Notas breves a partir do silêncio

A minha presença neste blogue começou por me apanhar numa altura em que não só não acreditava que tivesse algo de importante a dizer, como não sentia especial interesse por nada do que me circunscrevesse neste circo mediático onde habito, como a isso se somava uma dúvida muito pouco metódica sobre as possibilidades da linguagem como ponte para um mais profundo entendimento entre as pessoas.

Claro que ela continua a ser fundamental para muitas actividades humanas essenciais, da ciência, das várias ciências, à política, passando pela cultura, pela economia. Talvez seja uma ideia herética para alguém que, como eu, se formou área da comunicação e da expressão, admito. Aí defendo-me com aquilo que a experiência teatral tem contaminado a minha vida: o interesse cada vez maior pelo paradoxismo do acto de comunicar.

Quantas e quantas vezes a nossa vontade de comunicar nos atrasa, nos dificulta, nos impede a melhor comunicação com o outro?

A importância do silêncio, a natureza verdadeiramente implosiva do silêncio.

Escrever isto num país habitado pela sombra tentacular de um salazarismo que, como referiu José Gil, promoveu em cada um de nós um “medo de existir”, pode parecer muito perigoso. Não se trata nunca de um “porque não te calas” arrogante, muito mais um “contra o ruído do mundo oponho o meu silêncio”.

Esta necessidade de ir em busca do silêncio é cada vez mais forte quanto cada um de nós parece uma bomba-relógio de agendas que nos são subtilmente sugeridas, impostas. Somos dispositivos expressivos e de comunicação, somos quase extensões dos objectos e dos pacotes de comunicação que compramos, e no entanto paradoxalmente, produzimos cada vez mais lixo ideológico.

O que é que acham disto?

Gosto(6)Não Gosto(2)

Fazer do ensino privado uma bandeira…

O artigo de Norberto Pires surpreendeu-me muito agradavelmente pela forma exaustiva e clara como nomeou as questões essenciais. Subscrevo-o e inibo-me por isso de acrescentar redundância a esta discussão. Permito-me apenas chamar a atenção para uma questão que me tem incomodado: a forma como nas redes sociais, a discussão sobre este assunto também se deixou arrastar por uma querela ideológica entre a escola pública e a privada, reforçando assim a perspectiva que a direita tem tentado tornar prevalecente nesta discussão.

Discutir esta questão do ponto de vista ideológico de uma direita ou de uma esquerda parece-me um despropósito que tem dado origem a uma situação muito insólita: podemos ao limite encontrar uma defesa que a direita faz de um maior intervencionismo do Estado nas dinâmicas privadas, ao mesmo tempo que podemos deduzir uma apologia que a Esquerda faz de uma não intervenção do estado. É claro que as questões são mais complexas porque num segundo momento temos de reconhecer que o que estará em causa é a defesa ou ataque a um determinado tipo de negócios entre o Estado e os Privados ( numa configuração muito semelhante às muito conhecidas parcerias público privadas).

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