Afinal, o que é governar um país?

Dou comigo a pensar se estes camaradas sabem o que é um país. E também me questiono se ainda sabem o que é governar um país.

Recordando velhas experiências e conhecimentos, julgo que não andarei muito longe se definir um país como uma plataforma de pessoas e recursos, gerida de forma a satisfazer necessidades com base nas disponibilidades.

Chegados aqui, outra questão surge: e como se governa um país? Talvez o óbvio pareça tão óbvio que nem damos conta de como é fácil definir a coisa da governação. Se afirmar que é orientar as políticas da governação para a preservação dos recursos, de modo a gerar satisfação das necessidades das pessoas que deles dependem, também não andarei muito longe de uma boa definição de governação.

Se atendermos ao exemplo de um país como Portugal, temos então um bom caso de estudo. As potencialidades naturais e os recursos endógenos do país não são o driver fundamental do modelo de desenvolvimento. As políticas económicas não orientam a correção dos desequilíbrios estruturais de gastar sempre mais do que se tem. E, finalmente, os políticos que governam o país de forma alternada entre direita e esquerda não querem conhecer o país.

É esta a nossa desgraça! Não temos governantes que aproveitem realmente o potencial natural de Portugal porque se dedicam a folclore imediatista em busca de votos que lhes garantam emprego e poder.

Enquanto o atraso educacional não for ultrapassado continuaremos reféns de medíocres e corruptos. Não sou eu que o escrevo. Estão em todo o lado na nossa sociedade, desde o madeireiro ao banqueiro. Uma verdadeira máquina de destruição de valor coletivo.

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A hipocrisia não tem limites!

Para todos aqueles que estão muito ofendidos com as reações das redes sociais a esta catástrofe há muito anunciada pela mediocridade das políticas públicas sobre o ordenamento do território, gestão da floresta e regulação de recursos, pergunto-lhes se o silêncio é de facto a melhor forma de respeitar os mortos? Pergunto-lhes ainda se esse silêncio se relaciona em parte com a colossal ignorância que impera por aí a propósito deste velho problema?

A hipocrisia não tem lugar no meu léxico e por isso escrevo (como já há muito tempo faço) sobre este tumor civilizacional. Com a desertificação do interior, o abandono das terras, a loucura da monocultura do eucalipto e a ausência de limpeza de matas, anunciou-se um futuro muito complicado.

Está agora a abrir-se uma espécie de caixa de Pandora. Tentam atirar-nos areia para os olhos com a justificação dos extraordinários e invulgares fenómenos da natureza porque não têm mais nada para ir buscar. Sabem mesmo do que estão a falar?

A natureza está apenas a reagir em cadeia a um processo muito simples: combustível, comburente, combustão. Qual destes elementos foi assim tão extraordinariamente imprevisível neste cenário de altas temperaturas numa região de enorme exploração de eucaliptal?

Quais foram as políticas públicas para a floresta nos últimos anos? Vá lá… Não é preciso ir muito longe..

 

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Uma rotina infernal

Acordo. Vejo as notícias. 43 mortos. Assim. Reflito um pouco e recordo. Porque é que isto é uma rotina anual, infernal e que ceifa tantas vidas?

Os decisores políticos e os órgãos de comunicação social têm prestado (no geral) um péssimo serviço aos cidadãos. Sejam os do interior abandonado ou do litoral desordenado. Falham na competência e na honestidade em abordar a coisa. Os políticos em geral não sabem o que fazer com esta bomba relógio. Os jornalistas na sua maioria aparecem quando há muitos mortos e desgraças para contar.

Isto é apenas um sinal dos tempos que vivemos em que nada é pensado de forma estruturada. O negócio da madeira queimada, o negócio da construção em áreas convertidas em urbanizáveis (após incêndios) e o negócio do eucalipto cuja regulação nunca há-de ser suficiente, entre outros, são evidências que há muito deveriam ter sido tratadas com honestidade intelectual por parte de governantes e outros agentes implicados no problema. Mas não são. São abordadas com mediocridade e falta de competência técnica, científica e profissional!

O território fora das cidades é ignorado há demasiado tempo e deixou de ser uma preocupação de todos os que dele beneficiam. As pessoas não têm culpa dessa atitude porque não lhes explicam a importância do equilíbrio dos ecossistemas, do ordenamento da floresta e da gestão do sistema solo. É preferível vender-lhes programas de degradação civilizacional pela televisão. Vende muito mais um programa do faz de conta do que falar dessa coisa das florestas…

Ainda nem ao verão chegamos e temos já o pior incêndio de que há memória no país. Esta é uma das maiores catástrofes a que assistimos nas últimas décadas. Nem nos armazéns do Chiado morreram tantas pessoas… O que vão os políticos fazer agora?

Vou desligar das notícias. Não trazem nada de novo. Espero apenas que o presidente da república dos afetos caia na real.

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Amanhecer num dia de abril

Mais um dia de abril e este bem especial. O 25 da liberdade, da democracia e do povo. Tudo coisas esquecidas ou engenhosamente ignoradas por um sistema que não traduz as ambições da revolução portuguesa.

O tal 25 de há 43 anos atrás aconteceu para termos cidadania participativa, justiça e liberdade. Não será muito injusto afirmar que estamos a meio do caminho desse grande projeto de afirmação nacional que é o 25 de abril de 1974.

Na verdade faltam-nos os cidadãos, falta-nos a justiça e temos uma liberdade de pequenos excessos que traduzem bem o atraso que ainda levamos nesta coisa do desenvolvimento. O estatuto chique do doutor ou do engenheiro parece continuar a ser mais importante que a educação, o conhecimento e os valores base sociais.

Os processos de justiça sejam mega ou nano são maioritariamente um exercício falhado de regulação do funcionamento da sociedade, além de se traduzirem num colossal gasto de dinheiros públicos.

As televisões e outros órgãos de comunicação social estão na base de um sistema de informação e entretenimento que vive refém de publicidade, avenças e grupos de referência altamente duvidosos.

Foi este o 25 que os nossos pais fizeram? Tenho a certeza que não. Talvez não fosse pior fazermos a parte do caminho que falta percorrer para que um dia os nossos filhos não tenham que viver sem liberdade, sem cidadãos participativos e sem justiça – as tais bases que citei da nossa democracia de 43 anos.

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Vende-se sistema de justiça!

Esta semana arrancou o processo dos vistos gold que tem tanto de mega quanto de absurdo. A classificação de mega provém da quantidade de testemunhas (mais de 400 pessoas) cirurgicamente escolhidas para que o processo nunca conheça o seu fim. O atributo de absurdo resulta do facto de este ser mais um processo em que se queimam rios de dinheiro para rigorosamente nada daquilo que é determinante fazer em Portugal – eliminar a corrupção.

As manobras dilatórias, as constantes encenações judiciais, o caráter extemporâneo com que tudo isto é depois julgado, resultam num falhanço total do sistema de justiça. E qualquer sistema existe para servir um propósito. No caso do sistema de justiça, ele existe para administrar justiça. No estado atual de toda a nossa máquina de justiça é difícil acreditar que a mesma administre efetiva justiça. São inúmeros os casos de processos de grande mediatismo que se arrastam nos tribunais sem qualquer resultado prático perante as circunstâncias que lhe estão na origem.

O estado de direito tão apregoado é pois uma enorme falácia porque não é já estado de direito de coisa nenhuma. Num estado de direito a justiça não se dá a luxos destes – de ter criminosos à solta e corruptos a governar os destinos do povo. Num estado de direito qualquer pai ou mãe podem educar os seus filhos sem os ter que privar de verem estas aberrações processuais através dos órgãos de comunicação social. Num estado de direito a comunicação social é totalmente íntegra e isenta e não vive de avenças de políticos e corruptos. Num estado de direito não se constroem histórias a partir de exemplos medíocres da sociedade.

É por isso que não me importava de vender o nosso sistema de justiça e comprar um novo bem mais barato e eficaz!

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Porque falha Portugal?

Ontem, o jornal “Público” publicou uma notícia sobre o relatório da CE a propósito da sustentabilidade dos sistemas de saúde. A temática da sustentabilidade das sociedades como as conhecemos, nomeadamente as europeias e em especial a nossa, são um tema tabu para a generalidade dos políticos, comentadores e jornalistas. Saúdo por isso e desde já a autora da peça.

No nosso caso (e certamente nos demais casos ocidentais), tal acontece pela ausência de competências instaladas no sistema político para fazer face a um projeto de futuro assente em questões estruturais e que considere as profundas alterações demográficas ocorridas nas últimas décadas.

Vivemos pois órfãos de estadistas e verdadeiros construtores de uma sociedade de futuro. O que hoje temos são bandos de empregados dos partidos do arco do poder que mais não conseguem ver do que a distância da sua testa ao seu umbigo.

A sociedade portuguesa vai perceber tarde demais o enorme flop institucional que é hoje o sistema e regime político em que vivemos. As novas gerações vivem acomodadas nos seus pequenos mundos e pouco se interessam pelo futuro coletivo da nação. Aproveitando-se dessa circunstância de total alheamento e afastamento da sociedade à política, os protagonistas das principais funções do Estado vão vivendo tranquilamente no seu status quo de imponente mediocridade política e sem qualquer resultado visível no que concerne a desenvolvimento sustentado do país.

Falha por isso Portugal. Porque não tem portugueses à altura. À altura de exigir de si mesmos muito mais e bem melhor.

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Vida por vida

20160810_Incendios

Nos últimos dias temos sido atingidos por uma vaga de incêndios cujas dimensões são ainda de difícil avaliação. Temos um território cujo parque florestal é enorme e cada vez mais mal cuidado. Podemos até afirmar que o nosso país se desleixou e abandonou este património natural. É por isso cada vez mais difícil, ano após ano, garantir os meios necessários para contrariar esta enorme tragédia que são os incêndios florestais.

Mas tudo seria bem diferente se existisse uma visão de longo prazo sobre o que realmente queremos para o nosso país nas vertentes do ordenamento territorial e da gestão de recursos. Há uma colossal falta de visão de sucessivos governantes na gestão do património natural do nosso país. Há ainda a velha suspeita de que estes incêndios são um enorme negócio para vários agentes. Suspeita essa que nunca resulta em qualquer apuramento de factos e tudo segue igual. Tenho pois sérias dúvidas de que onde haja fumo não haja fogo!

A minha ideia ao escrever esta crónica não é dissecar sobre este enorme problema. Prefiro aproveitar este espaço para destacar o papel da instituição Bombeiros que é das poucas instituições em Portugal com um enorme capital de confiança. Vale a pena confiar e apoiar os heróis que todos os anos de forma abnegada salvam o nosso património e nos salvam a nós.

Estou muito à vontade para o escrever porque ainda por estes dias assisti ao esforço implacável das corporações do Alto Minho no combate aos incêndios que destruíram já centenas de hectares de floresta na nossa região. Mais à vontade estou porque há 2 dias atrás pela madrugada fomos surpreendidos na nossa aldeia por um fogo perto das nossas casas. Naquela altura não havia bombeiros por perto por estarem a combater duas frentes fortes no concelho. Foi então que vizinhos nossos (com os meios de que dispunham) assumiram o combate às chamas defendendo as casas do nosso lugar.

Sinto-me muito grato por existirem exemplos destes em que o lema “Vida por Vida” é praticado de forma superior. A humanidade precisa destes Homens e Mulheres. E precisa sobretudo de valorizar os bons exemplos, pois de coisas más estamos nós fartos!

Obrigado Bombeiros e obrigado vizinhos.

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Repugnante, verdadeiramente repugnante!

imageTenho tido enorme dificuldade para me abstrair da imensa mediocridade que ocupa os nossos dias. Desde a polémica com o Cid (de há 6 anos atrás) até ao verdadeiro circo político que comanda o país, nada se aproveita para alimentar o sonho de um Portugal desenvolvido a médio e longo prazo.
Nada (rigorosamente nada) é perspectivado com uma dimensão temporal capaz de gerar um nível de confiança social que garanta a necessária sustentabilidade intergeracional e contrarie o que o envelhecimento invisível está a provocar na nossa sociedade.
Esta terrível narração da política caseira não seria pior se não fosse a reportagem arrojada que a SIC acaba de transmitir sobre um dos maiores crimes perpetrados em Portugal por banqueiros, políticos e outros bandidos.
A primeira década da minha carreira profissional passei-a na banca. Aprendi muito e vivi uma experiência extraordinária. Aprendi que a idoneidade e a confiança são valores absolutos e imaculados neste negócio.
Passados tantos anos dou comigo a ver uma reportagem que demonstra que em Portugal isso não tem valor algum. Criminosos de colarinho branco são referências nacionais. Triste país este que admite que gente repugnante nos transforme num sítio miserável.

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