POR MAIS FAMÍLIA, E MENOS ESCOLA

Por Mais Família Menos Escola

Escola pública. Que futuro nos espera ?

O sistema educativo em Portugal sofreu uma profunda transformação no período posterior à Revolução de Abril de 1974.

Dos conteúdos programáticos, às instalações, actualmente, nada tem comparação com as primeiras três décadas após 1974. E tudo isto com implicações de alguma dimensão económica nos orçamentos familiares.

Longe vão os tempos, em que ano após ano, usávamos os livros uns dos outros, agora tudo é diferente, todos os anos mudam os manuais e os encargos familiares disparam. São centenas de euros em livros gastos anualmente por aluno.

Mas se a este nível, tudo muda ano após ano, os recintos escolares estão, na minha opinião, cada vez mais descaracterizados.

Com o aparecimento da PARQUE ESCOLAR a escola pública ficou irreconhecível. Se ao nível das novas tecnologias e dos equipamentos que as mesmas incorporam foram dados passos significativos, ao nível do conforto e da eficiência das mesmas tenho sérias dúvidas que tragam benefícios aos utentes das mesmas.

Na minha qualidade de Presidente da Associação de Pais e Encarregados de educação de um Agrupamento de Escolas, com mais de 1900 alunos e mais de 2000 pais, tenho nos últimos meses passado algum tempo na sede do Agrupamento e onde estas situações que aqui descrevo são notórias.

Falo de verdadeiros comboios com aulas, com corredores com mais de cem metros, em que os professores passam aventuras para conseguirem chegar às suas salas de aulas, isto para além do facto do aquecimento destes equipamentos ser de tal forma elevado que os orçamentos que as Escolas dispõem fazem com que por vezes não chegue o dinheiro para pagar o aquecimento ou para simples reparações. A manutenção deste tipo de equipamentos foi algo que a PARQUE ESCOLAR não acautelou e pode levar à falência técnica de algumas escolas.

Naturalmente que, aos pais e encarregados de educação, isto passa um pouco ao lado, pois, para muitos aqueles equipamentos são depósitos de jovens que passam mais tempo nestes equipamentos, do que propriamente em casa.

Costumo dizer com assiduidade que um pai com filhos no ensino pré escolar deixa os seus filhos dentro da sala de aula, quando chega ao primeiro ciclo, a criança é deixada no hall de entrada antes da sala, quando entra no ciclo preparatório fica à porta da Escola e no ensino Secundário o aluno é deixado muitas vezes a umas dezenas de metros da Escola, isto é demonstrativo do afastamento da família em relação à escola.

Existem situações em que os directores de turma passam um ano lectivo sem conseguirem falar com os pais. Muitos encarregados de educação só vão à escola quando são chamados por esta. O procedimento devia ser o oposto. Devia haver uma inter- acção maior, e tudo podia passar, por exemplo, pelos pais e encarregados de educação envolverem-se no movimento associativo que integra a própria comunidade educativa.

É imperioso uma reflexão profunda sobre a Família e a Escola de hoje… O que queremos? Que responsabilidades temos? Que alternativas temos? Como repensar a família e a Escola?

Os professores e os outros actores de um equipamento escolar são peças muito importantes neste processo, até porque é com eles que os nossos filhos passam a maior parte do seu tempo, mas torna-se necessário uma maior participação das famílias no processo educativo.

Porque não criar um regime de voluntariado para muitos pais e encarregados de educação, que tenham disponibilidade, para poderem participar diariamente no auxílio à gestão escolar.

Estes equipamentos têm cada vez menos funcionários para as tarefas que lhes estão adstritas, o voluntariado poderia ser uma solução.

Portugal precisa de MAIS FAMILIA E MENOS ESCOLA, e quem sabe um dia teremos um Portugal diferente para melhor.

— Paulo Ramalheira Teixeira
Presidente da Direção da APAVECP

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Por um SNS de complementaridade entre o público e o privado

Se Centeno confirma que “não há margem para despesa” haverá lugar para posições ideológicas na saúde?

A falta endémica de cuidados intensivos gera mais adiamentos de cirurgias que a greve dos enfermeiros, no entanto isso não causa alarme social nem induz a PGR a apoiar uma requisição civil.
Pelas razões correctas até concordo com Jerónimo de Sousa do PCP quando afirma que o governo deveria proceder a uma “requisição civil” dos hospitais privados!

Os hospitais privados foram ao longo dos anos obtendo licenças estatais (leia-se encorajados pelo estado) para obter uma capacidade instalada que está muito subaproveitada. Faz sentido que proliferem na cidade unidades de cuidados intensivos privadas subaproveitadas quando no serviço publico doentes não são operados por falta das mesmas? Estão os utentes do SNS informados disto?

Se não há dinheiro, e se o doente, não a ideologia, é o centro real do SNS, no melhor interesse do doente , o estado enquanto financiador deve procurar as parcerias mais vantajosos com os privados, seja PPP seja vale-cirurgia. Será licito morrer um doente para preservar uma ideologia? Os doentes querem serviços de qualidade e a tempo e horas seja aonde fôr. Por outro lado, não acredito que existam privados que preferem trabalhar a meio gás com custo de exploração por rentabilizar do que trabalhar a todo o vapor com margens de lucro menor. O estado enquanto financiador e regulador tem a faca e o queijo na mão. Por preconceito ideológico, por inabilidade politica, tem-se demitido dessas funções.

Por um SISTEMA Nacional de Saúde com complementaridade entre publico e privado com circulação REGULAMENTADA e TRANSPARENTE dos doentes e dos profissionais de saúde. Em França, os doentes são operados em hospitais privados com dinheiro publico, enquanto na Alemanha, os doentes são operados em hospitais públicos com dinheiro privado. Serão por ventura democracias menores e com índices sanitários piores que os nossos? Não é a primeira função do Estado proteger e velar pelos cidadãos? Pedrogão, Estremoz têm mostrado que não!

Óscar Alves
Médico Neurocirurgião

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SER OPOSIÇÃO

A Lei nº24/98 , publicada no Diário da República n.º 121/1998, Série I-A de 26 de Maio de 1998, diz-nos que “é assegurado às minorias o direito de constituir e exercer uma oposição democrática ao Governo e aos órgãos executivos das Regiões Autónomas e das Autarquias Locais de natureza representativa, nos termos da Constituição e da lei”.

  1. Mas, todos sabemos que em democracia, o papel da oposição é claro, e é a esta a quem cabe fiscalizar a administração, os actos dos nossos governantes,, ser a caixa do correio das propostas e insatisfações populares e, de certa forma, ajudar o governo (nacional ou local) a administrar melhor, criticando, apontando equívocos e incongruências, destacando as consequências de desacertos e denunciando erros e omissões.

Uma Oposição competente contribui para se alcançar o objetivo da ação política. Além disso, deve estar centrada sempre na construção de propostas e apresentar caminhos diferentes dos actuais para garantir maior eficiência do órgão ou órgãos dos quais não é poder e possibilitar o constante crescimento desse mesmo órgão ou orgãos.

Fazer Oposição por fazer Oposição, sem linha de rumo e sem nenhuma coerência, não é correcto. Tem de haver pois uma estratégia. E a estratégia tem de ser colectiva, não é um ser o comandante do navio, e outro(s) quererem a sua promoção pessoal, deixando muitas vezes o comandante sozinho na proa.

Nas Autarquias, nem sempre por vezes conseguimos encontrar no Poder, quem esteve anteriormente na oposição, mas algumas vezes isso acontece. Todavia, muitas vezes alguns chegam ao Poder, e esquecem-se o que diziam e faziam quando estavam na Oposição. É mais fácil estar na Oposição, do que no Poder.

Eu comecei a minha actividade política na Oposição, depois fui Poder, e voltei a estar na Oposição, conheci por isso ambos os ambientes e aprendi que estar ao lado da governação autárquica quando tinha de estar, e contestar quando o devia, e por isso ser Oposição não é somente ser contra, mas sim debater e também contribuir para um futuro melhor.

Um Oposição inconsequente, sem critérios e linha política definida, perde a credibilidade e acaba agindo contra a governação.

Por outro lado, temos de ser livres e desprendidos, económica e profissionalmente falando, de quem está no Poder, sob pena de não termos possibilidade de representarmos verdadeiramente quem nos elegeu, pois temos sempre receio e medo de quem nos paga o salário ou avença ao fim do mês, deste modo estamos sempre, mas sempre condicionados na nossa acção politica.

Sermos livres de actuar, sermos livres de emitir a nossa opinião é muito positivo.

É muito importante, não sermos reféns do poder económico que tantas e tantas vezes, dirige e condiciona o poder político.

Temos de saber pensar por nós próprios, temos de ser independentes desse poder económico, caso contrário cairemos nas mãos dos chamados mandantes, que não sendo eles poder, tutelam de fora para dentro quem o povo dirige.

E como diz o refrão de uma música muito conhecida:

“Ontem apenas fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero”.P

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A educação não vale mais do que a cultura

Ao que me parece, os portugueses não deixaram que o desejo de igualdade derrubasse a beleza e o espírito.  Mesmo sendo um país com preocupações sociais, não descuidou da arte, tampouco a usou para uma revolução cultural que gosta de jogar tudo fora.

Portanto, não sei se os portugueses terão afetividade hepática com a tal questão das escolas e da cultura,  advertida pelo título.  Espero que sim.

Toda pessoa é uma comunhão ou uma desarmonia das músicas que ouviu, dos livros que leu, dos livros que não leu, das pessoas de diferentes geografias, da própria geografia à cata das horas; e não a soma dos anos letivos com suas agruras, as neuroses dos professores e o sofrimento dos outros alunos, expostos ao charlatanismo mais cruel – o acadêmico. Só são assim os alunos que tenham ficado doentes. E pode ser que sim. Pode ser que tenham entrado precisando do básico e saíram precisando de tudo. Só são assim os que caíram na teia, do contrário, se saíram saudáveis, saem como entraram, só que mais aborrecidos.

Nas escolas, os ratos, vestidos de roxo, marcham, com o ego carente, a cabeça mole e a ignorância dos prisioneiros, por cima daqueles que se aproximaram sem o desejo de os bajular.  São o Lear sem Cordélia, mas com urubus muitos, tantos quantos puder – urubus como renda sem imposto.

E estão lá, nas nossas fuças, justificando seus empregos ao dizerem que sabem o que é a  educação… e mais grave, dizendo-se educadores, na mais franca das demagogias.

Nunca leram Quintiliano, nunca educaram ninguém, mas se põem a tramar, com os pedagogos e os politicoídes, uma nova farsa que perpetuará a eterna mentira: de que é preciso ser educado para ser culto e esconder que é a cultura que educa.

Esses parasitas de sonhos são sugadores de tempo, pagos por uma sociedade zonza, que repete, nocauteada, a palavra educação como a um mantra sem princípio.

São apodrecidas cascas sem ovos, cérebros vazios de consciência, de disposição e de vergonha na cara, que vendem seus peixes a preço de ouro ou gato por lebre no mercado das almas.

Assim, as escolas emburrecem em série e com pedigree.

Enquanto isso, moram, no trono da cultura, os impostores, infiltrados pela academia nos cafés, nas prateleiras, nas exposições, nas praças e nos cursos básicos.

Ao menos no Brasil, não há educação. Só há os imortais, coçando-se  pela frente e se odiando pelas costas, de faca nos dentes e vaidade en garde, bem longe das ideias, assombrando todas as pontes que pudessem levar ao conhecimento.

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Um mundo melhor é possível

No rescaldo das eleições intercalares americanas de ontem considero a eleição de Alexandria Ocasio-Cortez para o congresso americano como o facto mais relevante sobretudo pelo simbolismo que encerra. Ontem no seu discurso de vitória recordou as motivações da sua candidatura dizendo que “não lançamos esta campanha por achar que era única, especial ou melhor do que ninguém. Lançamos esta campanha porque na ausência de alguém que tenha uma posição clara sobre as questões morais do nosso tempo, então cabe-nos a nós expressá-las”.

Alexandria era uma jovem americana, como muitos outros milhões de jovens americanos, desiludida com as propostas dos políticos convencionais. Não sentia que as suas preocupações eram as preocupações dos políticos americanos.

As preocupações de Alexandria são também as preocupações de milhões de jovens em todo o mundo que não se reveem na actual classe politica mundial.

Alexandria não se resignou. Teve a coragem de arriscar e dar a cara pelos seus valores morais e ideais. A sua mensagem política, próxima dos que mais sofreram com a crise e com algumas das decisões de Trump, foi clara: saúde para todos, redução das propinas – Alexandria encontra-se ainda a pagar os seus estudos em Economia e Relações Internacionais na Universidade de Boston -, emprego para todos, abolição da agência de controle da imigração, responsável por grande parte do programa de deportação levado a cabo por Donald Trump. Foi a votos e ganhou estrondosamente. Há um ano quando começou a campanha servia às mesas num restaurante em Manhattan. Agora é a mais jovem congressista da história americana. Tem apenas 29 anos. É de origem porto-riquenha nascida no conhecido bairro do Bronx. As suas raízes não a impediram de lutar pelos seus sonhos.

Alexandria Ocasio-Cortez é a prova que vale a pena acreditar que as coisas podem mudar. Que não podemos desistir. Que existe um caminho para percorrer. Que temos que acreditar e lutar convictamente pelos nossos valores morais e ideais porque um dia pode ser tarde demais. Tal como como afirmou Alexandria no seu discurso de ontem “a better world is possible”. Eu também acredito nisso. Alexandria é o exemplo vivo de que vale a pena acreditar, sempre!

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – área de Sociologia
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

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RIO SARDOURA , um recurso hidrico com enorme potencial

A campanha de limpeza do Rio Sardoura começou com uma CANDIDATURA a PROJECTOS DE APOIO AOS CLUBES ROTÁRIOS, promovida pela Fundação rotária portuguesa (FRP), após os incêndios de Outubro de 2017, definindo a FRP essa verba como FUNDO DE CALAMIDADE DISTRITAL.

Fomos desafiados a fazer uma candidature e eu, como representante do Rotary Clube de Castelo de Paiva, junto da Fundação rotary Portuguesa tive de pensar num projecto. Escolhi a limpeza do Rio Sardoura, um projecto diferente daqueles que se andavam a fazer pelo País. Propus então ao meu Clube, na altura presidido pelo Companheiro Carlos Novais e foi aprovado. Passo seguinte era preciso contactar a Cãmara Municipalde Castelo de Paiva e as Juntas de Freguesia e convida-las para parceiros. Todos sem excepção agarraram este projecto

A Câmara apoia com 2.500 euros, correspondendo aos meios técnicos (máquinas), e as Juntas de Freguesia com a mão de obra.

O protocolo entre todas estas instituições foi assinado no passado dia 25 de Outubro e a campanha no terreno começou no passado sabado (27) em São Martinho.

A Camara tratou das autorizações junto da APA, Agencia Portuguesa do ambiente.

O Porquê do RIO SARDOURA ??

Como se sabe, o Concelho de Castelo de Paiva tem cerca de 109 km2 e uma população próxima dos 17 mil habitantes. No passado mês de Outubro de 2017, ardeu uma parte significativa do seu território, atingindo mais de 70% da sua mancha florestal.

Um dos recursos naturais que Castelo de Paiva são os seus recursos hidricos, nem sempre de fácil acesso e muitos deles carregados de árvores e folhagem,uma vez que Portugal abdicou no período pós 25 de Abril de 1974 da sua limpeza, levando à extinção dos guarda – rios. Assim desde essa altura a limpeza dos rios não se faz, o que levou ao aparecimento de espécies arbóreas que  alteraram parcialmente algumas dessas áreas e foram focos de passagem de uma margem para a outra, fazendo autênticas “pontes”, para a passagem do fogo.

Em relação aos recursos hídricos em Castelo de Paiva falamos dos Rios Arda, Sardoura, Paiva e Douro, sendo que os três primeiros são afluentes do Douro e o no caso do Rio Sardoura este tem a quase totalidade do seu percurso no concelho de Castelo de Paiva, passando por 4 das suas seis freguesias, possuindo ainda um ribeiro com caudal idêntico que atravessa quase toda a freguesia de Sardoura.

O Rio Sardoura nasce na freguesia de Santa Eulália (Arouca), concelho de Arouca, local onde inicia o seu percurso de 18 km até desaguar no rio Douro, na freguesia de Santa Maria de Sardoura, passando ainda nas freguesias de Real, de Sobrado e de São Martinho todas elas no concelho de Castelo de Paiva e todas elas abrangidas pelo incêndio de Outubro de 2018. Inclusivamente o Rio Sardoura, é dos cursos de água que constitui a bacia hidrográfica do rio Douro.

Com esta candidatura pretendeu-se arranjar voluntários e financiamento para a limpeza dos principais troços deste Rio Sardoura, nas citadas freguesias e nos locais em que eles têm mais densidade arbórea, evitando focus de propagação de futuros incêndios nas suas margens, permitindo que assim ele possa contribuir em muitas zonas para o desenvolvimento económico do concelho, criando com esta iniciativa novos hábitos, de preservação dos nossos rios.

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Do segundo turno das eleições brasileiras

Domingo próximo, o Brasil vai às urnas pedir um tempo, uma trégua da pobreza, da violência, da hipocrisia, dos jornais, dos governos corrompidos, das Academias, das doenças, da ganância impune das salteadoras de nossas estradas, das decisões estúpidas ou maldosas. Uma trégua dessa jovem e trágica história em que a longa noite da ditadura dos militares, do medo e do silêncio, amanheceu numa democracia carnavalizada, república das bananas, de covardias e mentiras que nunca se retratarão.

No próximo domingo, o brasileiro vai tentar de novo um descarrego dos erros do passado, da insanidade nos gastos públicos, da imperícia com os juros, da tirania no ensino, de toda a sordidez dos hospitais, dos preconceitos de mil faces, das fraudes na cultura num campo cheio de mortos e feridos.

Neste domingo próximo, milhões de nós irão caminhando já sem forças para a esperança. A esperança que não morre nunca, que está na voz doce dos nossos negros, na simplicidade natural dos caipiras e dos índios, nos inocentes, pobres ou ricos, que honestamente reclamam um tempo para a doçura, a vida e a alma que quer sonhar com a autenticidade.

Vai sem forças porque temos sido educados por psicopatas, informados por psicopatas e governados por psicopatas. Hábeis comedores de criancinhas, arrogantes ladrões sem a menor cor de vergonha, agem juntos, a céu aberto, à luz do mais claro dos dias, onde a nuvem parece recortada sobre o azul. Marcam e traumatizam, com as sombras do fracasso, vidas que não escolheram seus sonhos ou seus pesadelos, que não conheceram a justiça, que nunca viram Paris, que nunca leram Keats ou Raul Brandão – vidas que embora chamadas livres, não sabem o que é liberdade, além de uma palavra facilitadora.

Comem crianças prometendo-lhes o futuro no museu dos hipócritas, nas malditas escolas. Porque a felicidade está além da vista, para depois da faculdade – palco da arrogância que carrega um giz numa mão e uma cabeça mole na outra. Outras dessas cabeças comem as criancinhas ao assinar sanções, vetos e roubos da dignidade ainda em flor desses inícios que só querem viver. Nessa tragédia, os mensageiros podem comê-las simplesmente ao trazerem, para a boca da cena, notícias falsas.

Nas últimas semanas, tirando o sono das pessoas, bestas-feras têm babado para defender o terrível estado a que chegamos, como se fossem o Arcanjo Miguel, e não o veneno que germina, nos sempre perigosos grupos, a mais grossa hipocrisia, desenhada com os dentes molares, vendendo gato  por um voto e a tudo isso chamando direito, educação, cultura e justiça.

Esse monstro de mil cabeças, todas moles, convicto de que possui a consciência das classes, tanto quanto a de que eu não posso fumar ou comer carne, vem rebaixando a moral de homens brilhantes que tentaram trazer o capital de uma maneira realista para estas paragens, sem pão e circo. Difamando-os, assim, porque não acreditaram que o homem quer prosperar, que Deus adora variar e que engordar um poder absoluto somente atiça a gula e o ardil dos psicopatas. Odiando-os porque ousaram engrossar o coro – de que o Estado só deve fazer aquilo que só ele pode fazer -, alijados porque desejaram produzir alguma riqueza ao invés de distribuir a miséria.

As mil cabeças surraram a horrível palavra “fascista” sem pudor, sem medo e sem vergonha para falar de seus mais sinceros comparsas. Agora já não têm outra palavra. Destruíram o pensamento de antes com a mesma fala grossa e promessas de mundos que agora ouvem dissonantes, porque já não são as suas, mas as de outrem, que a pressão do tempo renovou dentro dessa terra – uma voz talhada na geologia dos nossos caracteres e crimes, chamada sem consciência pela dor dessa terra, para trazer dos túmulos a inteligência que ouviu o canto do capital. Confusas, as mil cabeças, todas moles, insistem nas velhas palavras que hoje já não significam nada.

Que esse insistente monstro não diga mais do povo, porque a despeito de suas grandes preocupações, o povo ainda sofre. Não exija nenhuma voz das urnas, apenas as ouça; não lhes venha dizer o que devem dizer. Elas não carregam a condução do povo em tamanho padrão, carregam a experiencia que quer bater de volta. Então apanhem, mil cabeças! Parem de torturar com terror! Porque, no domingo, o Brasil não estará fazendo nada além de pedir mais uma chance ao Banco Central, aos correios e ao petróleo; pede mais uma vez pelos pobres, sempre enganados e usados no discurso demagogo; pede pelos mortos da Piazza di Spagna. Pede perdão à Ciência e à Beleza, filhas banidas desta terra de impostores. Pede sombras generosas às árvores, campos largos, água limpa e o simples direito de não temer caminhar sozinho pelas noites de verão.

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Cristiano Ronaldo: de bestial a besta em apenas um segundo

Cristiano Ronaldo era o exemplo de um filho exemplar, um irmão sempre presente, um Pai dedicado, o homem solidário, o homem que se fez a pulso à custa de muito trabalho e muitos sacrifícios, o melhor jogador do mundo e o orgulho de Portugal e dos portugueses no Mundo. De um dia para outro uma notícia de uma queixa de violação sexual – sem dúvida um crime hediondo – de uma americana com um currículo “duvidoso” faz esquecer um percurso pessoal e profissional apontado unanimemente como modelo de vida.

E a comunicação social portuguesa vai atrás, seguida de muitos portugueses. 

Mas esta mesma comunicação social e estas mesmas pessoas esquecem as milhares de mulheres Yazidi sequestradas pelos militantes do auto-denominado Estado Islâmico que não passam de escravas sexuais do Daesh violadas quotidianamente, sem acesso sequer a uma Justiça digna desse nome, em que muitas delas terminam com a sua própria vida dado o sofrimento a que estão sujeitas.

Um alegado caso de violação dá lugar a milhares de capas de jornais em todo o mundo e milhões de horas de televisão de qualidade muito duvidosa. Por sua vez milhares e milhares de violações sexuais mais que comprovadas têm lugar a uma noticia de rodapé nos jornais e noticiários televisivos.

Este caso que alegadamente envolve Cristiano Ronaldo evidencia o sentido da proporcionalidade perdido pela sociedade em que vivemos. E isto é grave. Muito grave, mesmo.

Cristiano Ronaldo está indiciado alegadamente por um crime como estaria qualquer um de nós alvo de uma denúncia que muitas vezes são instrumentais, insidiosas e maldosas. Não foi condenado. Muito longe disso. Tem direito à sua defesa e à presunção de inocência. Ontem mostrou que é um grande profissional, jogou, marcou um golo e deu a vitória à Juventus. Por mim nada mudou. Até prova em contrário Cristiano Ronaldo continua a ser o exemplo de um filho exemplar, um irmão sempre presente, um Pai dedicado, o homem solidário, o homem que se fez a pulso à custa de muito trabalho e de muitos sacrifícios, o melhor jogador do mundo de quem sinto muito orgulho enquanto português.

Paulo Vieira da Silva

Gestor de Empresas / Licenciado em Ciências Sociais – área de Sociologia
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

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