioria para, em sede de Comissão, podermos discutir quais são os avanços reais que a maioria, perante a nova situação, que, segundo diz, é de crescimento económico, está ou não disponível para reconhecer, concretamente, a pretensão expressa nesta petição.

A Sr.ª Carla Cruz (Partido Comunista Português): — A iniciativa agora em discussão traz à colação um dos muitos problemas com que os profissionais de saúde se confrontam. Defendemos que se deve valorizar económica, social e profissionalmente os enfermeiros e a sua carreira.

A Sr.ª Mariana Aiveca (Bloco de Esquerda): — Sr.as e Srs. Deputados, o argumentário é sempre o mesmo e ouvimo-lo aqui por parte do PSD: «quando a situação do País estiver melhor talvez demos seguimento a algumas das reivindicações dos trabalhadores».

A existência de enfermeiros especializados é uma realidade. Eles são absolutamente necessários para elevar a qualidade do nosso Serviço Nacional de Saúde e, nessa circunstância, o apelo que aqui deixamos é que, efetivamente, todos se sentem à Mesa e obriguem o Ministério da Saúde a reconhecer esta categoria profissional.

A Sr.ª Isabel Galriça Neto (CDS PP): — Do ponto de vista funcional, o título de enfermeiro especialista é indispensável para adquirir o grau de enfermeiro principal e, do ponto de vista do cidadão, do ponto de vista do dia-a-dia — e permitam-me que aqui o assinale —, todo o investimento feito na diferenciação dos mais de 13 000 enfermeiros especialistas traduz-se em mais-valias diárias para o cidadão.

Portanto, este é um esforço que, certamente, não pode ser negligenciado, é um esforço que não irá eliminar todas as injustiças, mas que, seguramente, irá garantir aquela que é a aspiração e justa reclamação não só dos enfermeiros mas de todos os funcionários da Administração Pública: que seja premiado o mérito, o empenho e o trabalho.

#AfirmarEnfermagem

#PalavraDadaPalavraHonrada 

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