E você atribuía uma medalha a Marco António?

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Nos últimos 30 meses o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, passou o tempo apregoar ” aos quatro ventos ” a dívida que recebeu do anterior executivo camarário.

Logo no início do seu mandato, corria o mês de Dezembro de 2013, Eduardo Vítor Rodrigues afirmou ao jornal “ Público “ que apenas a dívida da autarquia à sociedade luxemburguesa Drilux, no montante de 30 milhões de euros, poderia levar “ o município à falência “.

No início do ano de 2014 Eduardo Vítor Rodrigues afirmava mesmo que iria reunir-se com o Ministério das Finanças para discutir o “peso” das dívidas da autarquia mostrando-se preocupado com a “solvência” do município.

Neste seguimento, em Fevereiro de 2014, António Galamba, membro do secretariado do Partido Socialista liderado, na altura por António José Seguro e próximo de Eduardo Vítor Rodrigues, afirmava “ verificámos hoje que a Câmara Municipal de Gaia está à beira da falência e tem uma dívida de 300 milhões de euros. Perante o que temos assistido nos últimos dias, sobretudo do Dr. Marco António, percebemos bem porque é que ele tem falado sobre bancarrota porque de facto ele é um dos rostos responsáveis por esta situação e era bom que desse explicações ao país” salientando que o antigo vice-presidente da Câmara, com as responsabilidades do pelouro Financeiro, era “um dos pais desta criança de 300 milhões de dívida na Câmara Municipal de Gaia”.

Mais recentemente, no final do ano de 2015, Eduardo Vítor Rodrigues falava à TSF num plano de saneamento financeiro da autarquia no sentido de obter um empréstimo no valor de 40 milhões de euros para fazer face às muitas dívidas do município.

Pelo meio foi tornado público o relatório final da auditoria às contas da autarquia efectuada pelo Tribunal de Contas (TdC) que responsabilizou o vereador à data com a responsabilidade pelo pelouro Financeiro, Marco António Costa, pela ” gestão orçamental desequilibrada, caracterizada pela completa ausência de sinceridade e fiabilidade na previsão de receitas, de racionalidade e prudência na efetivação dos gastos” referindo que o município ” concretizou operações extraordinárias que foram concebidas para tornear as limitações impostas pelas normas legais aplicáveis em matéria de endividamento, colocando em causa a situação financeira da autarquia no médio/longo prazo”.

Mas a censura do TdC não se ficou por aqui. Marco António Costa foi também alvo de juízos de censura pelos acordos de regularização de dívidas, pela provisão de riscos e sobreavaliação de ativos e pela criação do fundo de investimento imobiliário Gaia Douro.

Tendo conhecimento dos factos acima citados e assistido, surpreendentemente na passada sexta-feira à atribuição a Marco António Costa, antigo vice-presidente da autarquia gaiense, com a responsabilidade do pelouro Financeiro entre 2005 e 2011, de uma medalha de mérito profissional pela Câmara Municipal de Gaia escrevi um texto onde expressei a minha opinião relativamente a esta condecoração.

Neste artigo de opinião defendi ser incompreensível Eduardo Vitor Rodrigues ter usado como principal bandeira do seu mandato a dívida municipal e depois condecorar com uma medalha de mérito municipal, Marco António Costa, um dos principais responsáveis pela mesma dívida.

Ontem avisado por amigos tomei conhecimento de um texto de Eduardo Vítor Rodrigues publicado na sua página do Facebook, nunca citando o meu nome, mas referindo-se de forma implícita e deselegante ao meu supracitado artigo de opinião publicado no Diário Insónias.

Contudo confesso que fiquei surpreso com esta reacção virulenta de Eduardo Vítor Rodrigues, que foi meu professor no Mestrado em Sociologia há mais de 10 anos e com quem mantenho, desde então, uma relação cordial.

Não misturo política com relações pessoais, mas também ninguém pense que as relações pessoais condicionam o meu pensamento e a minha opinião. Não sou seguidista de ninguém, penso pela minha própria cabeça, escrevo e assino por baixo. Elogio quando tenho que elogiar, critico quando não concordo, mas sempre com elevação e educação.

Por isso não vou responder no mesmo tipo de linguagem, nem no mesmo tom, nem ilustrando este meu texto com citações, no mínimo provocatórias, como são “ do fanatismo à barbárie não há mais que um passo “ ou então “ tolerância é você dar aos outros seres humanos todo o direito que você reivindica para si mesmo “. Também, como imaginarão, não recebo lições de moral de ninguém. O meu percurso cívico e público fala por mim.

No seu post Eduardo Vítor Rodrigues mistura uma opinião pessoal, a minha, com Politica, Futebol, Tiffossis, Claques, Fanatismo, Democracia e Deus. Não me parece que esta mistura evidencie tolerância, mas antes pelo contrário seja um mix explosivo só explicável por alguma insegurança ou nervosismo.

No mesmo texto Eduardo Vítor Rodrigues aparece a tentar desculpar-se, provavelmente porque percebeu o gravíssimo erro político que cometeu ao atribuir esta medalha a Marco António Costa, remetendo responsabilidades para o vereador do PSD Firmino Pereira que, segundo ele, terá apresentado a proposta da condecoração do antigo vice-presidente.

Em 11 vereadores o PSD tem apenas 2. Por isso, Eduardo Vítor Rodrigues e os seus outros 8 vereadores que sustentam a maioria municipal muito facilmente teriam chumbado a proposta de Firmino Pereira. Mas Eduardo Vítor Rodrigues diz que votou a favor da condecoração de Marco António refugiando-se na democracia, na tolerância e no reconhecimento.

Sejamos claros e deixemo-nos de sofismas e de demagogias. E se Firmino Pereira tivesse proposto a condecoração do antigo presidente do Benfica, Vale e Azevedo, dos banqueiros Ricardo Salgado e Oliveira e Costa, do antigo gestor público Zeinal Bava ou do político Duarte Lima? Será que Eduardo Vítor Rodrigues votaria favoravelmente estas condecorações? Era interessante saber se o Presidente da Câmara de Gaia votaria favoravelmente a condecoração destas pessoas invocando novamente a democracia!

Eu garantidamente que não votaria favoravelmente estes nomes porque entendo que antes da democracia, estarão sempre a ética, a verdade, os princípios, os valores ou a boa gestão dos dinheiros públicos.

Não podemos dizer hoje uma coisa e amanhã defender o seu contrário. Não podemos menosprezar a inteligência das pessoas com demagogias baratas. Temos que ser coerentes e verdadeiros.

Termino lembrando uma frase célebre de Abraham Lincoln, o 16º Presidente dos Estados Unidos da América, “ você pode enganar uma pessoa por muito tempo, algumas por algum tempo, mas não consegue enganar todas as pessoas o tempo todo “.

Acho que vale a pena pensar nisto!

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