O nóvel Dylan

Bob Dylan foi um dos meus ídolos de juventude, sempre segui a sua música e a sua carreira, desde as “protest songs” dos anos 60, ouvidas já nos 70, passando pela fase Nashville até às mais recentes deambulações politico-religiosas. Sempre achei única e fantástica a sua obra musical e lírica. Tem poemas de uma profundidade imensa e tem poemas de uma patente – e potente – frontalidade de intervenção. De tão incisivo, foi considerado o “enfant terrible” da América, proscrito pelos governos pró-vietname, trovador dos ostracizados e dos “low lifers”, dos pobres e dos desempregados.

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Partidarites e comichões

A propósito de um artigo de opinião dado à estampa no JN e da autoria de um velho amigo meu e deputado à AR pelo PSD, Paulo Rios de Oliveira, tentarei alinhar algumas ideias relativamente àquilo que se me afigura como o grande erro em que têm vindo a laborar os partidos políticos e as suas respetivas estruturas concelhias no que respeita às eleições autárquicas. Assim, movidos por uma “premente” necessidade de extrapolação dos resultados ao nível nacional, há a tentação de insistir em considerá-las exclusivamente como se de uma extensão dos interesses do partido e das suas políticas nacionais se tratassem. E isto não é um raciocínio de um homem só, mas sim uma “regra” que parece ter vindo a ser absorvida por tudo o que são estruturas de coordenação partidária.

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O (im)paciente inglês

Cinco dias volvidos sobre o maior soco no estômago sofrido pela Europa na sua história comunitária, começamos a acordar do torpor e perceber a real dimensão da coisa. Ontem, ao ver as reações “a quente” das maiores figuras da EU, com o presidente à cabeça, entendemos que esta gente viveu tempo demais na ilusão de que a Europa é o seu recreio e que bastaria geri-la “ex-cathedra”, a seu bel-prazer, espraiando bênçãos e raspanetes, carinhos e palmadas, perdões e punições, para manter viva a chama comum. Que seria sempre a Europa a decidir quem entrava ou quem expulsava, ao invés de se ver preterida por um dos seus filhos pródigos!

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Do valor do trabalho

A propósito de um artigo do Manuel Carvalho, ontem, no Público, resolvi deixar correr a pena … e a memória.
Houve tempos (mais de 25 anos, quando deixei de ser funcionário público e me passei para o setor privado) em que deixar o vínculo ao estado e aceitar assinar um contrato de 40 horas significava ganhar mais do dobro de um funcionário público. Significava aumentar um dígito ao valor do salário. No meu caso, era dar o salto para lá da mítica barreira dos “cem contos de reis”!…
Os funcionários públicos trabalhavam menos, tinham emprego prá vida, tinham benesses é certo, mas ganhavam muito menos do que quem desempenhava funções similares em companhias privadas. Ninguém se queixava muito – os sindicatos queixavam-se sempre mas isso é uma inevitabilidade, como a morte e os impostos – mas cada um ia vogando entre a “segurança” do público com salário mais baixo e o “fausto” do privado que, mau grado a relativa precariedade, nos “afinfava” com uns cobres substancialmente mais gordos, na folha de féria. E então, se se quisesse fazer umas horitas extra, aí havia gente que trazia uns “ordenadozitos” valentes, para casa.
Assim se fazia o equilíbrio de um mercado florescente e em expansão, nos tempos em que a dívida era mais do que sustentável e vivíamos o dealbar da nossa integração europeia, com os dinheiritos da “Cêéé” a entrar a rodos para granjear a economia!…
O que mudou então? Como é que os funcionários públicos, velhos “parentes pobres” da sociedade laboral, amanuenses e “mangas de alpaca” cinzentos, se transformaram, com o passar do tempo, em “novos ricos burgueses” e inomináveis detentores de despudoradas regalias, ostentando luxos verdadeiramente “versalhianos”, como o de ter um contrato de trabalho estável?…
O que mudou, então?…
Claramente foi o emprego privado que se degradou. Uma classe média que vivia de bons salários e com uma estabilidade assinalável viu, de um momento para o outro, ruir os seus sonhos e instalar-se o pior dos pesadelos. Falências e despedimentos em massa, empresas outrora florescentes e seguras deixam de garantir o que quer que seja. Quadros com 20 e 30 anos de casa, com idades já para lá dos 50, são confrontados com dispensas mais ou menos compulsivas ou, não poucas vezes, com a necessidade de regredir no seu salário sob pena de não conseguirem sequer continuar a garantir a subsistência da família. A emigração, apadrinhada ao mais alto nível, tornou-se uma realidade revisitada ao fim de 40 anos. Muitas vezes, ambos os cônjuges perdem os empregos simultaneamente. Outras, um deles, funcionário do estado, torna-se o esteio da família, sustentando com o seu “faustoso” ordenado o que dela vai restando.
Certo é que os funcionários públicos não são “virginais meninos de coro”, mas muito menos são os “mamões parasitas” que a ala neo-liberal nos quis vender nos últimos anos.
Por isso, a discussão das horas contratuais de trabalho acordadas no passado, à luz do presente, não faz qualquer sentido. Pura e simplesmente o que se tenta é demagogicamente tentar equilibrar o que não é, nem nunca foi, equilibrável. Que não é igual em nenhuma parte do mundo. O emprego público e privado. E, como não faz qualquer sentido alterar unilateralmente contratos assinados de boa fé, o estado e a economia em geral deveriam sim preocupar-se em valorizar o trabalho privado através do investimento, fazendo-o regressar a níveis decentes que garantam, através de uma contratação digna, a justa remuneração do labor prestado.
O valor do trabalho é um dos pilares mais importantes do estado social, tão caro às social-democracias evoluídas. Destruí-lo ou desvalorizá-lo nunca será uma opção credível …

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/um-horario-para-a-irresponsabilidade-1734092?frm=opi

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Colégios e outras “Associações”

A coisa parece-me tão simples que não resisto a alinhar umas frases sobre a recente polémica do despacho governamental acerca dos contratos de associação no ensino. Acho que muito se tem dito e nem sempre se centra a arenga naquilo que é importante, ou factual. Assim:

1. O ensino não é gratuito. O público é suportado pelo estado e o privado, pelos alunos.
2. As pessoas têm o direito de optar entre o público e o privado. O preço a pagar é que é diferente.
3. O estado, constitucionalmente, é responsável por garantir o acesso ao ensino público.
4. Os contratos de associação não se destinam a dar a opção de escolha entre o público e o privado. Destinam-se a suprir a falta de opção de escolha pelo público.

Posto isto, que me parece linear, apenas mais duas considerações:

Como em toda a boa gestão, estes contratos de associação não devem renovar-se “por que sim”. Antes devem ser avaliados ciclicamente em função da necessidade de os manter em vigor face às razões, e apenas a estas, que levaram à sua celebração. Caso a caso.

Finalmente, não está aqui em causa qual dos dois tipos de ensino é melhor, ou por qual se deverá optar, mas apenas avaliar se o estado – e consequentemente, nós – deve pagar duas vezes o mesmo serviço.

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Samba e pandeiro!

Foto TSF

Foto TSF

Vivemos na passada semana – para quem se quis dar ao trabalho de acompanhar – um processo de destituição de um chefe de estado. Por si só, e excetuando os processos revolucionários mais ou menos violentos, esperava-se que um dos maiores países do mundo, uma das democracias merecedoras desse nome na América do Sul, soubesse elevar e dignificar um processo que não é fácil, o de pôr em causa a legitimidade do líder máximo da nação.
Uma nação que tem coisas incomparáveis. A melhor música do mundo, o melhor futebol do mundo, uma das melhores arquiteturas do mundo, o melhor piloto de automóveis de sempre, a maior floresta do mundo, o maior rio do mundo. Tudo no Brasil é grande, é imponente, nada se faz pela metade. Ficamos também agora a saber também que, quando toca a cobrir-se de ridículo, igualmente pedem meças a todos os demais.

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