Política: Ideais e Grandeza precisam-se! (II)

Após os longos, duros e muito difíceis 48 anos de um “Portugal amordaçado”, a Democracia ainda pouco nos trouxe daquilo que tanto nos prometeu e dos sonhos que produziu. Hoje, estamos confrontados com uma persistente e transversalmente reconhecida crise de valores e das instituições (mas será que nessa matéria algum dia vivemos bem?!), não se vislumbrando contudo, um gesto de derradeira boa vontade; um exercício de arrependimento e vontade colectiva – um pacto talvez – que ouse trabalhar para verdadeiramente estabelecer os indispensáveis e estruturantes alicerces da democracia representativa: um movimento em busca da confiança perdida e a falta de sinceridade, arrastada por escândalos, hipócritas manobras de sedução – com tanta mentira à mistura – com uso e abuso do dinheiro dos portugueses-contribuintes (incluindo os 95 biliões de euros que a Europa nos confiou para investir no desenvolvimento do País), torrado em actos de pura propaganda, ditados por aparelhos técnico-eleitorais de duvidosa qualidade, que em nada têm contribuído para melhor e mais séria democracia – bem antes pelo contrário!

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Política: Ideais e Grandeza precisam-se! (I)

Ao recusar o convite para primeiro Chefe do Estado de Israel, Einstein afirmou: ”Os negócios humanos são demasiado complicados para a minha cabeça”. Este homem, que ficará eternamente imortalizado pelo seu extraordinário génio científico, sendo reconhecido como uma das inteligências mais brilhantes, notáveis e fulgurantes da História da Ciência do séc. XX, soube reconhecer – como só uma personalidade da sua dimensão e elevada espessura intelectual sabe – aquilo que na sua inteligente conclusão se afigurava como óbvio: sentia-se impreparado para as exigências do exercício do poder político, preferindo continuar a fazer, e muito bem, aquilo que ele realmente sabia realizar como poucos: ciência no concreto domínio da Física.

Recuando um pouco mais no tempo, constatamos que o primado da Política nas sociedades ocidentais nasceu do advento da Revolução Francesa, a qual popularizou as palavras “liberté, égalité, e fraternité” – conceitos posteriormente tão abastardados, nomeadamente pelos oportunistas políticos contemporâneos da revolução, por força da sua ignorância, má-fé e inconfessáveis interesses – o que levaria a classe média e a burguesia ao poder, tão ansiosos que estavam de alcançar uma posição política proporcional – senão mesmo superior – sustentada no seu crescente e cavalgante poder económico, face à pouco dinâmica aristocracia rural, nascida para governar, gozar, abusar e pouco ou nada fazer.

Volvidos dois séculos, qual é hoje o estado do “primado da Política”, neste séc. XXI em que o dinheiro – elemento que levou a Burguesia ao Poder – há muito se tornou o “Deus dos tempos globais”? Sem temer errar, creio que o diagnóstico não pode ser outro: os cidadãos, na sua esmagadora maioria, há muito que deixaram de confiar na direita, no centro e na esquerda. Esta elementar constatação, há muito que convive, qual “nódoa negra”, para a qual não há benzina suficientemente activa para a retirar. A crescente perda de confiança nos políticos nacionais (e até europeus) – gente cada vez mais impreparada, culturalmente fracos, politicamente medíocres, frouxos, covardemente impotentes, de dúbia verticalidade moral e ética, face aos ímpetos, exigências e reivindicações dos (seus) ultraliberais “financiadores” e patrões do poder Económico – tem vindo a aumentar eleição, após eleição e, com a entrada e saída dos governos que lhe dão escopo, as suas “insaciáveis ganâncias”, sempre anunciadas e embrulhadas em nome de maior competitividade e produtividade, têm aumentado com uma inqualificável, imprevisível e imparável voracidade.

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Ser político em Portugal no século XXI

Como um dia afirmou Henri Queuille, político francês (1884-1970)

 “A política é a arte de adiar decisões até elas deixarem de ser relevantes”

Confesso com total desassombro e humildade que a produção deste texto foi influenciada pelo notável poema de Florbela Espanca “Ser Poeta”, de cujos versos destaco:

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

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É ter dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

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È ter fome, é ter sede de Infinito!

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É condensar o Mundo num só grito!

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Há muito vergado à beleza, profundidade, dimensão filosófica, lírica e romântica da extraordinária poesia de Florbela – de quem me confesso aprendiz de admirador – ouso, enquanto cidadão, com modesta participação cívica e política (aquela que me tem sido possível ter e exercer) “adaptar” o conteúdo dos versos do poema ao mundo político contemporâneo, procurando explicar a uma considerável parte da opinião pública aquilo que deve ser um político de verdade.

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Democracia? Com que democratas?

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A Democracia é hoje, em quase toda a Europa Ocidental – a sua Pátria natural – América, alguns países da Ásia e Oceania, uma verdadeira filosofia, uma religião, um modo de estar no Mundo, uma forma de governo, sem o qual a vida dos cidadãos não seria a mesma. Fundada, tal como a conhecemos, nas palavras mágicas da Revolução Francesa: liberte, égalité e fraternité, acabou por conduzir a classe média ao comando político, contra a vontade esmagadora de banqueiros e da aristocracia de então.

Nesses distantes anos dos finais do sec. XVIII a “liberdade” exprimia a libertação face à tirania feudal, com a sequente admissão da classe média, em pé de (virtual) igualdade com a aristocracia e o clero. A fraternidade significava a livre entrada dos banqueiros, pedreiros, industriais, comerciantes…nos opulentos salões, frequentados pela nobreza e pelo clero. Contudo, por muito estranho que eventualmente pareça, o pai da moderna “teoria democrática” excluía do direito de voto tanto os homens não proprietários como as mulheres. Na sua concepção filosófico-política na palavra “Povo” não cabia tal gente. E a verdade é que a primeira Constituição, elaborada pela Assembleia Revolucionária, trilhou tais caminhos, negando o direito de voto a três quintos dos machos adultos da França de então. Mas também a América, até aos dias de Andrew Jachson, foi um país onde a propriedade constituía um requisito para o cidadão ter direito ao voto.

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