Kini [Ou um micro ensaio sobre a Liberdade]

To coerce a man is to deprive him of freedom – freedom from what? Almost every moralist in human history has praised freedom. […] nothing is gained by a confusion of terms. […] a sacrifice is not an increase in what is being sacrificed, namely freedom, however great the moral need or the compensation for it. Everything is what it is: liberty is liberty, not equality or fairness or justice or culture, or human happiness or a quiet conscience. […]

This monstrous impersonation, which consists in equating what X would choose if he were something he is not, or at least not yet, with what X actually seeks and chooses, is at the heart of all political theories of self-realisation. It is one thing to say that I may be coerced for my own good, which I am too blind to see: this may, on occasion, be for my benefit; indeed it may enlarge the scope of my liberty. It is another to say that if it is my good, then I am not being coerced, for I have willed it, whether I know this or not, and am free (or ‘truly’ free) even while my poor earthly body and foolish mind bitterly reject it, and struggle with the greatest desperation against those who seek, however benevolently, to impose it.” (Isaiah Berlin, Two Concepts of Liberty)

Citações de Sir Isaiah Berlin ficam sempre bem. Mas são especialmente úteis por estes dias de polémica em torno da proibição do burkini nas praias de vários municípios franceses. (Ler Mais…)

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Democrexit

student-vote-democracy-word-cloudA Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) anunciou hoje o tema do seu encontro anual: falar-se-á de Democracia. Orbán na Hungria, Duda na Polónia e quase Hofer na Áustria fazem-nos perceber que não a devemos dar por garantida. Mas nem só da extrema Direita se faz a ameaça à Democracia. Nem da extrema Esquerda, já agora. Na verdade, ela é bem mais periclitante do que podemos pensar à primeira vista. E os perigos que enfrenta vão muito além do extremismo ideológico.

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Um esclarecimento ao Daniel Oliveira

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Na sua página de Facebook, Daniel Oliveira escreve o seguinte texto:

Que União é esta onde o presidente de uma coisa que nem existência formal tem diz coisas tão graves com esta ligeireza? E porquê Espanha e Portugal e não Itália? E porque não a Alemanha, que não cumpre os limites impostos para o superavit? Que balda é esta onde toda a gente manda postas de pescada, faz ameaças, inventa e reinventa regras e muda prazos ao sabor de vantagens eleitorais de cada país? Isto não é uma União, é um bordel. Com as devidas desculpas para tão respeitáveis casas.

Eu suponho que aquelas interrogações são retóricas, mas vou fazer-me de desentendida e responder-lhe às questões. Às três primeiras (para a quarta não há desentendimento fingido que chegue). Não estou à espera de o esclarecer, embora o título deste artigo possa sugerir o contrário; sei bem que, às vezes, as pessoas não querem ser esclarecidas e é um direito que eu respeito. Admito, porém, que para muita gente aqueles pontos de interrogação sejam literais.

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Uma grande surpresa

pnrNa festa de aniversário do PS, António Costa terá dito que o Programa Nacional de Reformas, ao ter medidas concretas, quantificação de custos e uma calendarização, irá gerar grande surpresa. Concordo com ele: a maioria das pessoas vai ter uma grande surpresa. A mesma surpresa que manifestariam se lhes disséssemos que há mais “six-pack” além da meia dúzia de cervejas e dos abdominais definidos. Eu detesto estragar surpresas, mas esta vai ter de ser.  (Ler Mais…)

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Não andar a dormir

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Pareceu-me que, para primeiro post, faria algum sentido explicar a minha adesão a este projecto. Que é também reflectir sobre a importância da liberdade de expressão. O convite surgiu-me na caixa de correio electrónico e o Insónias apresentava-se feito de “pessoas livres com pensamento livre”. Logo me revi na descrição. E achei o propósito enunciado – ser um “amplo espaço de debate e reflexão” – de grande pertinência.

Quatro décadas volvidas sobre o fim da ditadura, já não temos uma polícia política e deixámos de temer o envio para o Tarrafal.

Contudo, as milícias da censura subsistem. Não geram tanta comoção como o triste episódio do Charlie Hebdo e usam outras armas, das não literais, mas comungam do mesmo espírito silenciador e vão fazendo os seus estragos. Temos um regime democrático, não temos uma sociedade democrática. Falta-nos muito a cultura do debate, em que se aceita que os gostos se discutem e cada qual tem direito ao seu. Falta-nos perceber que discordar não é agredir e discordar sem agredir. Por isso, considero que a existência do Insónias é importante, que tem uma missão essencial, e muito me apraz fazer parte deste conjunto de autores.

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