A Inovação e o Empreendedorismo na Transformação da Cidade

Data e local: 28 de Julho, 17:00, Auditório do IteCons em Coimbra

Evento: detalhes aqui.

 

Tópicos para debate

Qual é o papel da inovação na mudança necessária nas cidades?
Como pode ser usada?
Qual o impacto na governação da cidade?
Que políticas devem ser realizadas?
São fatores de inclusão?
Qual o impacto na cultura, na vida e na organização da cidade, na atração de investimento, na atividade económica?
É importante organizar comunidades, explorar a vizinhança?
Como devem ser organizadas?
E a atividade empresarial, como deve estar espalhada pela cidade?
Impacto no urbanismo?
Uma cidade que se reinventa todos os dias.
Uma cidade de oportunidades.
Uma cidade inclusiva.
Uma cidade aberta à participação de todos.

 

Jose Antonio Salcedo (Empreendedor, ex-Professor Universitário)*

Franquelim Alves (ex-COMPETE, ex-Secretário de Estado da Inovação)

J. Norberto Pires (Professor da UC)

 

* Relator do relatório “A Inovação na Transformação da Cidade”, realizado no Porto a convite do Vereador do Pelouro da Inovação e Ambiente

 

 

Gosto(1)Não Gosto(0)

O Porto e a Cultura

 

A Cultura é sempre “pedra de toque” de qualquer programa autárquico. Começa-se por escrever que se vai aumentar o orçamento, depois debitam-se uns clichés sobre trabalho em rede, tempera-se com umas referências às personalidades e temas da moda e, por fim, conclui-se que a nossa cidade tem de se afirmar por si própria no panorama internacional!

Neste mandato autárquico de Rui Moreira há claramente dois momentos: um com Paulo Cunha e Silva (PCS) e outro depois de Paulo Cunha e Silva. Em nossa opinião, apesar do excesso de “contemporaneidade” e de “futuro”, o então Vereador definiu uma estratégia: a cidade como o “equipamento” principal das atividades culturais. O conceito de “cidade líquida” inspirado em Zigmunt Bauman. E concretizou projetos muito interessantes!

Hoje, Rui Moreira vive ainda do que lhe deixaram. E, não encontrando na sua equipa mais alguém capaz de assumir o Pelouro, após o trágico desaparecimento de PCS, ficou com ele… Quando acabar o que o então Vereador idealizou, irá regressar à cultura avulsa e comprada, como nos tempos do Partido Socialista. Se do seu Vereador da Cultura herdou uma visão, de Rui Rio herdou a Cultura como alavanca da Coesão Social. Mas ignorou esse caminho e não tem completado essa visão.

E do que recebeu (leia-se: de Rui Rio) destacamos por exemplo, de entre 5 ciclos musicais, o “ Um Recital e uma Obra de Arte”, ou o “Fado no Museu”, a criação da Orquestra Juvenil da Bonjóia, o “Troque” (livros) na BM Almeida Garrett, as “Memórias com Sabor”, “Os Poemas saem á Rua”, o “Porto de Crianças”, o “Sair da Gaveta”, “A Rota dos Museus”, o “Música para Todos”, o “Documento do mês fora de portas”, a criação dos “Circuitos  Gastronómicos”, as diversas Visitas e Roteiros, o programa “Sentir o Porto através da Escultura”, o programa “Fazer e Aprender” entre muitos outros! Ou seja, de entre os 296 Projetos e Atividades de diversas tipologias dos mandatos do PSD, Rui Moreira aproveitou muito pouco. “Isto” da Cultura não começou em 2013…! E sem ultrapassar os orçamentos no consulado de Rui Rio. O que significa que para haver “Cultura”, não é preciso despejar milhões…

E, para além disso, não era necessário ter ido buscar uma Diretora Municipal da Cultura a Lisboa! O Porto tem profissionais e agentes culturais da mais elevada competência, visão e qualidade. Mas Rui Moreira, já o sabemos, combate o centralismo aliando-se a Lisboa…

Só assim, com o branqueamento de um passado muito recente, se pode afirmar, por exemplo, (como já foi dito) que “agora, finalmente o Porto tem a sua Galeria Municipal”. Pedimos desculpa por incomodar, mas a Galeria Municipal da Biblioteca Almeida Garrett, pelo menos entre 2010 e 2013 funcionou sempre, teve sempre programação diversificada, inovadora, foi um espaço de primeira água para cidade como, aliás, os restantes equipamentos culturais do município. Não descubram a pólvora! Ah…e teve sempre públicos em número de fazer inveja a muitas “Catedrais” ou “Templos” da Cultura!

É preciso envolver as Juntas de Freguesia num projeto cultural de cidade, mas também as famílias, as Instituições de Solidariedade Social, as Universidades, toda a nossa História e o nosso Património e também toda a região norte (sem comprar guerras com a Galiza ou municípios próximos…).

Será preciso agora uma outra visão: menos mainstream, menos futurista, mais territorial, menos lobística, mais educativa e mais social. Não é o que temos. Pode ser que as coisas mudem…

 

Pedro Sampaio

Gosto(4)Não Gosto(2)

Entre mundos – fronteiras do Eu

Tentando me fitar nos olhos diante do espelho me veio a imagem de vários que sou e quem fui. Nascido na Avenida Paulista, na maternidade Matarazzo, era uma mistura de pequeno indígena, brasileiro, um filho do Paraíso (bairro situado ao fim da avenida Paulista), de Alto da Lapa, com uma mistura orgânica de Portugal,  Campanhã e Marco de Canaveses. Várias metades de ser, miscigenação, interracial, talvez um mouro longínquo, musicalmente negro africano. Mas quem de verdade sou? De que elemento é constituída minha identidade?

Sempre questionei o bairrismo ou a ideia de identidade nacional ou a nacionalidade pura. Achava graça quando via discussões acirradas de primos querendo gerar polêmica sobre a melhor localidade do Porto como parte do atributo de sua própria identidade: sou melhor por que cresci nas Fontainhas ou nos arredores do estádio do Benfica? Quantas ideologias e identidades sobrepostas em narrativas e discursos auto biográficos perante nossa história? Quantas metades somos de existência? E quanta auto importância não nos damos diante de uma ideologia, de um imaginário, de uma narrativa que acentua fantasias para a construção de uma cultura ?

(Ler Mais…)

Gosto(19)Não Gosto(0)

Da tendência para o «nim» e de grosserias

 

Devo dizer que não gosto mesmo nada de uma certa tendência para o «nim» que tem vindo a verificar-se em certos artigos de opinião na imprensa periódica portuguesa de referência. Polvilhados de «bitaites» irónicos, geralmente bacocos, de argumentos dúbios e redigidos em linguagem e estilo pretensamente modernaços, esses artigos dão quase sempre uma no cravo e outra na ferradura, sem nunca acabarem por pender claramente para um dos lados. Há que manter uma certa dose de ambiguidade, sem ultrapassar o main stream politicamente correcto, não vá a coisa desagradar totalmente a gregos e a troianos. Há que saber manter todas as portas abertas! O pior (ou o melhor, depende do ponto de vista), contudo, é que muitas vezes nem os próprios autores sabem bem de que estão a falar. Convenhamos que esse tom intencionalmente ambíguo até dá um certo tom mais intelectual à coisa.

Não estou obviamente a defender, por outro lado, aqueles artigos inflamados que denotam uma visão simplista, a preto a branco, do mundo cada vez mais complexo em que vivemos. Estou a falar de artigos descomprometidos que, propositadamente, não são carne nem peixe. E que, por isso mesmo, tendem a suscitar (hélas!) polémicas completamente imbecis nas redes sociais, para gáudio dos seus vaidosos autores, geralmente ainda mais imbecis. Estou a falar de uma certa forma frouxa, mansa, pretensamente «pós-moderna» (seja lá o que isso for!) de escrever artigos de opinião. Na ânsia da inversão auto-encenada e fútil de estereótipos, esse género de artigos acabou por se estereotipar. Na verdade, como dizia Pessoa, «uma opinião é uma grosseria, mesmo quando não é sincera». E do que eu gosto mesmo é de «grosserias» destas, redigidas de forma clara, sem ambiguidades, e portadoras de pontos de vista fortes, objectivos, fundamentados, persuasivos e desassombrados. Do que eu gosto mesmo é de «grosserias» passíveis de me fazerem ponderar, e eventualmente mudar, as minhas próprias «grosserias». Felizmente, ainda há por aí muitas.

Gosto(33)Não Gosto(0)

Quando as escolhas de uns podem ser imposições para outros

O que me leva a escrever este artigo prende-se com o fervor a que tenho assistido na comunidade internauta portuguesa no que concerne às decisões que o recém-presidente eleito tem levado a cabo.

Comparando com o cenário político português, esta realidade deixa-me ainda mais perplexa pois em Portugal já há muitos anos que há uma clara manipulação da informação mas até ao senhor Trump ter inventado o conceito de “fake news”, ninguém por cá se parecia importar com o facto de estar a ser manipulado mas há uma onda de reacções violentas imediata cada vez que alguma dessas “so-called fake news” é utilizada por algum “anti-Trump”. (Ler Mais…)

Gosto(19)Não Gosto(0)

Abaixo os agelastas.

Ao contrário do que insinua com o subtítulo do seu último livro, Ricardo Araújo Pereira (RAP) não redigiu um manual de escrita humorística. Escreveu, sim, um ensaio sobre o humor e a filosofia que lhe é subjacente.

Já o título do livro remete para alguns factos da vida com os quais não gostamos de brincar: a doença, o sofrimento e a morte. Gostei muito de o ler e a sua leitura despertou-me várias considerações; discorrerei sobre duas delas. (Ler Mais…)

Gosto(29)Não Gosto(0)

O nóvel Dylan

Bob Dylan foi um dos meus ídolos de juventude, sempre segui a sua música e a sua carreira, desde as “protest songs” dos anos 60, ouvidas já nos 70, passando pela fase Nashville até às mais recentes deambulações politico-religiosas. Sempre achei única e fantástica a sua obra musical e lírica. Tem poemas de uma profundidade imensa e tem poemas de uma patente – e potente – frontalidade de intervenção. De tão incisivo, foi considerado o “enfant terrible” da América, proscrito pelos governos pró-vietname, trovador dos ostracizados e dos “low lifers”, dos pobres e dos desempregados.

(Ler Mais…)

Gosto(3)Não Gosto(1)