Uma rotina infernal

Acordo. Vejo as notícias. 43 mortos. Assim. Reflito um pouco e recordo. Porque é que isto é uma rotina anual, infernal e que ceifa tantas vidas?

Os decisores políticos e os órgãos de comunicação social têm prestado (no geral) um péssimo serviço aos cidadãos. Sejam os do interior abandonado ou do litoral desordenado. Falham na competência e na honestidade em abordar a coisa. Os políticos em geral não sabem o que fazer com esta bomba relógio. Os jornalistas na sua maioria aparecem quando há muitos mortos e desgraças para contar.

Isto é apenas um sinal dos tempos que vivemos em que nada é pensado de forma estruturada. O negócio da madeira queimada, o negócio da construção em áreas convertidas em urbanizáveis (após incêndios) e o negócio do eucalipto cuja regulação nunca há-de ser suficiente, entre outros, são evidências que há muito deveriam ter sido tratadas com honestidade intelectual por parte de governantes e outros agentes implicados no problema. Mas não são. São abordadas com mediocridade e falta de competência técnica, científica e profissional!

O território fora das cidades é ignorado há demasiado tempo e deixou de ser uma preocupação de todos os que dele beneficiam. As pessoas não têm culpa dessa atitude porque não lhes explicam a importância do equilíbrio dos ecossistemas, do ordenamento da floresta e da gestão do sistema solo. É preferível vender-lhes programas de degradação civilizacional pela televisão. Vende muito mais um programa do faz de conta do que falar dessa coisa das florestas…

Ainda nem ao verão chegamos e temos já o pior incêndio de que há memória no país. Esta é uma das maiores catástrofes a que assistimos nas últimas décadas. Nem nos armazéns do Chiado morreram tantas pessoas… O que vão os políticos fazer agora?

Vou desligar das notícias. Não trazem nada de novo. Espero apenas que o presidente da república dos afetos caia na real.

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Alice no País dos Idiotas

Alice caiu no buraco… mas foi uma queda longa, de 2 semanas.

Durante 2 semanas o país esteve na eminência de se tornar uma ditadura moral, onde quem não se vacinasse seria enviado para um iceberg de 10 por 10 em pleno Alasca.

Tudo por causa de um bebé de 13 meses que infectou uma jovem de 17 anos que acabaria por falecer. Ora, a primeira toma da vacina é aos 12 meses e aparentemente o bebé não estaria em condições para receber a vacina quando tinha 12 meses. Portanto, um mês de dilatação no tempo, justificada. Tudo perfeitamente normal. Já a jovem, não teria sido vacinada na sequência da recomendação de um médico que, face à reacção anafiláctica da jovem perante outra vacina, considerou que não seria adequado vaciná-la. Tudo perfeitamente compreensível à luz do senso comum.

Não obstante toda esta normalidade, conseguiu-se “injectar” na sociedade portuguesa uma discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação mais profundo que o tido relativamente às reformas impostas pela União Europeia.

A quem interessa esta discussão, para criar tal nível de spinning com alicerces tão frágeis? 

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​A MODA DE FALAR DO QUE NÃO SABEM!

Alguém que explique ao cronista do Expresso, Henrique José Raposo que parto natural não é sinónimo de parto em casa e que parto medicalizado não é sinónimo de avanço civilizacional. Se não sabe do que fala, não faça figuras tristes e leia o seguinte:

Um parto pode ser natural não recusando “ a intervenção da medicina e da civilização humana”, por isso, primitivo é dizer que um parto natural significa “ficamos reduzidos à mera condição animal”. Dou o exemplo das Mães D’ Água pelo parto na água em Portugal, que enaltecem o que já foi feito no SNS e ainda o é nos Hospitais e Clinicas Privados sempre com acompanhamento de Enfermeiros Obstetras.

O recente parecer da ACOG (nº 679, Novembro de 2016) relativo a “Immersion in Water During Labor and Delivery” recomenda que a imersão em água no primeiro estádio do trabalho de parto possa ser oferecida a mulheres saudáveis, com gravidez de termo, e sem complicações na mesma.

Numa altura em que o XXI Governo Constitucional, no seu programa para a saúde, estabelece como prioridade melhorar a qualidade dos cuidados de saúde através de uma aposta em modelos baseados na melhoria contínua da qualidade, e na valorização e disseminação de boas práticas e de garantia da segurança do utente nos serviços, será de todo desejável promover partos normais/ fisiológicos sempre que possível.

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CARTA ABERTA AO MINISTRO DA SAÚDE

A formação contínua dos médicos, bem como a dos enfermeiros e a dos farmacêuticos, é fundamental para qualquer organização de saúde mas é, acima de tudo, fulcral para os doentes por ela abrangidos, pois garante que lhes são fornecidos os melhores cuidados de saúde, segundo os mais elevados padrões de qualidade e de acordo com os conhecimentos mais avançados. É pela participação em eventos científicos a nível nacional e internacional que elevamos a Medicina portuguesa aos padrões a que hoje estamos habituados e que se comparam com os de todos os países desenvolvidos, quer a nível cirúrgico (com as cirurgias minimamente invasivas e com a cirurgia robótica), quer a nível da radioterapia (com a radiocirurgia, a radioterapia 4D e a possibilidade de, a curto prazo, se realizar em Portugal a radioterapia 6D), quer a nível de medicamentos (com a introdução dos medicamentos mais evoluídos a nível mundial, que permitem melhorar muito a qualidade de vida de inúmeros doentes crónicos e aumentar significativamente a quantidade da vida destes doentes).

Para quem não sabe ou pretende fazer de conta, a formação dos profissionais de saúde, após as suas licenciaturas ou mestrados, sempre foi, maioritariamente, assegurado pela indústria farmacêutica, quer através do patrocínio da frequência de cursos ou congressos quer apoiando a organização destes pelos serviços do Serviço Nacional de Saúde (SNS). No primeiro caso, os profissionais de saúde do SNS são obrigados a solicitar autorização ao seu director de serviço e ao conselho de administração da sua unidade de saúde, e a declarar esses patrocínios numa plataforma pública. No segundo caso, a relação entre o serviço que organiza o evento e a farmacêutica tem que ficar expressa na forma de contracto, entrando o dinheiro para as contas da unidade de saúde. Sempre que possível, a acção organiza-se nas instalações do centro que a promove, servindo o dinheiro que remanesecente para custear a formação e a investigação do serviço. O Ministério da Saúde e o SNS nunca tiveram nenhuma iniciativa para assegurar o necessário ensino contínuo dos seus profissionais, fossem eles médicos, enfermeiros ou farmacêuticos. Não têm nem nunca tiveram, nem estimularam, a que houvesse uma qualquer fatia do orçamento das unidades de saúde (que já de si é extremamente curto) alocado a este objectivo.

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Professor António Araújo, um humanista na liderança da Ordem dos Médicos no Norte

No próximo dia 19 de Janeiro serão eleitos os novos dirigentes da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos (SRNOM) para o triénio 2017-2019. Assim cessa funções o Dr. José Miguel Guimarães que é agora candidato a Bastonário da Ordem dos Médicos. Espero que seja o sucessor do Dr. José Manuel Silva. Por sua vez o Professor Doutor António Araújo é agora candidato à presidência da SRNOM.

Não, não sou médico, mas sim empresário com formação académica em Ciências Sociais, mais especificamente na área da Sociologia. Por isso alguns perguntarão porque estou a escrever sobre este tema. Muito simples. Porque, como todos nós, sou doente, mas também um cidadão atento ao que acontece à minha volta ao que acresce ainda a minha estima pessoal e profissional e a amizade que tenho pelo Professor Araújo. Por isso a minha consciência obriga-me a deixar o meu testemunho.

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Uma aplicação meteorológica que não falha

E se vos dissesse que existe uma aplicação mobile gratuita para android que há mais de três meses não falha nas previsões meteorológicas. Acreditavam?

E se vos dissesse que não é americana. Acreditavam na mesma?

Mais ainda. E se vos dissesse que esta app é gratuita, não tem publicidade e que apenas tem um milhão de utilizadores no mundo. Achariam normal?

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José Luís Fougo reforça Blogue Insónias

jose_luis_fougo

José Luis Fougo nasceu em Rio Tinto, Gondomar, em 1964. É casado, tem dois filhos, é católico e de espírito essencialmente conservador, portista e portuense militante. Vive para a família, para o trabalho e para… andar de mota.

Toda a sua vida se desenvolveu no Grande Porto. Licenciou-se em Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, enquanto trabalhador estudante, em 1988. Trabalhou como Médico desde então, no Hospital Geral de Santo António e no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Centro do Porto.

É especialista em Cirurgia Geral e Oncologia Cirúrgica, concluiu Mestrado em Oncologia e Doutoramento em Ciências Médicas com trabalhos sobre o estadiamento ganglionar aplicado ao cancro da mama.

Actualmente é o responsável pelo Centro de Mama no Hospital de São João e Professor Auxiliar no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Assume a escrita e esta participação social como um enorme desafio.

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Literacia em saúde e os ensaios clínicos

prof_antonio_araujo1Idiota, em ciência, denota um indivíduo com um QI igual ou inferior a 20, condição que o psiquiatra J. Ajuriaguerra comparava a pessoa com comportamentos equivalentes aos de uma criança com uma idade mental de dois anos.

Pois meus caros leitores, infelizmente vivemos num tempo em que elegemos um conjunto de “i…” para nos governarem. Pois que outra explicação haverá para que estes aprovem a retirada do IVA às terapias não convencionais (à actividade de bruxos, endireitas, quiropatas e de outras, todas acabadas em “patas”) e discutam actualmente aplicar este mesmo imposto às actividades de investigação clínica?

É certo que se nos ativermos ao significado literal da palavra IVA, imposto sobre o valor acrescentado, os “patas” e os bruxos realmente não produzem qualquer valor ao passo que a investigação científica produz conhecimento, que é em si e para toda a humanidade, um valor acrescentado. Os nossos governantes têm razão, isentem-se os “patas” e taxe-se a investigação clínica. Esta que é uma actividade fundamental para o desenvolvimento do conhecimento e da inovação, que contribui para a melhoria da saúde nas populações e do desempenho dos profissionais e das unidades de saúde, gerando cuidados mais eficazes, eficientes e adequados às necessidades. Os ensaios clínicos (ECs) garantem aos doentes um acompanhamento clínico de excelência, frequentemente auditado por entidades externas; permitem um acesso precoce à inovação terapêutica, possibilitando aos doentes o tratamento com fármacos de maior actividade e melhor perfil de segurança, podendo dar-lhes mais quantidade e melhor qualidade de vida. Os ECs proporcionam ao país inovação e credibilidade científicas, bem-estar social e desenvolvimento. Por último, os ECs poupam dinheiro ao SNS e aos doentes, pois todos os medicamentos e exames complementares envolvidos são custeados na íntegra pelos respectivos promotores.

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