As minhas insónias….

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Não há atividade mais subversiva do que o pensamento. Nem mais temida, nem mais difamada, e isto não se deve ao acaso: o pensamento é político… Daí a luta insidiosa, cada vez mais eficaz, hoje mais do que nunca, contra o pensamento. Contra a capacidade de pensar.” (VIVIANE FORRESTER)

A minha capacidade de pensar e de expressar esse pensamento em publico jamais serão escrutináveis ou se sujeitarão a amaras seja em nome de uma estratégia ou de um alegado espírito de matilha. Matilha sim, porque grupo é outra coisa, grupo vive e reforça-se precisamente da diversidade de pensamento e opinião, que serão sempre um somatório e nunca um quociente.

A falência para que caminha o sistema politico partidário português radica-se precisamente no facto de ter deixado de haver ideais, de se ter deixado de ver a política como a forma sublime de atender às pessoas, suas necessidades e anseios, para se definirem estratégias que têm como único objetivo atender a lobbies de interesses, ou pior ainda, a ambições pessoais, uns e outros por vezes legítimos, mas não raramente inconfessáveis. Neste quadro, pensar é altamente subversivo, pelo que para obviar aos “empecilhos” que teimam em não abdicar dessa característica que nos distingue dos lobos, reduziu-se o debate ao quase zero absoluto e quando mesmo assim teimam (o pensamento é como as crianças, irreverente e teimoso) logo se criam as condições para que sejam reduzidos ao silêncio ou fiquem a falar sozinhos.

Desengane-se quem pensa, ou grita para que os outros acreditem, que este espírito “controleiro” é exclusivo do sistema partidário. Nada mais errado, ele é transversal a todos os locais onde a luta pelo poder, mesmo que efémero, ou traduzido em “importanciazinhas” bacocas, o permita. Faz ainda parte do “ADN” de muitas empresas geridas por “chefes” inseguros que depois ficam boquiabertos com o sucesso de startups que fazem seu principal recurso justamente a criatividade dos seus recursos humanos.

As poucas experiências politicas de grupos ditos independentes, decorrentes de um sistema politico que as dificulta, mesmo quando não patrocinadas por “aziados” do sistema partidário que tentam correr por fora, têm-se deparado com a colagem de “lapas” que rapidamente as subverte e as transforma, ora em manifestações de um populismo sem sentido, ora em tentativas falhadas de “inventar” algo de novo que tal qual o clone da Doli já nasce com todos os velhos vícios do sistema.
Exemplar o que se passou, quando os eleitores empurrados para situações onde a fuga para a frente parecia ser o único caminho optaram por soluções mais ou menos radicais. Na verdade a “primavera” anti-europeia de Syriza ou Podemos, acabou por desembocar num “inverno” mais frio do que aquele que prometeram erradicar. Veremos, por cá, onde nos vão levar as leviandades da “geringonça”.

Sendo a Democracia o regime politico onde os cidadãos exercem o poder da governação e a criação das leis, seria expectável que tal como o Mercado atua relativamente às empresas, atirando borda fora, mais cedo ou mais tarde, os empresários incompetentes ou que pararam no tempo, também os políticos que subvertem o sistema manietando a Democracia, deveriam ter na politica uma passagem fugaz. Isso no entanto não acontece porque o real poder de nomear os representantes sujeitos a sufrágio, é exercido por menos de 2% dos eleitores, os militantes que elegem as direcções partidárias.

Por isso regozijo quando vejo aparecer no sistema partidário gente com provas dadas de verticalidade, honestidade acima de qualquer suspeita e carreiras profissionais brilhantes. São raros mas a solução do sistema, quiçá a ultima esperança, radica precisamente na coragem que mostram ao sujeitar-se serem atirados aos lobos, mas só poderá ter sucesso se conseguirem criar na estrutura a própria “corte” de gente séria, interessada em vez de interesseira, capaz de fazer germinar a força que há-de fazer ruir a estrutura caduca para fazer ressuscitar a politica das pessoas para as pessoas.

Eu acredito e só deixarei de acreditar quando já não houver Democracia.

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Um Comentário

  1. O seu texto acima padece da falácia de considerar que o regime português é uma democracia. Nada mais enganoso, é apenas uma Partidocracia, pelo qual uma plutocracia governa e faz exclusivamente seu o país e todos os seus recursos. Recomendo que estude e entenda o conceito e a prática de democracia, para que se liberte do seu equívoco e, finalmente, possa encontrar o esclarecimento para as suas ideosssincracia. Cumprimentos.

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