Salário Mínimo Nacional e o emprego

Em 1992, o estado de Nova Jérsia aumentou o salário mínimo nuns astronómicos 19%, ao passo que no vizinho Estado da Pensilvânia não ocorreu qualquer alteração. David Card e Alan Krueger aproveitaram estas ocorrências para realizar um estudo sobre o impacto do salário mínimo, no emprego. Como a mão-de-obra dos restaurantes é maioritariamente pouco qualificada e aufere vencimentos reduzidos, os investigadores optaram por concentrar neste sector a sua análise, uma vez que seria aquele que estaria mais sensível às alterações em causa. No final, os autores verificaram que o impacto do salário mínimo foi ligeiramente positivo, o que se reflectiu no crescimento do número de funcionário. Como Stigler comprovou no século passado, na maior parte das situações o empregador tem poder para fixar um salário abaixo da real produtividade do trabalhador, o que se traduz numa margem, por vezes não é negligenciável, entre o custo e o valor do rendimento do funcionário que acaba por ir parar aos cofres das empresas. (Ler Mais…)

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Inflação na Zona Euro

Numa conferência de imprensa, o presidente do banco central europeu considerou que a inflação se mantinha abaixo da meta dos 2%, por as empresas não aumentarem os salários dos seus funcionários e por essa via potenciar o consumo. Como o próprio sabe melhor do que ninguém, as empresas apenas aumentam os salários, em situações de pleno emprego, onde a disputa por trabalhadores, acaba por elevar a massa salarial. No entanto, na maioria dos países da zona euro, as taxas de desemprego permanecem em patamares elevados, o que confere às empresas uma enorme margem negocial, que potencia o recurso ao emprego precário. (Ler Mais…)

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Polícia de Costumes

Anda por aí uma “policia de costumes”.

A fazer lembrar os “Guardas da Revolução” do Aiatolá Khomeini e todos os excessos por eles cometidos na defesa ultra dogmática do que entendiam ser a Fé.

Por cá, felizmente, a violência da “polícia de costumes” exerce-se apenas pelos escritos ou pelas declarações à comunicação social e não atinge os requisitos de violência física que caracterizaram tristemente os seus antecessores iranianos.

Por cá essa “polícia de costumes” anda particularmente atenta a quem ouse ser politicamente incorrecto e tenha o atrevimento de se pronunciar de forma critica sobre essencialmente três assuntos:

Determinadas orientações sexuais, minorias étnicas e algumas religiões minoritárias no nosso país.

Aí os “polícias” e as “polícias” arrepelam os cabelos, rasgam as vestes e arremetem sobre os impíos com uma violência e um sectarismo que deixam transparecer uma quase vontade de restaurarem uma “Santa “Inquisição” para não dizer pior.

Esta semana não lhes faltou “trabalho”.

Primeiro com a entrevista de Gentil Martins ao Expresso e depois com as declarações de André Ventura sobre a raça cigana.

Na imprensa, nas redes sociais, onde quer que fosse os “polícias de costumes” até espumavam de pura raiva contra as declarações de um e de outro ignorando (os fundamentalistas e os defensores de totalitarismos esquecem sempre esse “detalhe”) que vivemos numa democracia e que as pessoas tem direito à sua opinião.

Posso não estar de acordo com tudo que Gentil Martins disse, e nalguns casos na forma como o disse, mas estou de acordo com muitas outras e acho ,acima de tudo, que ele tem o direito de ter aquelas opiniões e de as exprimir em liberdade.

O “caso” de André Ventura é ligeiramente diferente.

Porque o que ele disse, concordando-se ou discordando-se, não é nenhuma heresia e todos sabemos e conhecemos imensos casos demonstrativos disso.

Mas André Ventura é candidato do PSD a Loures.

E por isso o “spin” do governo e do PS, ajudado pela idiotice útil (ao PS) de alguns membros da oposição, quer fazer do caso um enorme escândalo que desvie as atenções de Pedrogão, de Tancos, do Siresp, dos empregos para a família no governo socialista, da fuga para férias do primeiro-ministro a meio de uma tragédia nacional, dos secretários de estado a contas com a Justiça que se demitiram um ano depois, das criticas da segunda figura do Estado (triste Estado que o tem como segunda figura mas isso é outra conversa) à Justiça entre muitas outras coisas.

E a “polícia de costumes, no seu fervor sectário, desmiolado e próprio de ditaduras onde a liberdade de opinião é palavra vã mais não faz, neste caso, do que prestar um enorme frete ao governo.

É o preço da sua intolerância…

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Naturalmente corrupto

A naturalização do fenómeno da corrupção é um dos processos da pós-modernidade transoceânico que deixaria de cabelos arrepiados Nicolau Maquiavel . Foi decretado lícito ao político ser e viver de forma corrupta , em uma das inversões de valores presentes a civilização da pós modernidade. O bem privado coletivo transformado em forma de enriquecimento lícito, e o ilícito maleável dentro de uma conveniência. Observando os dois últimos pleitos regionais deparei com um cenário interessante: rara pessoa digna, com ideologia partia para o rumo da política. Vi vários casos de desempregados, agiotas, de trapaceiros, de caloteiros conhecidos mais que de repente aparecerem dentro do horário da propaganda eleitoral prometendo o mesmo de sempre que iriam trabalhar pela família cristã, pelo combate da violência, por mais emprego pela educação e melhoria da qualidade de vida.

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COIMBRA VAI GANHAR

Coimbra atravessa um tempo decisivo na perspetiva de, através das próximas autárquicas, serem dados os passos necessários para sair do marasmo e da letargia reinantes.

O apoio do Professor Norberto Pires à candidatura “mais Coimbra” e os pressupostos que o sustentam constituem esse ponto de viragem decisivo. (Ler Mais…)

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Os doentes em segundo lugar

Calma, por favor não me atirem já pedras que eu passo a explicar. Actualmente, quando se aborda o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é politicamente correcto e moda afirmar-se que o doente está em primeiro lugar, que devemos centrar a prestação dos cuidados de saúde no doente e que este deve ser o foco, quase exclusivo, do sistema de saúde. Pois… isto até devia ser verdade, mas o facto é que não se verifica porque não se reúnem as condições de base para que se atinja este desiderato.

Numa empresa, com uma cadeia de produção semi-automatizada, importa apenas colocar nos locais correctos os materiais devidos e esperar que o funcionário, independentemente do seu humor, de se sentir mais ou menos realizado profissionalmente, cumpra o seu dever de carregar no botão certo, aparafusar ou colar os materiais na medida e no tempo que lhe foi destinado/programado fazer. O acto do profissional é, praticamente e também ele, semi-automatizado e dá pouco espaço a inovação ou a falhas.

Na Medicina o panorama é completamente inverso. “A Medicina é uma arte”, porque depende do estabelecimento de uma relação de confiança e de empatia entre o doente e o seu médico. Cada acto médico requer um tempo que é, por vezes, difícil contabilizar porque depende de pessoas situadas em ambos os extremos da relação e está, assim, sujeito a variações grandes condicionadas pelas expectativas que cada um tem, pela forma como se interrelacionam e comunicam, pela necessidade de se recorrer a meios complementares de diagnóstico e da sua disponibilidade, pela obrigação de se buscar uma solução para cada problema apresentado, mesmo que não exista uma solução ideal, pela necessidade de se buscar consensos nas melhores soluções para esses problemas, e por mais uma série infindável de variáveis que encheriam várias páginas de escrita.

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Carta Pro amigo João sobre o isolamento

“Olá, como vai ? Eu vou indo e você, tudo bem ? Tudo bem eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro, e você ? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe … Quanto tempo… pois é… Quanto tempo… Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios Oh! Não tem de quê Eu também só ando a cem Quando é que você telefona ? Precisamos nos ver por aí Pra semana, prometo talvez nos vejamos Quem sabe ? Quanto tempo”…

Estes dias recebo uma mensagem eletrônica de um amigo dizendo que estava de cama há 10 dias, e que muitas pessoas não sabiam de seu estado. Pois é quanto tempo…na hora lembrei da música de Paulinho da Viola e me questionei. O que temos feito de nosso tempo? Na pressa dos nossos negócios, no quem sabe da existência…

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“Todas as palavras esdrúxulas são naturalmente ridículas”

Tão ridículas quão desprovidas de bom senso. E o que temos visto e ouvido por estes dias, são piores do que “as cartas de amor” a que se refere Álvaro de Campos.

Na verdade, as palavras esdrúxulas que políticos e não políticos (hoje, está na moda, ser comentador… de tudo e de nada), vão proferindo, por isto e por aquilo, são verdadeiramente ridículas, porque exageram no acento que colocam em questões, por vezes, bem pertinentes. Mas perdem a acuidade e a razão pelo acento esdrúxulo com que delas falam. Como em tudo, quando se empertigam para colocar o acento tornam-se no que o poeta classifica. Ridículas, pois claro!

Militares que ameaçaram depor armas! Mas que nome se dá, na guerra, a isso? Conheço um Regimento de Infantaria em que o lema é “Nem um passo à retaguarda”. Mas aqueles outros, não só dão passos à retaguarda como depõem as armas. Depois, claro, sugere-se a demissão do Ministro da Defesa. Os políticos é que são culpados. Mas com oficiais assim, que até deixam roubar armas, que farão os soldados? Pelo sim, pelo não, talvez, depor os ditos. (Ler Mais…)

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