​A MODA DE FALAR DO QUE NÃO SABEM!

Alguém que explique ao cronista do Expresso, Henrique José Raposo que parto natural não é sinónimo de parto em casa e que parto medicalizado não é sinónimo de avanço civilizacional. Se não sabe do que fala, não faça figuras tristes e leia o seguinte:

Um parto pode ser natural não recusando “ a intervenção da medicina e da civilização humana”, por isso, primitivo é dizer que um parto natural significa “ficamos reduzidos à mera condição animal”. Dou o exemplo das Mães D’ Água pelo parto na água em Portugal, que enaltecem o que já foi feito no SNS e ainda o é nos Hospitais e Clinicas Privados sempre com acompanhamento de Enfermeiros Obstetras.

O recente parecer da ACOG (nº 679, Novembro de 2016) relativo a “Immersion in Water During Labor and Delivery” recomenda que a imersão em água no primeiro estádio do trabalho de parto possa ser oferecida a mulheres saudáveis, com gravidez de termo, e sem complicações na mesma.

Numa altura em que o XXI Governo Constitucional, no seu programa para a saúde, estabelece como prioridade melhorar a qualidade dos cuidados de saúde através de uma aposta em modelos baseados na melhoria contínua da qualidade, e na valorização e disseminação de boas práticas e de garantia da segurança do utente nos serviços, será de todo desejável promover partos normais/ fisiológicos sempre que possível.

PARTOS EM CASA

Contudo penso que o autor deste artigo no Expresso pretendia hostilizar os Partos em Casa e não os Partos Naturais. Por isso apresento um parecer da Ordem dos Enfermeiros e de seguida o avanço em outros Sistemas de Saúde que não o nosso.

Regras para um parto em casa em segurança

Os partos em casa existem, têm vindo a aumentar, e por isso a própria Ordem dos Enfermeiros — especificamente o Colégio de Especialidade de Saúde Materna e Obstétrica — emitiu um parecer em 2013 no qual alerta e informa os casais que tomam esta opção para vários dados a ter em conta.

O parto é casa é uma opção dos casais que não é, de todo, proibida por lei. Mais refere que a Organização Mundial de Saúde calcula que cerca de “85 a 90% das gravidezes terminem num parto sem intercorrências e sem necessidade de intervenções médico-cirúrgicas”.

Neste parecer, o Colégio refere que é importante que os casais que escolhem ter um parto em casa o façam de forma segura e responsável:

1) Na escolha do profissional que acompanha o parto — de referir que apenas os enfermeiros obstetras e os médicos são habilitados a fazê-lo;

2) É importante que o casal verifique as habilitações dos profissionais em causa através da cédula profissional;

3) Verificar que o profissional de saúde não trabalha sozinho — deve haver uma segunda pessoa disponível;

4) Certificar-se de qual o serviço de saúde mais próximo no caso de haver necessidade de transferência para o hospital — há indicações internacionais que referem que o parto não deve ocorrer a mais de 15 minutos de transporte de um hospital;

5) Ter um plano de emergência/ urgência estabelecido esclarecer junto do profissional de saúde que equipamentos/ material possuem passível de utilizar durante o parto e o pós-parto assinar um consentimento informado

EM OUTROS PAÍSES…

Em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países — no Reino Unido o parto em casa faz parte das opções dadas pelo Serviço Nacional de Saúde — não está regulamentado.

No Reino Unido, as opções não se esgotam na unidade hospitalar e, por outro lado, existem estudos como o Birthplace. O Birthplace é uma investigação nacional que avalia o parto (com foco nas gravidezes de baixo risco) tendo em conta o local onde este se realiza, procurando assim responder às questões sobre os riscos e os benefícios de dar à luz nos diferentes locais: casa, unidades de parto lideradas por enfermeiras-parteiras (freestanding midwifery units) e hospitais.

Os resultados da última edição do Birthplace são divulgados em junho de 2016, mas já é possível conhecer alguns dados científicos. Entre eles: “Para as mulheres que vão ter o segundo (ou subsequente) bebé, os partos em casa ou nas unidades especializadas de parto apresentam-se seguros para o bebé e oferecem benefícios para a mãe.” De acordo com este relatório baseado em 64 mil partos de baixo risco, “as mulheres que optam por um parto fora do hospital reduzem significativamente as probabilidades de uma intervenção cirúrgica, de um parto instrumentalizado (com fórceps ou ventosas) e de uma episiotomia (corte vaginal)”.

NÃO É MODA, É OPÇÃO.

O sistema nacional britânico acaba de anunciar a oferta de 3000 libras (cerca de 3800 euros) às grávidas (de baixo risco) que optem por fazer um parto no domicílio. A medida pretende incentivar as mulheres a tomar uma decisão consciente sobre o local onde desejam dar à luz e a verba, disponível em 2018, poderá ser aplicada em acupunctura ou outros serviços a debater com a parteira ou o médico assistente. Mas em Inglaterra, a opção do parto está longe de ser uma novidade.

Já em 2014, o The National Institute for Health and Care Excellence (NICE) havia partilhado a controversa guideline: “Mulheres saudáveis com segundas (ou subsequentes) gravidezes estão mais seguras ao dar à luz em casa ou numa unidade de parto liderada por enfermeiras, comparando com uma unidade de obstetrícia.”

E agora Henrique José Raposo? Se mudar de ideias e para quem quiser ajudar há uma campanha a decorrer :

https://ppl.com.pt/pt/prj/maes-dagua

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