A minha intervenção na apresentação do Livro SALVAR O SNS.

Sem qualquer tipo de saudosismo sou do tempo em que a Saúde era pobre, o que para a época era normal. Enquanto criança também o SNS passou por este estádio de pobreza. Houve tempos, na sua fase de jovem, em que enriqueceu. Contrariando a normal evolução, na idade adulta, nomeadamente durante a vigência do último governo e devido às políticas liberais instituídas, não chegou a atingir a pujança expectável. Pensava eu de que, caso se tivesse mantido em funções o mais liberal dos governos que o SNS conheceu, este nem chegaria à idade da velhice. Errado! O Serviço Nacional de Saúde está a desmoronar-se. Estranha-me a passividade com que o “governo das esquerdas”, liderado pelo Partido Socialista, deixa a sua jóia da coroa entrar em morte lenta.

Certo que nos dizem que repor em 2 anos o que não foi investido e até mesmo retirado em 4-6 anos não é possível. Não sendo dogmático militante, antes pragmático praticante dentro do dogmatismo próprio das instituições, considero que mais já poderia ter sido feito. Há que priorizar para termos cidadãos satisfeitos e produtivos deve ter-se em conta 4 pilares que o estado não deve descuidar:

A saúde, a educação, a segurança e o estado social.

O estado a que o SNS chegou deve-se sobretudo à criação de taxas moderadoras, baixo rendimento dos cidadãos e sobretudo o baixo investimento por parte dos governos anteriores levando ao aparecimento de dois tipos de utilizadores:

Os que mais utilizou o SNS, os cidadãos com menos poder económico que, erradamente, julgavam não o estar a pagar e, por isso, não exigiam maior qualidade. O poder instituído fê-los acreditar que o Estado Social funcionava. Por serem estes os principais utilizadores dos hospitais do serviço público, e devido a estarem abrangidos por isenções, viam o financiamento fugir para o lado privado por via de…

…quem menos utilizava o SNS, os cidadãos de maior poder económico, que, recorrendo nomeadamente aos subsistemas ou seguros de saúde, acorriam a instituições convencionadas. Este dinheiro iria financiar os grandes grupos que controlavam a Saúde. Grupos esses que se vangloriam de cobrar mais barato pelos seus serviços: à custa da precariedade laboral dos seus profissionais e dos deficitários cuidados de saúde prestados, pois para o utilizador o que mais importava eram as condições, sobretudo hoteleiras, e, neste tempo “grande velocidade”, priorizar o rápido atendimento.

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Somos Enfermeiros 365 dias.

12 de maio dia internacional do enfermeiro.

Bem sei que por norma a cada Dia Internacional está associado alguém que marcou o que esse Dia representa. Ao evocar esse alguém recorda-se a sua obra, obra essa que não foi feita num só Dia, antes nos dias de toda a sua vida. Partindo desse pressuposto, só tem interesse este tipo de comemoração se todos os dias contribuirmos para o que ele na verdade representa. Hoje, Ser enfermeiro.

Por sermos enfermeiros todos os dias reservo este dia- Internacional do Enfermeiro– para falar de vós e para vós cidadãos. Já antes o escrevi no entanto reforço somos enfermeiros porque vós existis e necessitais dos nossos cuidados de saúde. Desde a nascença até à idade de despedida somos parceiros neste caminho que é a vida. Esta parceria carece de responsabilidade e de responsabilização; de responsabilidade pela nossa parte e dos locais onde exercemos enfermagem, para que o ato de cuidar seja de excelência, de responsabilização por vossa parte impondo às instituições, prestadoras e reguladoras, a cumprirem o que lhe está atribuído- assegurar cuidados de saúde de excelência.

Não sendo eu apologista dos dias especiais, antes de pessoas especiais, assim sugiro que se lembre o dia Internacional do Enfermeiro, 12 de maio, como o dia 132 dos 365 dias do ano em que algures por ai haverá sempre um enfermeiro; seja no centro de saúde, seja no Hospital, seja no lar, seja em qualquer local perto de si os enfermeiros estarão atentos para o caso de necessitar dos seus cuidados.

Aproveito, este dia, para vos dizer que.

Sendo a saúde o bem mais valioso que nasce connosco não deixe que por desleixe seu este se deteriore. Para tal seja um atento observador, um responsável um insistente e exigente cidadão no exercício da sua cidadania batalhe para que os seus deveres e direitos no geral e na saúde em particular não passem a estar do lado de quem nos governa.

Como curiosidade histórica. O dia Internacional do Enfermeiro foi escolhido pelo Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN – International Council of Nurses) ser o dia 12 de maio por ser o aniversário do nascimento de Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna.

Sugestão de leitura: Quem foi Florence Nightingale conhecida como “a dama da lâmpada” e a sua importância na guerra da Crimeia.

José António Costa Ferreira

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Numa sociedade maioritariamente homossexual poderia ser heterossexual?

“O grande erro do século XX foi acharmos que o amor era só um sentimento, que vai e vem. Na realidade, é um ato de vontade 
e inteligência”
Enrique Rojas

Não nascemos o que queremos. Nascemos com um património genético capaz para sermos o que queiramos. Do ponto de vista fisiológico/biológico nascemos homens ou mulheres, porém neste património não está inscrito que iremos agir como tal.

O que faz com que na infância se comece a não seguir o que a família e a sociedade nos estipulam? Será o nosso inato ou a adversidade do meio que faz de nós seres rebeldes em busca do que mais nos conforta, daquilo que mais satisfaz o nosso Eu? A primazia do prazer que vamos encontrando nas coisas impõe-se à obrigatoriedade de estas nos serem impostas?

A meu ver, é a nossa natureza de seres pensantes, que determina com que não fiquemos estagnados, retidos na orientação sexual que a sociedade logo à nascença é obrigada a conferir-nos: Heterossexual

Dotados de capacidades mais complexas que a simples/primária aprendizagem reflexiva, iniciamos numa idade precoce o que pretendemos ser nas “idades seguintes”. Sendo a sociedade o “inconsciente coletivo”, o formador informal, pergunto: vai esta ficar impávida e serena deixando-nos ser livres nas nossas escolhas? Certamente que Não.

A consciência de que somos ao mesmo tempo, em fases diferentes desse tempo, reguladores e regulados da sociedade, para bem do nosso desenvolvimento bio-psico-social, desencadeia um conflito constante entre o “Eu” e o “Nós”. Conflito, esse, que devemos gerir para que consigamos uma homeostasia/harmonia capaz de o “Eu” e de o “Nós” coabitarem em prol do bom desenvolvimento de ambos.

Acredito que a função do “Eu” é a de providenciar, fomentar e promover o nosso bem-estar sem, no entanto, descurar a importante função que o “Nós” tem, a de balizar o exagero intrínseco do “Eu” – não deixar que o “Eu” se torne exageradamente individualista-, de moda a assegurar que as sociedades evoluem.

É este equilíbrio que faz com que o viver em sociedade seja agradável, criativo, menos penoso. No entanto, saibamos nós utilizar o aprendido no nosso individualismo para respeitar o individualismo do outro, quando assumirmos o papel de regular.

Tendo sido o Homem a criar o Bom e o Mau, o correto e o incorreto, o adequado e o inadequado, tal facto vinculou-lhe o dever de tudo fazer para manter esta dualidade em equilíbrio: preservando-a, respeitando-a e, sobretudo, cumprindo-a.

Apesar de nem sempre ser notório, na génese da sociedade foi tido em conta a conceção de normas e critérios para premiar o bem e penalizar o mau, o coletivo em prol do individual.

Sim, toda esta contextualização para falar da homossexualidade.

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Eutanásia. O medo da morte ficou para trás.

Sendo a morte algo de tão particular, íntimo, confinada à família e à pequena comunidade local porque houve necessidade de a trazer para a praça pública? Será porque o velar e chorar os mortos deixou de estar confinado somente aos que lhe são mais próximos, será que a morte deixou de ser “aquele ato normal a que todos lhe estamos reservados”? A evolução técnica e científica veio trazer novas ferramentas que nos fazem encarar a morte não como um ato meramente divino, mas também como o desgaste, a falência própria da parte física que é o homem.

Ou simplesmente começamos a aceitar a morte como sendo o atingir pleno do ser humano. Será que o medo da morte ficou para trás?

O elogio do morto não desapareceu, raramente ouvimos dizer mal de quem morre, se tal acontece porque não elogiar o ato de morrer?

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O tempo, esse facilitador de mudança.

Acreditem, receei que durante a vigência do anterior governo o retrocesso do Sistema Nacional de Saúde (SNS) ao tempo da beneficência/caridade pudesse voltar.

Declaração de interesse: sou contra as instituições de solidariedade e voluntariado pelo facto de a grande maioria ser geradora de corrupção, não cumprirem com o conceito inicialmente vertido na palavra “beneficência” o de filantropia e sobretudo porque não proporcionam emprego real, também por servirem de bandeira a certo poder político para se desresponsabilizarem e desvirtuar da função do Estado Social uma das conquistas de abril.

Voltando ao tema a que me propus refletir:

Sou do tempo em que a Saúde era pobre, o que para a época era normal, enquanto criança também o SNS passou por este estádio de pobreza. Houve tempos, na sua fase de jovem, onde enriqueceu. Contrariando a normal evolução, na idade adulta, nomeadamente durante a vigência do último governo e devido às políticas liberais instituídas, não adquiriu a sua maior pujança. Atrevo-me a dizer que, caso se tivesse mantido o programado pelo mais liberal dos governos que o SNS conheceu, este nem chegaria à idade de velhice.

Quem mais utilizou o SNS foram os pobres que erradamente julgavam não pagar. O poder instituído fê-los acreditar que o Estado Social funcionava. Errado! Caso fosse verdade, há época, o franchising das instituições, intituladas de solidariedade, não crescia que nem cogumelos. Sendo estes os principais consumidores dos hospitais do serviço público e devido a estarem abrangidos por isenções, o financiamento fugia para o lado privado por via de…

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Ser Cidadão, Ser Profissional?

Sem dúvida “Ser Cidadão” para ser “Bom Profissional”

 

A cidadania é algo que a sociedade nos confere para a ajudarmos a evoluir.

Não podemos nem devemos desmarcarmo-nos do importante papel de ser cidadão em prol de sermos indivíduos com uma profissão. Antes de sermos profissionais de algo, somos cidadãos de tudo.

Se pensarmos e agirmos só em proveito da profissão corremos o risco de nos reduzirmos ao ponto de esquecer o quanto é importante exercer o nosso direito e dever de cidadania. A profissão existe e contribui para a construção da sociedade; muito cedo a nossa estrutura como “pessoa humana” foi influenciada pela organização social, dando-nos instrumentos importantes para sermos profissionais de algo; bons ou maus. A profissão aprende-se na escola, é-nos conferida porque cumprimos um plano curricular académico-científico. A cidadania aprende-se com a vida nas várias sociedades com que nos deparamos desde a nascença à pessoa adulta. Não nascemos profissionais, mas nascemos cidadãos.

De pouco nos vale sermos profissionais, não importa em que área, se não formos pessoas ativas, intervenientes, de forma a utilizar o legado dessa profissão na sociedade em que vivemos. É assim que eu entendo o “Ser Cidadão”. (Ler Mais…)

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